Rick Pitino promete titularidade a Rúben Prey em 2026-27
Português soma 10.6 minutos por jogo esta época mas terá "starting role" na próxima.
Rick Pitino prometeu publicamente que Rúben Prey será titular na próxima época. A declaração do treinador de St. John’s, feita após a recente vitória sobre Butler, oferece ao português de 19 anos e 2.08 metros algo que não teve até agora: a garantia de minutos.
«Rúben é o exemplo do jogador de equipa. Nunca se queixa dos minutos, mas podia jogar em praticamente qualquer equipa do país. No próximo ano vai ter o seu “starting role” pela primeira vez e vai jogar muito».
A promessa surge numa época em que o internacional português soma média de 10.6 minutos por jogo em 18 partidas, o que faz dele apenas o oitavo mais utilizado pelo lendário treinador esta temporada. E a utilização não aumentou ao longo da época: 12.5 minutos em novembro, 10.3 em dezembro, 10.2 em janeiro.
Paciência num frontcourt de veteranos
A utilização limitada de Prey em 2025-26 não é acidente. É consequência de St. John’s ter montado um frontcourt de veteranos para competir agora. Dillon Mitchell e Bryce Hopkins, extremos grandes recém-chegados à universidade nova-iorquina vindos do transfer portal, juntaram-se ao poste Zuby Ejiofor, estrela da equipa, para ocupar a maioria dos minutos do jogo interior. Sobra pouco espaço para desenvolvimento de um sophomore ainda em construção.
Pitino tem equipa para ganhar já. St. John’s está 13-5 no acumulado da época e 6-1 na conferência Big East, em zona de acesso ao tournament da NCAA. Com três seniors no frontcourt a produzirem no imediato, arriscar minutos de Prey é luxo que a classificação não permite.
Para o português, esta época torna-se exercício de paciência e trabalho. As médias de 4.0 pontos, 1.8 ressaltos e 1.0 assistências por jogo refletem um jogador que observa mais do que participa, que espera a vez que só chegará em 2026-27 quando Ejiofor, Mitchell e Hopkins saírem e o starting role prometido por Pitino se concretizar.
Sinais pontuais de resposta
Há, ainda assim, momentos que sugerem o potencial. O jogo contra Butler, a 6 de janeiro, foi o mais recente. St. John’s teve problemas de faltas no frontcourt e Pitino colocou Prey ao lado de Ejiofor pela primeira vez com minutos significativos. O resultado? 18 minutos em campo, 10 pontos em quatro de cinco lançamentos de campo, dois triplos convertidos, dois roubos de bola. O triplo sobre a buzina do intervalo, que empatou o encontro aos 42 pontos, deu aos Red Storm energia suficiente para dominar a segunda parte.
«A equipa sempre teve confiança em mim», disse Prey após o jogo. «Não é algo que aconteceu só hoje. Sinto-me confiante quando entro e sei que os meus colegas me apoiam.»
Foi o jogo mais completo de Prey esta época, mas continuou a ser exceção. Nos três encontros seguintes, a utilização não passou dos 13 minutos — num deles jogou apenas três. O pico contra Butler não se transformou em nova realidade. Transformou-se em exemplo do que pode fazer quando tem espaço, mas também em lembrete de que esse espaço só chegará de forma consistente em 2026-27.
Analistas pedem mais minutos
A resposta de Prey contra Butler não passou despercebida. A imprensa local e os analistas que acompanham St. John’s começaram a questionar a utilização residual. Vários pedem mais minutos com base nos números que produz quando joga.
O New York Post destacou após o jogo como a dupla Prey-Ejiofor funcionou taticamente, dando à equipa presença física no jogo interior que tinha sido inconsistente. Zach Braziller, que cobre a equipa para o jornal, escreveu que a combinação dos dois postes «pode tornar-se um lineup a que St. John's recorre mais vezes».
Kevin Connelly, no Rumble in the Garden, foi mais direto: «Rúben Prey não teve muitos momentos marcantes na sua curta passagem pelos Red Storm. O triplo decisivo contra Seton Hall que ajudou a selar o título da Big East na época passada pode ser o maior. Mas a sua melhoria constante tem sido extremamente notável.» Connelly destacou os 10 pontos, dois roubos e um ressalto contra Butler como prova de que Pitino «pensa muito bem dele».
O que dizem os números
O analista mais detalhado foi 100guaranteed, que publicou no Substack uma análise extensa sobre os lineups de St. John’s baseada em dados de jogos contra equipas do top-150. O artigo colocou Prey no top-40 nacional em RAPM, métrica que mede impacto ajustado a contexto de colegas e adversários. Mais importante: detalhou como o português aparecia sistematicamente nos melhores lineups da equipa apesar dos minutos limitados.
Entre os pares de jogadores com mais de 20 posses, Prey aparecia em três dos quatro com melhor net rating: Prey-Hopkins, Prey-Mitchell e Prey-Sellers tinham os três melhores net ratings da equipa. Entre os trios com volume significativo, Prey surgia em seis dos sete com melhor diferencial. O padrão era claro: quando Prey estava em campo, St. John’s era mais eficiente em ataque e defesa. Estar no top-40 com esta utilização sugere que o impacto por minuto é excecional.
Os números base sustentam a conclusão. Prey lidera o plantel em true shooting percentage (64.5%) e assist rate (20.6%), é segundo em block rate (5.2%) e steal rate (3.8%). A eficiência de campo subiu de 40.0% na época passada para 56.8% (25/44) esta temporada. A percentagem de triplos explodiu de 17.6% para 53.8%, embora com volume baixo (7/13).
O calendário até junho de 2027
Esta época serve de laboratório limitado, mas o plano está definido. Prey continuará a mostrar eficiência em minutos residuais, continuará a aparecer bem nas métricas de impacto, continuará a fazer trabalho invisível que não gera highlights. É showcase suficiente para manter viva a promessa de titularidade, mas insuficiente para responder às dúvidas sobre capacidade de produzir em volume.
Em 2026-27, com Ejiofor, Mitchell e Hopkins fora e a titularidade prometida por Pitino, Prey terá pela primeira vez na carreira universitária minutos assegurados e responsabilidade ofensiva real. Será, por isso, uma época decisiva para as suas ambições de seguir as pisadas de Neemias Queta e tornar-se no segundo português a chegar à NBA. Terá de provar que 56.8% de campo em 2.4 tentativas por jogo é transferível para oito ou 10 tentativas. Terá de transformar potencial em impacto mensurável.
Se o fizer, poderá tornar-se elegível para o draft da NBA em junho de 2027 com argumentos sólidos. A questão, agora, já não é se Rúben Prey terá minutos. É o que vai fazer com eles.






