Neemias Queta e Rúben Prey pré-convocados para a janela FIBA de agosto
Resolvido o contrato de Neemias, a dupla interior ao lado de Prey depende agora de St. John's. É a única janela deste ciclo em que os dois podem jogar juntos.
Neemias Queta e Rúben Prey integram a pré-convocatória da Seleção Nacional para a janela FIBA de agosto, divulgada esta quinta-feira pela Federação Portuguesa de Basquetebol. São 24 nomes para os dois primeiros jogos da segunda fase de qualificação para o Mundial de 2027, frente a Espanha e Geórgia.
Portugal visita a Espanha a 28 de agosto, no Pavilhão Príncipe Felipe, em Saragoça, e recebe a Geórgia a 31, no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos, às 19 horas.
Neemias e Prey também constavam da pré-convocatória de maio, para a janela de julho, e nenhum dos dois chegou aos 14 convocados. A lista alargada é uma formalidade que a FIBA exige, e a resposta verdadeira chega quando Mário Gomes fechar o grupo.
A estreia que nunca aconteceu
Neemias e Prey nunca alinharam ao mesmo tempo pela Seleção principal. Os dois únicos jogos de Prey foram em fevereiro de 2024, frente a Israel e à Ucrânia, em plena época da NBA e, portanto, sem Neemias. O EuroBasket 2025, o único palco de verão que os podia ter reunido, foi de desencontro: Neemias jogou, Prey ficou de fora, vetado por St. John’s. Em julho, faltaram os dois.
Restam três janelas neste ciclo e só uma serve. As de novembro de 2026 e de fevereiro/março de 2027 caem em plena época da NBA e da NCAA. Sobra a de 24 de agosto a 1 de setembro.
Um obstáculo caiu, outro não
O que afastou Neemias de julho está resolvido. A 29 de junho, Boston acionou a team option de 2,7 milhões de dólares (2,3 milhões de euros) que o garantia em 2026/27; a 3 de julho, chegou a acordo para uma extensão de quatro anos e 56 milhões de dólares (47,5 milhões de euros), que o fixa nos Celtics até ao final de 2030/31. Era esse processo negocial — e o risco de uma lesão — que o selecionador invocou em junho para justificar a ausência. Com o contrato fechado, o impedimento deixou de existir.
Do lado de Prey, nada mudou de forma verificável. O extremo-poste de 21 anos falhou julho lesionado num antebraço e o regresso estava apontado para agosto. Mantêm-se as duas condições: recuperar a tempo e St. John’s libertá-lo. A janela cai exatamente no período de finais de verão, à beira do arranque da pré-época, que a universidade vetou em 2025. Rick Pitino já lhe prometeu a titularidade e a ESPN colocou St. John’s no 7.º lugar do seu ranking de pré-época. Nenhuma das duas coisas ajuda.
Gameiro regressa, entram quatro
O terceiro ausente de julho também está de regresso: Diogo Gameiro, o base do Benfica que ficara de fora por não reunir «condições físicas e clínicas», está na lista.
Face aos 20 pré-convocados de maio, Mário Gomes não cortou ninguém e acrescentou quatro: os bases André Silva (SC Braga), Carlos “Litos” Cardoso (SC Braga) e Hugo Ferreira (Bahía San Agustín) e o base-extremo Gustavo Teixeira (Ovarense). Nenhum é estreia absoluta e todos figuraram em listas alargadas anteriores, incluindo três deles na de janeiro, para a janela de fevereiro com a Roménia.
É Hugo Ferreira o nome com mais história recente. Aos 24 anos, o base canhoto de Vila Nova de Gaia foi MVP Nacional da última Liga Betclic ao serviço do Esgueira — 15.1 pontos, 4.7 ressaltos e 6.2 assistências — e assinou entretanto pelo Bahía San Agustín, da Primeira FEB. É o quinto português da lista a competir em Espanha e o segundo em Palma, onde Nuno Sá joga no Palmer Basket Mallorca. Completam o contingente Diogo Seixas (Ourense), Rafael Lisboa (Lucentum Alicante) e Diogo Brito, que sobe à ACB com o Obradoiro, cuja admissão à Liga Endesa foi aprovada esta quarta-feira pela assembleia geral da competição.
Seis jogos, três lugares
Portugal chega a agosto em quarto do Grupo I, com 9 pontos. Empatado com Grécia e Geórgia — as três fecharam a primeira fase com registo de 3-3 —, aparece à frente pela diferença de pontos marcados e sofridos: 36, contra 25 dos gregos e -12 dos georgianos. Acima estão a Espanha (11 pontos, 5-1), a Ucrânia e o Montenegro (10, ambos 4-2), este último à frente de Portugal com uma vitória a mais e uma diferença de -23. Passam ao Mundial os três primeiros.
Como já defrontou Grécia e Montenegro na primeira fase, a Seleção disputa seis jogos novos, em casa e fora, apenas com Espanha, Ucrânia e Geórgia. Depois de agosto, seguem-se dois em novembro e o fecho em fevereiro e março de 2027.
Há dois dados que enquadram o que está em jogo. O primeiro é o desempate no confronto direto com a Grécia, conquistado em Atenas, que coloca Portugal à frente em caso de igualdade no final. O segundo vem da FIBA: nos ciclos de 2019 e 2023, as seleções que terminaram a primeira fase em 3-3 qualificaram-se em 27% dos casos; as que terminaram em 4-2, em 75%. Nenhuma equipa a 5-1 ou 6-0 falhou alguma vez o Mundial, o que diz o suficiente sobre a Espanha que espera a equipa das quinas em Saragoça, mesmo depois de ter perdido 22 pontos de vantagem em Tbilisi e somado a derrota no prolongamento com a Geórgia de Tornike Shengelia, autor de 37 pontos nessa noite. É essa Geórgia que Matosinhos recebe três dias depois de Saragoça.




