Mundial 2027: Portugal adia apuramento e espera «reforços» em julho
Derrota na Roménia (101-96) adia decisão que podia ter chegado já nesta janela; em julho, Neemias Queta, Miguel Queiroz e Rúben Prey poderão estar disponíveis.
A seleção portuguesa de basquetebol não aproveitou a janela de fevereiro para garantir o acesso à segunda ronda de qualificação para o Mundial de 2027, após um duplo confronto com a Roménia que dividiu pontualmente os dois conjuntos.
Com dois jogos ainda por disputar no Grupo B, os «Linces» chegam à terceira e última janela da primeira fase em posição de tudo decidir e com perspectivas de três reforços de peso: Neemias Queta, Miguel Queiroz e Rúben Prey.
O que correu bem e o que correu mal
Em Coimbra, Diogo Brito liderou a equipa das quinas com 32 pontos e oito triplos em 12 tentativas, enquanto Travante Williams somou 25 pontos e oito ressaltos para um triunfo confortável por 99-82.
Quatro dias depois, em solo romeno, o guião inverteu-se. Portugal sofreu mais de 100 pontos pela primeira vez na história da equipa sob o comando de Mário Gomes e perdeu por 101-96, num jogo que esteve ao alcance da seleção nacional até aos segundos finais. Travante foi o melhor dos portugueses com 33 pontos, mas não foi suficiente para compensar uma exibição defensiva que deixou o selecionador claramente insatisfeito.
«Há sempre uma primeira vez, neste caso infelizmente. Uma equipa que sofre mais de 100 pontos quase nunca ganha, a este nível. Foi uma sucessão de erros do princípio ao fim, que culminou com o último lançamento de campo da Roménia, em que um jogador apareceu sozinho a lançar um triplo.»
«Não defender é sinónimo de derrota. Não fizemos o nosso trabalho na defesa e só podemos queixar-nos de nós próprios. Ganhar ou perder não é a mesma coisa, até porque se tivéssemos vencido já estávamos apurados. Entre outras coisas, temos que voltar ao nosso registo.»
Esta janela ficou marcada por algumas notas positivas quanto à composição do grupo. André Cruz, extremo do Sporting, regressou à seleção quase um ano depois de ter sofrido uma rotura do ligamento cruzado anterior e do menisco no joelho. E o poste Rui Palhares, colega de André Cruz nos «leões», estreou-se pela equipa principal na reta final do encontro em Coimbra.
Anthony da Silva, Gonçalo Delgado e Ricardo Monteiro integraram igualmente as convocatórias, depois de terem falhado o EuroBasket do ano passado, os primeiros dois por lesão e o último por opção técnica.
A matemática do apuramento
Com oito dos 12 jogos da fase de grupos disputados, Portugal ocupa o segundo lugar do Grupo B com um registo de 2-2, empatado em pontos com Montenegro e atrás da Grécia (3-1). As três primeiras equipas de cada grupo avançam para a segunda ronda, pelo que a posição de Portugal está confortável, mas ainda não garantida. Os «Linces» precisam apenas de vencer um dos dois jogos de julho para assegurar a passagem, independentemente de outros resultados.
Na segunda ronda de qualificação, os três apurados do Grupo B juntam-se aos três apurados do Grupo A num novo grupo de seis equipas, transportando consigo todos os resultados da primeira fase. O Grupo A é atualmente liderado por Geórgia e Espanha, ambas com registo perfeito de quatro vitórias e já matematicamente apuradas. A terceira vaga está em disputa entre a Ucrânia (1-3) e a Dinamarca (0-4).
Seja qual for o desfecho, Portugal encontraria na segunda ronda adversários de maior dimensão do que os que enfrenta atualmente, e os resultados desta fase já contariam para o ranking final do grupo.
Neemias, Prey, Queiroz na calha para julho
Os adversários em julho são Montenegro, em casa, e a Grécia, fora. Dois jogos que, do lado português, podem contar com reforços para o jogo interior que não estiveram disponíveis nesta janela.
O mais aguardado é Neemias Queta. O poste dos Boston Celtics vive a melhor fase da carreira e no domingo assinou a melhor exibição na NBA, ao somar 27 pontos e 17 ressaltos frente aos Philadelphia 76ers. O próprio selecionador não esconde o que a sua presença representaria.
«Não sequer sei se em julho vou ser o selecionador, pois haverá eleições na Federação Portuguesa de Basquetebol e o meu compromisso é com a atual direção, mas, seja com quem for, ter ou não ter Neemias é muito diferente.»
«Tudo dependerá de como a época (na NBA) correr. Penso que poderá ser possível, espero que sim. Com ele na equipa, as coisas são muito diferentes, até porque nenhuma seleção do mundo pode prescindir do seu melhor jogador.»
A isso juntam-se outras duas perspectivas animadoras: Rúben Prey, com a época ao serviço da universidade de St. John’s, na NCAA, concluída bem antes de julho, e o capitão Miguel Queiroz, do FC Porto, que tem estado de fora por lesão e deverá estar recuperado a tempo.
O que Montenegro e Grécia também poderão ter
Portugal não será o único a reforçar-se. A Grécia competiu nesta janela sem Giannis Antetokounmpo, Tyler Dorsey e Kostas Papanikolaou, todos presentes no EuroBasket, onde a seleção helénica conquistou a medalha de bronze. Também Kostas Sloukas, que não é convocado para as janelas de qualificação por estar em plena época na EuroLeague pelo Panathinaikos, nunca anunciou a reforma da seleção, pelo que a porta continua aberta. Se a Grécia chegar a julho com o plantel completo, será uma equipa substancialmente diferente da que Portugal enfrentou nesta fase.
Montenegro, por seu lado, perdeu Nikola Vučević, que se reformou da seleção em setembro passado, após o EuroBasket. A despedida foi anunciada antes do torneio e confirmada depois da eliminação na fase de grupos. O poste — colega de Neemias nos Boston Celtics — deixa um vazio difícil de preencher. Kyle Allman, ausente nesta janela, mantém-se uma opção para julho.
O equilíbrio de forças no Grupo B pode ser substancialmente diferente na reta final da primeira fase, o que torna a janela de julho mais exigente do que os resultados desta semana fazem supor.





