VHS #7 | Nikola Vučević e a nova dimensão do ataque dos Celtics
Ao fim de três jogos, Nikola Vučević já mostra o que levou Brad Stevens a avançar para a troca e Joe Mazzulla já definiu a hierarquia no frontcourt.
Bastaram três jogos para perceber o que Nikola Vučević traz aos Boston Celtics. E bastou o terceiro para Joe Mazzulla definir a hierarquia que, provavelmente, vai vigorar até ao final da época: Neemias Queta titular, Vučević a sair do banco, Luka Garza como terceiro poste da rotação.
Depois de experimentar lineups de duplo big contra Miami Heat e New York Knicks, Mazzulla regressou frente aos Chicago Bulls ao modelo que marcou a temporada — quintetos com um único jogador grande. A mudança beneficiou os dois postes. Neemias, que vinha de duas exibições cinzentas, reencontrou o impacto que o tornou titular indiscutível desde o arranque da época. Vučević, contra a antiga equipa, assinou um duplo-duplo de 19 pontos e 11 ressaltos, com um box plus/minus de +26, o melhor registo dos Celtics nessa noite.
Quando se confirmou a troca, sublinhámos que a ameaça no tiro exterior acrescentaria uma dimensão nova ao ataque de Boston. É precisamente isso que o vídeo dos três primeiros jogos revela. Vučević não é um rim runner que corra a linha cesto-cesto com velocidade — costuma ser o último a chegar ao meio-campo ofensivo, oferecendo o triplo de frente para o cesto. E em 5x5, dá a Mazzulla uma opção de pick-and-pop que não existe com Neemias, para além de funcionar como spot up shooter num five-out, numa utilização que faz lembrar a de Kristaps Porziņģis nas últimas épocas.
A outra área que se esperava ver era o playmaking, tanto a partir do exterior como de posições interiores. Nestes primeiros jogos, ficou evidente como a combinação de técnica individual e visão de jogo de Vučević desbloqueia lançamentos abertos e cortes dos jogadores de perímetro.
Há, porém, uma diferença entre Vučević e Neemias que vai além do perfil técnico: estatuto. Quinze anos de carreira, mais de mil jogos e duas presenças no All-Star conferem ao montenegrino uma autoridade junto dos colegas que se traduz em gestos pequenos mas reveladores. Quando Vučević sela o defensor e pede a bola no interior, a bola chega-lhe. Sempre. Esbraceja, exige, posiciona-se e os companheiros respondem. Neemias ainda está a construir esse estatuto e, muitas vezes, opta pelo dunker spot, anulando-se como ameaça ofensiva.
A melhor jogada desta primeira amostra de Vučević em Boston ficou para o final. Com menos de dez segundos no relógio e Payton Pritchard em dificuldades para se libertar de Jose Alvarado, o poste sobe até à zona da linha de lance livre e pede a bola. Ao receber, e apesar da pressão do tempo, espera pelo corte de Derrick White. Quando Josh Hart — o seu defensor direto — se compromete ligeiramente com esse corte, Vučević mete um drible e, perante a ajuda de Karl-Anthony Towns, finaliza com um floater. Uma jogada que condensa leitura, paciência e skill.
Três jogos são uma amostra pequena e seria imprudente tirar conclusões definitivas. Mas aquilo que Vučević mostrou até agora — o tiro exterior, a visão de jogo, a capacidade de ler defesas e decidir sob pressão — encaixa no que os Celtics foram buscar. A hierarquia está definida, os papéis começam a desenhar-se. Neemias ancora a defesa, Vučević desbloqueia o ataque. Se Mazzulla tirar o melhor dos dois, Boston terá no frontcourt uma complementaridade que dá garantias de sucesso. E Jayson Tatum pode estar prestes a entrar na equação.



No entanto, se Neemias não se desinibir, e também selar e solicitar a bola para jogar o 1x1 a 1/2 metros do cesto pós pick-abd-roll, sem hesitações nomeadamente quando fica a ser defendido por jogadores com menos 20/30cm que ele, os 15mn por jogo vão descer para menos tempo.