Nikola Vučević reforça Boston Celtics e disputa minutos com Neemias Queta
Veterano montenegrino de 35 anos chega em troca de Anfernee Simons dois dias antes do trade deadline. Boston poupa 22 milhões em impostos e cria competição no jogo interior.
Os Boston Celtics concretizaram a troca que procuravam há meses. Segundo Shams Charania, da ESPN, o franchise de Massachusetts adquiriu o poste Nikola Vučević, proveniente dos Chicago Bulls, em troca do base/extremo Anfernee Simons. As equipas trocaram ainda escolhas de segunda ronda: Boston recebe a pick de 2027 dos Denver Nuggets, Chicago fica com a melhor entre as picks de 2026 dos Minnesota Timberwolves, New Orleans Pelicans, New York Knicks ou Portland Trail Blazers.
A troca acontece em vésperas do trade deadline de quinta-feira e resolve duas necessidades dos Celtics: reforça o frontcourt e reduz substancialmente a fatura fiscal. Vučević tem um contrato expiring de 21.5 milhões de dólares, comparado com os 27.7 milhões que Simons aufere. A poupança salarial de 6.1 milhões coloca Boston 5.9 milhões acima da linha do luxury tax e reduz a penalização fiscal de 39.5 milhões para 17.7 milhões — uma economia de cerca de 22 milhões.
Mas a troca tem implicações que vão além das finanças. Com a chegada do poste montenegrino de 35 anos, a rotação do frontcourt sofre a primeira reconfiguração significativa da época, e o principal afetado pode não ser Neemias Queta.
Contexto de uma troca anunciada
De acordo com Michael Scotto do HoopsHype, esta não foi a primeira tentativa dos Celtics para reforçar a posição de poste. No início de dezembro, quando os Los Angeles Clippers atravessavam uma crise com apenas seis vitórias em 27 jogos, Boston ofereceu Simons, uma escolha de primeira ronda e uma pick swap futura por Ivica Zubac mais contratos para equilibrar salários. A proposta não teve seguimento.
Os Bulls, por seu lado, já tinham oferecido Vučević aos Celtics no início da época. Queriam Simons e uma primeira ronda. Brad Stevens, presidente de operações de basquetebol, recusou. Agora, meses depois, aceitou o mesmo jogador por uma escolha de início de segunda ronda substancialmente pior — provavelmente a dos Pelicans.
A diferença no preço sugere que a urgência aumentou. Os Celtics estão 5.9 milhões acima do luxury tax e precisam de sair dessa linha este ano e no próximo para reiniciar o relógio do repeater tax, cujas penalizações se tornam progressivamente mais pesadas. Ao usar a trade exception de 22.5 milhões criada pela saída de Kristaps Porziņģis para absorver Vučević, Boston criou uma nova exceção de 27.7 milhões válida por um ano — um ativo valioso para movimentos futuros.
A troca também coloca os Celtics abaixo do first apron, o que remove restrições sobre contratações no mercado de buyout. Podem agora assinar qualquer jogador dispensado, independentemente do salário que auferia antes de ser libertado.
O que Vučević traz… e o que não traz
Nikola Vučević chega a Boston com credenciais sólidas. O poste de 2,06 metros disputou 48 dos 50 jogos dos Bulls esta época, registando médias de 16.9 pontos, 9.0 ressaltos e 3.8 assistências, com 50.5% de eficácia nos lançamentos de campo e 37.6% nos triplos (4.5 tentativas por jogo). É titular na NBA desde a época de estreia, em 2011-12, e acumulou duas convocatórias para o All-Star Game — a mais recente há cinco anos.
O veterano traz duas valências que faltam ao plantel: shooting fiável dos três pontos e playmaking. Nos últimos dois anos, converteu 38% dos triplos e tenta mais de cinco por jogo desde 2019-20. A capacidade de espaçar o campo permite que o treinador Joe Mazzulla incorpore jogadas de pick-and-pop que criam separação para Jaylen Brown, Derrick White e Payton Pritchard atacarem o aro. Vučević também pode operar como facilitador no topo dos três pontos, nos cotovelos da área restritiva ou a partir do jogo interior, onde a sua visão de jogo pode abrir linhas de passe.
Mas a adição levanta questões táticas. Vučević não é considerado um bom poste bloqueador — o seu talento em bloqueios diretos está no percentil 8, segundo o BBall Index, uma métrica crítica num sistema onde os screens são fundamentais para criar vantagens ofensivas. E do lado defensivo, permite 68.4% de conversão junto ao aro quando é o defensor primário, a pior marca da NBA entre postes com pelo menos 200 tentativas defendidas.
A comparação direta entre os dois postes evidencia o trade-off que Boston está a fazer: Neemias destaca-se pela proteção do aro e capacidade de bloqueio, enquanto Vučević traz capacidade de passe e espaçamento. São perfis opostos que servem propósitos diferentes — um ancora a defesa, o outro abre o ataque.
Quem realmente perde com esta troca
A chegada de Vučević coloca em causa não tanto o estatuto de Neemias Queta, mas sim o papel de Luka Garza na rotação. Ambos — Vučević e Garza — partilham o mesmo arquétipo: postes que espaçam o campo com shooting fiável mas apresentam limitações defensivas evidentes. A diferença está na experiência: Vučević tem 15 épocas na NBA, duas convocatórias para o All-Star Game, mais de mil partidas na fase regular e 16 jogos de playoffs. Garza, aos 27 anos, tem apenas 165 jogos de carreira.
Joe Mazzulla dificilmente levará Garza para a rotação de playoffs, o que significa que os 48 minutos da posição 5 se dividirão entre Vučević e Queta. Neemias joga atualmente 25 minutos por jogo — mesmo que perca a titularidade, manterá provavelmente mais de 20 minutos por partida, especialmente em jogos onde a defesa é prioritária. E tendo em conta que os Celtics têm o segundo melhor ataque da NBA (eficiência ofensiva de 120.6 pontos marcados por cada 100 posses de bola) mas estão em 11.º lugar em eficiência defensiva, o valor de Queta como âncora defensiva torna-se ainda mais crítico.
Até porque Vučević reconhece as suas limitações. Na manhã de terça-feira, horas antes da troca ser oficializada, disse ao The Athletic que aceitaria qualquer papel numa equipa com aspirações a título:
«Eu compreendo que o meu papel pode mudar. Posso ir para um papel menor numa equipa. Sair do banco, coisas assim. Estou bem com isso. Se decidirem ir buscar um tipo diferente de poste, porque acham que encaixa melhor com algumas das coisas que querem fazer, então é tudo normal, é decisão deles. O trabalho deles é construir a melhor equipa. Conheço algumas das limitações que tenho. Estou consciente delas.»
Mais movimentos podem estar para vir
Segundo o jornalista Brian Robb, do MassLive, fontes da liga indicam que os Celtics devem permanecer ativos no mercado mesmo após completar a troca por Vučević. Com Boston agora a apenas 5.9 milhões de ultrapassar o limiar da luxury tax, existe a possibilidade de movimentos adicionais antes do trade deadline de quinta-feira.
Chris Boucher continua a ser candidato provável a ser negociado, segundo as mesmas fontes. O veterano canadiano disputou apenas um jogo desde 23 de novembro e ficou de fora do jogo de terça-feira em Dallas por «razões pessoais» — um sinal possível de que uma troca pode estar iminente. No entanto, apenas libertar contratos mínimos não será suficiente para colocar Boston abaixo da linha fiscal. Um jogador com papel na rotação teria provavelmente de sair, ou o próprio Vučević poderia ser reencaminhado para outra equipa num negócio expandido.
O timing da troca e o regresso de Tatum
A natureza desta troca — trocar um marcador/facilitador de perímetro por um poste — pode sinalizar algo mais profundo sobre os planos internos dos Celtics. Vários analistas notaram que a movimentação faz mais sentido se Boston acredita no regresso de Jayson Tatum ainda esta época.
Simons tinha assumido responsabilidades ofensivas importantes no banco, mas o seu papel diminuiria significativamente com Tatum de volta. O extremo dos Celtics, ausente desde o início da época devido a uma ruptura do tendão de Aquiles nos playoffs da época passada, traria de volta a criação de jogo e o volume ofensivo que Simons proporcionava. Nesse cenário, Boston teria excesso de facilitadores e marcadores de perímetro, mas continuaria a precisar de profundidade no frontcourt.
A decisão de trocar Simons por um poste — em vez de o manter como sexto homem ou procurar outro tipo de reforço — sugere que internamente os Celtics podem estar mais confiantes no regresso de Tatum do que as suas declarações públicas têm indicado. Tatum expressou recentemente alguma hesitação sobre voltar esta época, mas as fontes da liga continuam a referir que o regresso é expectável quando estiver fisicamente preparado.
Mazzulla tem uma decisão a tomar
Al Horford, que deixou Boston no Verão passado para assinar pelos Golden State Warriors, assistiu de perto ao desenvolvimento de Queta nas últimas épocas e, em declarações ao Boston Herald, elogiou esta segunda-feira o gigante do Vale da Amoreira:
«Para mim, essa foi a maior surpresa. E não quero dizer isto de forma negativa. É de forma muito positiva. Mas é muita responsabilidade ser um poste titular, jogar esse tipo de minutos, tudo o que isso exige. O Neemy trabalhou muito na offseason, e eles perceberam isso. E ele tem sido realmente bom. Tem sido consistente. Tem ajudado a equipa a vencer.»
A chegada de Vučević coloca essa consistência em causa. Mazzulla não tem receio de mexer nas hierarquias — Hugo González, rookie de 20 anos, tem jogado minutos importantes esta época, e Amari Williams, poste com contrato two-way que não pode jogar nos playoffs a menos que o contrato seja convertido, fechou um jogo recente contra os Brooklyn Nets quando Queta e Garza foram excluídos por faltas.
Vučević pode estrear-se pelos Celtics na sexta-feira contra os Miami Heat, no TD Garden. A decisão de Mazzulla sobre a titularidade importa menos do que a gestão dos minutos ao longo da época e, sobretudo, nos playoffs. Queta tem a seu favor os números defensivos, o conhecimento do sistema e uma team option para a próxima época que Boston quase certamente vai accionar. Vučević traz experiência, versatilidade ofensiva e disponibilidade declarada para aceitar qualquer papel.
Garza, que tem sido uma das surpresas positivas da época com 7.7 pontos e 4.3 ressaltos em 16 minutos por jogo, parece ser o grande sacrificado. A não ser que Boston faça movimentos adicionais antes do deadline, o jovem poste de Iowa verá o seu papel reduzido drasticamente ou desaparecer por completo quando os jogos começarem a contar a sério.





