Rúben Prey falha janela FIBA de julho por lesão
Pré-convocado para os jogos frente a Montenegro e Grécia, o extremo-poste de St. John's só deverá voltar a jogar em agosto, na segunda fase, se recuperar e se Portugal se apurar.
Rúben Prey vai falhar a janela FIBA de julho da Seleção Nacional. O Borracha Laranja sabe que o extremo-poste de 21 anos e 2.08 metros, pré-convocado por Mário Gomes para os dois jogos de qualificação para o Mundial de 2027 — Montenegro, a 2 de julho, em Matosinhos, e Grécia, a 5, em Atenas —, está lesionado num antebraço e só deverá voltar a estar disponível em agosto. No mesmo verão em que a universidade de St. John’s lhe abre o lugar de titular, é o próprio corpo a fechar-lhe a porta da seleção e a adiar a aguardada dupla interior ao lado de Neemias Queta.
A janela que falha e a que aí vem
Portugal não depende de Prey para seguir em frente. Basta uma vitória, frente a Montenegro ou à Grécia, para garantir a passagem à segunda fase do apuramento para o Campeonato do Mundo. A 5 de julho, em Atenas, os portugueses defrontam a Grécia, sem Giannis Antetokounmpo, que dispensou as janelas de verão para gerir a recuperação física, e, agora, também sem o jogador que escolheu o número 34 na Seleção por causa dele.
Para Prey, o regresso poderá acontecer em agosto. E aí está o problema: a janela de agosto, de 24 de agosto a 1 de setembro, abre a segunda fase das qualificações, e é, realisticamente, a única ao seu alcance neste ciclo. As duas janelas seguintes — novembro de 2026 e fevereiro/março de 2027 — caem em plena época da NCAA, altura em que St. John’s estará em competição.
Os adversários da janela de agosto ainda não estão definidos. Na segunda fase, os apurados do Grupo B — onde está Portugal — juntam-se aos do Grupo A, com os resultados da primeira fase a transitar; cada equipa defronta os três que vierem do outro grupo, em casa e fora. Portugal só saberá quem enfrenta depois de julho, mas os nomes possíveis dizem tudo sobre o salto de exigência: o Grupo A é composto por Espanha, Geórgia, Ucrânia e Dinamarca.
Dupla com Neemias novamente adiada
A lesão tem um efeito que vai além do calendário. Pela primeira vez em muito tempo, a coabitação entre Neemias Queta e Rúben Prey estava ao alcance: os Boston Celtics foram eliminados na primeira ronda dos playoffs da NBA, e Mário Gomes conta com o gigante do Vale da Amoreira para as partidas frente a montenegrinos e gregos, e ambos surgiam na mesma pré-convocatória. Julho podia ter sido a estreia de um frontcourt que se espera poder brilhar pela seleção principal.
Os únicos dois jogos de Prey pela seleção A foram em fevereiro de 2024, frente a Israel e à Ucrânia, em plena época da NBA. Ou seja, sem Neemias. O EuroBasket 2025, o único palco de verão que os podia ter reunido, foi de desencontro: Neemias jogou, Prey ficou de fora. Agora, a lesão empurra o reencontro para agosto, na melhor das hipóteses e só se Portugal se apurar e o poste recuperar a tempo.
O obstáculo que muda de nome
Há um padrão na carreira de Prey: está sempre a um passo, e há sempre algo a adiá-lo. Em St. John’s, foi um veterano à frente durante dois anos. Na seleção, foi a própria universidade.
Como contámos no dossier «Destino: Riga», St. John’s vetou a presença de Prey no EuroBasket 2025, que marcou o regresso de Portugal à prova 14 anos depois. «Foram perentórios: nessa altura, nem pensar», resumiu Mário Gomes, depois de o então Diretor Técnico Nacional, Nuno Manaia, ter viajado aos Estados Unidos e voltado com uma recusa. A federação ainda tentou inscrever Prey no Europeu de Sub-20; também aí ouviu «não». Na altura, Manaia explicou ao Borracha Laranja os limites do problema:
«Nos contactos que tivemos com St. John’s, um deles presencial nos EUA, a universidade disse-nos sempre que não dispensava o Rúben. Conhecemos outros casos iguais pela Europa fora, pelo que não controlamos esta situação. É uma nova realidade. A NCAA não está sob a égide da FIBA, a universidade não é obrigada a dispensar o atleta. Para nós, neste verão, é um assunto encerrado. Continuaremos a seguir o Rúben de perto e a manter o contacto com ele e com a universidade.»
No mesmo campus, porém, Rick Pitino deu luz verde ao base grego Lefteris Liotopoulos para integrar a preparação da Grécia, um contraste que muitos atribuíram às ligações antigas do treinador ao basquetebol helénico.
Em 2026, o «não» mudou de origem. Já não é St. John’s a fechar a porta da seleção, mas sim o corpo de Prey. E há um senão: a janela de agosto cai no mesmo período de finais de verão que a universidade vetou em 2025, à beira do arranque da pré-época. Mesmo recuperado, a libertação não está garantida.
Em St. John’s, titularidade é possível
Enquanto a seleção espera, St. John’s avança. A saída de Zuby Ejiofor — 16.3 pontos e 7.3 ressaltos na época passada, e o homem que lhe tapou o caminho durante dois anos — abriu o lugar no cinco, e Rick Pitino, em maio, voltou a apontá-lo para o ocupar — a titularidade que já lhe prometera em janeiro —, ainda que com a ressalva de que tudo pode mudar nos treinos de verão.
«Não vai ser o Zuby Ejiofor, mas vai ser um excelente jogador, que pagou as suas dívidas», disse o treinador. «Melhorou imenso o lançamento exterior. Chegou aqui petrificado e agora está muito à vontade.»
Os antigos colegas de equipa, ouvidos no combine da NBA, em Chicago, vão no mesmo sentido. «O Rúben é muito talentoso, provavelmente um dos jogadores mais talentosos que tínhamos no plantel», afirmou Bryce Hopkins ao Storm The Paint. «Com o Zuby à frente, não teve muito tempo para mostrar o que sabe fazer, mas, quando entrava, dava-nos sempre uma ajuda, pela intensidade com que joga.»
Dillon Mitchell foi mais longe: «Na Big East, vai ser um dos melhores jogadores, seja qual for a posição. O Rúben é versátil. Adorei jogar com ele e vejo-o a ter sucesso, quer a poste, quer a extremo-poste.» E destacou a atitude do português: «Adere por completo à cultura, faz tudo o que os treinadores lhe pedem, e empenha-se imenso. Nunca o vi em baixo, mesmo num mau jogo.»
O próprio Ejiofor, o titular que Prey vai render, deixou o aval: «Toda a gente viu o grande salto que o Rúben deu na época passada e eu, por mim, estou orgulhoso dele. Trabalhou para isso e sinto que é mais do que capaz de assumir o lugar de poste titular.»
Nos EUA, a confiança é, de resto, maior do que a do próprio treinador: a ESPN subiu St. John’s do 19.º para o 7.º lugar no seu ranking de pré-época e projeta Prey como titular de uma equipa de top-10. O lugar, ainda assim, não está garantido. Pitino foi ao transfer portal buscar o extremo-poste Donnie Freeman (16.5 pontos em Syracuse) dispõe do poste sérvio Lazar Stojković (ex-Estrela Vermelha), de 2.13 metros, e admitiu que Babacar Sane também pode render a poste, se for preciso.
Neemias foi o primeiro português a chegar à NBA; Prey é o candidato mais credível a ser o segundo. A estreia ao lado do jogador cujo caminho quer seguir era o passo que julho prometia e que uma lesão no antebraço empurra para agosto. Fica a incerteza, agora com um obstáculo a mais: se recuperar, se Portugal se apurar e se St. John’s não voltar a dizer «não». Por agora, a primeira resposta cabe ao corpo.


