Portugal vence na Grécia e apura-se para a segunda fase da qualificação para o Mundial
Triunfo em Atenas (71-56) garante o apuramento e o desempate com os gregos; a estreia da dupla Queta-Prey pode acontecer na janela de agosto.
Portugal venceu a Grécia em Atenas, por 71-56, e garantiu a passagem à segunda fase de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2027, no Qatar. Obrigada a vencer para não depender de terceiros, três dias depois de perder em casa com Montenegro (68-72), a Seleção Nacional assentou o triunfo na defesa — limitou a Grécia a 56 pontos, a marcação mais baixa que permitiu na campanha — e teve em Diogo Brito, com 17 pontos e 9 ressaltos, o melhor jogador em campo.
Foi um feito construído sem os dois postes de referência de Portugal. Neemias Queta e Rúben Prey ficaram de fora da janela de julho, e o reencontro da dupla que o país há muito espera ver no pintado volta a ser empurrado para agosto — precisamente para a fase que este triunfo desbloqueou. Portugal transporta para lá, ainda, uma vantagem que se pode revelar decisiva: o desempate no confronto direto com a Grécia.
Defesa a decidir
Num jogo físico e com poucos pontos, Portugal só esteve em desvantagem uma vez, logo no arranque (7-6), e a partir daí nunca mais largou o comando. Chegou ao intervalo a vencer por 28-23, apesar de os dois conjuntos entrarem gelados na altura de lançar ao cesto, ambos com 28.1% de eficácia nos lançamentos de campo (9 em 32) ao fim dos primeiros 20 minutos.
A diferença fez-se na segunda parte. Travante Williams deu o mote para um parcial de 13-7 que abriu uma vantagem de 11 (30-41), e a pontaria de Rafael Lisboa segurou-a até ao final do terceiro período (42-53). No último quarto, Portugal entrou com um parcial de 9-0 para uma vantagem impensável de 20 pontos (42-62). A Grécia ainda reduziu para 55-65, mas os portugueses controlaram o desfecho e fecharam nos 15 finais. Só no terceiro período, Portugal marcou 25 pontos, mais do que em toda a primeira parte.
Brito, Lisboa e Travante lideram
Diogo Brito foi a figura do jogo, com 17 pontos (7 em 13 lançamentos de campo), 9 ressaltos, 2 assistências, 2 roubos de bola e 1 desarme de lançamento. Não é novidade nesta campanha: o extremo que se prepara para jogar na liga ACB tem sido um dos principais argumentos ofensivos de Portugal, com pontos altos como os 32 do triunfo caseiro sobre a Roménia (99-82).
Saído do banco, Rafael Lisboa foi o recurso da Seleção quando era preciso pontuar, com 16 pontos e 5 assistências. Travante Williams somou 15 pontos e 8 ressaltos, e voltou a confirmar-se como constante da equipa, depois dos 25 pontos frente à Roménia e do melhor registo do jogo na derrota com Montenegro. Também do banco, Vladyslav Voytso acrescentou 9 pontos, com 3 em 4 nos triplos.
Do lado grego, a defesa portuguesa deixou marca: só Elijah Mitrou-Long (11 pontos, 5 ressaltos, 4 assistências) e Vasileios Toliopoulos (10) chegaram aos dois dígitos.
Mário Gomes: «Estamos vivos»
O selecionador Mário Gomes destacou a defesa como pilar do triunfo. «Normalmente, a este nível, para poder ganhar jogos, o pilar tem de ser a defesa, pois o ataque oscila sempre mais. 71 pontos não é uma grande marcação», disse à Agência Lusa, sublinhando ainda o caráter da equipa três dias depois do desaire caseiro com Montenegro.
O contexto dá peso à vitória. «É a primeira vez que vencemos a Grécia em jogos oficiais», recordou Mário Gomes. «Na última qualificação para o Mundial, tínhamos perdido os seis jogos e nesta qualificámo-nos e ganhámos metade dos jogos». O selecionador resumiu o momento numa frase: «Estamos vivos e muito felizes por isso».
Diogo Brito falou do mesmo estado de espírito. «Sabíamos que estávamos encostados à parede. Tínhamos de vencer, porque, caso contrário, não dependíamos mais de nós. Permitimos 56 pontos à Grécia, o que é bastante bom para nós. Foi um esforço defensivo tremendo e essa foi a chave do jogo», afirmou o internacional luso.
Três vitórias e desempate com a Grécia
Portugal terminou a primeira fase em segundo no Grupo B, com 9 pontos (três vitórias e três derrotas), atrás de Montenegro (4-2) e à frente da Grécia (3-3), que superou no confronto direto; a Roménia (2-4) ficou pelo caminho. Todos esses pontos transitam para a segunda fase — no formato da FIBA, nenhum jogo se apaga.
Na segunda fase, os apurados do Grupo B juntam-se aos do Grupo A para formar o Grupo I: Espanha (11), Ucrânia e Montenegro (10) e Portugal, Grécia e Geórgia (9). Passam ao Mundial os três primeiros. Como já defrontou Grécia e Montenegro na primeira fase, Portugal disputa seis jogos novos, em casa e fora, apenas com as três seleções do Grupo A: recebe e visita Espanha, Ucrânia e Geórgia. O calendário abre com uma visita à Espanha e uma receção à Geórgia, na última semana de agosto; seguem-se dois jogos em novembro e o fecho em fevereiro e março de 2027.
O desempate com a Grécia entra aqui como trunfo: se as duas seleções terminarem empatadas, Portugal fica à frente. Para Mário Gomes, o rumo não muda. «Continuamos a depender só de nós próprios, dos nossos resultados. O nosso objetivo é chegar ao Mundial e não nos vamos desviar desse objetivo», frisou.
Agosto, a janela de Neemias e Prey
É também em agosto que reabre a possibilidade mais aguardada. A janela de 24 de agosto a 1 de setembro é a única deste ciclo em que Neemias Queta, poste dos Boston Celtics, e Rúben Prey, extremo-poste de St. John’s, podem, enfim, alinhar juntos pela Seleção principal. As janelas seguintes, em novembro e em fevereiro/março, caem em plena época da NBA e da NCAA.
O que os afastou de julho está, num dos casos, resolvido. Neemias faltou por causa da definição do seu futuro em Boston, e essa incógnita fechou-se esta semana, com a extensão de quatro anos e 56 milhões de dólares com os Celtics. Prey, por sua vez, falhou esta janela por estar lesionado num antebraço e o regresso, apontado para agosto, continua sujeito a duas condições: recuperar a tempo e St. John’s libertá-lo, num período que a universidade já vetou no ano passado.
Queta e Prey nunca jogaram juntos pela Seleção principal. Agosto é, mais uma vez, a janela onde essa estreia se torna possível.
Portugal entra assim em território novo. É a primeira vez que alcança a segunda fase de qualificação para um Mundial e a primeira vez que vence a Grécia em jogos oficiais. Pela frente estarão Espanha, Ucrânia e Geórgia, e um lugar no Qatar.








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