Neemias Queta garante presença na janela FIBA de agosto
Portugal parte para a segunda fase em quarto do Grupo I, com três lugares no Mundial em disputa e a Espanha à espera em Saragoça.
Neemias Queta garantiu este domingo que vai representar Portugal nos dois primeiros jogos da segunda fase de qualificação para o Mundial de 2027, no final de agosto. É a primeira vez que o poste dos Boston Celtics assume publicamente essa disponibilidade, depois de ter falhado a janela de julho.
«O plano é esse mesmo, ir aos jogos, ajudar a equipa o máximo possível, ser competitivos e chegar ao Mundial, esse é o objetivo principal.»
As declarações foram prestadas à Agência Lusa no Estoril Open, onde Neemias foi convidado pela organização para lançar a moeda ao ar na final de pares, ganha pelos franceses Titouan Droguet e Kyrian Jacquet aos brasileiros Orlando Luz e Rafael Matos.
«É uma honra bastante grande para mim. É um momento especial, ao mesmo tempo. Ténis é um desporto que eu acompanho desde criança e é uma experiência fenomenal estar aqui neste momento.»
Do ténis, destacou a exigência mental de uma modalidade onde «tem de se estar muito mais preparado psicologicamente para todos os tipos de adversidades».
Os dois jogos de agosto
Portugal visita a Espanha a 28 de agosto, no Pavilhão Príncipe Felipe, em Saragoça, e recebe a Geórgia a 31, no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos. Neemias falhou os dois jogos de julho — a derrota caseira com Montenegro e a vitória em Atenas que garantiu o apuramento para esta fase — numa altura em que negociava o futuro em Boston. Esse processo fechou-se a 3 de julho, com a extensão de quatro anos e 56 milhões de dólares, cerca de 47,5 milhões de euros.
Falta o passo formal. Mário Gomes divulgou 24 pré-convocados e só depois fechará os 14. Rúben Prey, também na lista alargada, continua dependente da recuperação de uma lesão num antebraço e da autorização de St. John’s. A janela de 24 de agosto a 1 de setembro é a única deste ciclo em que os dois podem alinhar juntos pela Seleção principal.
«O que importa agora é mesmo os jogos da seleção, chegar a 28 de agosto, em Saragoça. Queremos estar no nosso melhor nível e acho que vai ser um desafio bastante difícil, mas vamos juntos e estamos sempre prontos.»
Portugal chega em quarto do Grupo I, com 9 pontos, empatado com a Grécia e a Geórgia e com o desempate no confronto direto com os gregos. Passam ao Qatar os três primeiros. A Espanha lidera, com 11 pontos e um registo de 5-1, e os dados da FIBA relativos aos ciclos de 2019 e 2023 dizem que nenhuma seleção nessas condições falhou alguma vez o apuramento. Para Neemias, «cada jogo é um jogo, cada dia é um dia e não interessa o nome que tu tenhas ou quem tu és».
«Temos de nos ver uns aos outros e a partir daí é ‘segue jogo’, bola ao ar e o objetivo é marcar mais pontos do que eles e que eles marquem menos do que nós. A partir daí, cada jogo é um jogo e acho que temos tantas chances como eles.»
A responsabilidade do contrato
Aos 27 anos, Neemias entra na sexta época na NBA e na quarta em Boston. Esta corre ainda ao abrigo da opção de 2,7 milhões de dólares que os Celtics acionaram em junho; a extensão de quatro anos só produz efeitos a partir de 2027/28 e fixa-o em Boston até 2030/31. Chega aqui depois da melhor época da carreira: máximos de 10.2 pontos e 8.4 ressaltos, 65.3% de eficácia nos lançamentos de campo — o terceiro melhor registo da liga — e um quarto lugar na votação para Most Improved Player. Nada disso lhe parece um ponto de chegada.
«Sou uma pessoa que não quer parar onde está, esperemos que seja só o início. Continuo a trabalhar com a mesma vontade, com a mesma fome. Tenho um futuro brilhante pela frente se continuar com a mesma fome.»
O contrato altera-lhe também a posição na hierarquia interna. Com um valor médio a rondar os 14 milhões de dólares por época, Neemias passa a ser um dos poucos elementos que Boston tem assegurados para lá de 2027.
«Acima de tudo é uma responsabilidade maior. Tenho uma confiança depositada em mim ainda mais relevante. Não vou mudar a maneira como eu ajo, como eu penso, mas, em termos de responsabilidade, vou ter uma responsabilidade diferente na equipa. Eu vejo as coisas da mesma maneira e acho que tenho a cabeça no sítio certo.»
Joe Mazzulla no Barreiro e Jaylen Brown em Philadelphia
Joe Mazzulla passou alguns dias em Portugal este verão e visitou o pavilhão do Barreirense, onde Neemias aprendeu a jogar. O poste leu a viagem como «mais um voto de confiança» do treinador.
«Saber que veio cá conhecer-me, conhecer as minhas origens, perceber quem é que eu sou, com as pessoas com quem eu ando, é bastante demonstrador da pessoa que ele é. Ele gosta muito de ter conexões com as pessoas, estar à vontade com o pessoal e acho que é bastante bom para mim ter esse tipo de confiança do meu treinador. Agora só tenho de retribuir dentro de campo.»
O mesmo defeso levou Jaylen Brown para os Philadelphia 76ers, em troca de Paul George e quatro escolhas do draft. Neemias descreveu a saída como «uma parte do negócio» para a qual «tem de se estar sempre pronto».
«Não quer dizer que fique mais fácil saber que tens de lidar com as mudanças dos jogadores, treinadores, staff e pessoal com quem trabalhas todos os dias. O Jaylen era um dos meus melhores amigos na equipa, não é fácil perdê-lo, mas, ao mesmo tempo, tens de saber que há sempre o outro lado da moeda e tens de estar pronto para receber os novos colegas de equipa. Não quero estar aqui a debater muito no que se passou ou o que vai acontecer, porque já passou algum tempo e agora estamos mais focados no presente e no que vem aí pela frente.»
Antes da nova época da NBA há a Seleção Nacional. A janela FIBA abre a 24 de agosto e o primeiro jogo é quatro dias depois, em Saragoça.







