Rúben Prey volta a ser apontado ao draft da NBA
Se cumprir a titularidade que Rick Pitino lhe prometeu, o extremo-poste de 2.08 metros terá pela primeira vez o volume necessário para sustentar os indicadores que já produz.
Rúben Prey voltou a ser discutido como candidato ao draft da NBA. Aconteceu esta quarta-feira, num stream do página No Ceilings, e a avaliação partiu de Corey Tulaba, analista da publicação:
«Se conseguir manter isto ao longo do terceiro ano, com aquele tamanho, porque faz um pouco de tudo, é um jogador que consigo ver facilmente equipas a apontar no final da primeira ronda, princípio da segunda. E, nesse caso, talvez volte para a universidade e fique com o valor de NIL.»
É a primeira vez desde que deixou o Joventut Badalona que o nome do extremo-poste português regressa a este tipo de conversa. O segmento durou cerca de cinco minutos e os dois analistas presentes enumeraram tanto os indicadores que o favorecem como as limitações que lhe reconhecem.
Quem trouxe o caso foi Albert Ghim, que chegou a Prey enquanto trabalhava na base de candidatos do simulador de mock draft do site. O nome saiu-lhe dos números antes de ter ido ver o vídeo, e fez questão de enquadrar as suas próprias credenciais no assunto:
«Quero deixar isto claro logo à partida: não é bem a minha praia. Procurar sleepers, entrar na análise de dados e nas estatísticas. Sinto-me um bocado a entrar em águas desconhecidas.»
Os números
A folha estatística não explica o interesse. Em 2025/26, Prey somou médias de 4.3 pontos e 2.1 ressaltos em 10.7 minutos, ao longo dos 37 encontros de St. John’s, com uma única titularidade.
As métricas avançadas contam outra coisa. O PER (Player Efficiency Rating) de 19.6 é um valor que poucos jogadores com aquele tempo de utilização atingem. Ghim citou ainda um BPM (Box Plus/Minus) de 9.2 e uma taxa de desarmes de lançamento de 6.6%. Projetados para 40 minutos, os registos do português dão cerca de 16 pontos, oito ressaltos, três assistências e três desarmes.
Tulaba estendeu a série ao primeiro ano. A taxa de desarmes tinha sido de 5.1% em 2024/25, o que retira o argumento do acaso. Nos roubos de bola, 2.9% como caloiro e 2.3% no segundo ano:
«Percentagem de roubos acima de dois. Ele consegue defender no perímetro, tem mãos rápidas. Mas também consegue proteger o cesto.»
Somou-lhe dez por cento em ressalto ofensivo, ressalto defensivo e assistências, combinação pouco comum num interior. O lançamento exterior é o dado mais visível e o mais frágil, por falta de volume: Prey liderou o plantel com 62.5% de três pontos, 15 em 24 tentativas. No ano anterior tinha convertido três em 17.
As limitações
Nenhum dos analistas apresentou os números como conclusivos. Ghim descreveu o perfil que projeta sem lhe acrescentar margem:
«A ideia com o Prey é que é um cinco que protege o cesto e que vai ressaltar a alto nível. E, no ataque, dá-te alguma coisa por dentro, não muito. Acho o jogo ofensivo dele bastante limitado. Mas como bloqueador, como finalizador, como alguém que sai para fora e te acerta alguns triplos ao longo da época.»
E antecipou a leitura mais fácil dos 62.5%, antes de formular aquilo que é, no fundo, a tese do segmento:
«Com mais volume, posso garantir-te que não vai ser um lançador de 62% de fora. No entanto, se for um lançador de 35% com aquela altura, e for a tua referência nos bloqueios diretos, e ainda te der coisas junto ao cesto... Não estou a dizer que o Rúben Prey vai ser uma estrela. O que estou a dizer é que pode ser interessante.»
A amostra é a principal fragilidade. Prey acumulou cerca de 650 minutos em duas épocas e 24 tentativas de três pontos numa época inteira.
A oportunidade
A oportunidade resultou de sucessivas saídas. Zuby Ejiofor, que tapou o caminho a Prey desde a chegada do português, e Bryce Hopkins e Dillon Mitchell, que se juntaram a ele em 2025/26 vindos do transfer portal, esgotaram a elegibilidade universitária em março. Ejiofor foi escolhido no 23.º lugar do draft deste ano, pelos Atlanta Hawks, Mitchell no 40.º, pelos Boston Celtics, e Hopkins no 49.º, pelos Denver Nuggets — a primeira vez desde 1983 que a universidade coloca três jogadores no mesmo draft.
O substituto contratado para o lugar não era Prey. Era Donnie Freeman, extremo-poste chegado de Syracuse com 16.5 pontos de média na época anterior. A 1 de julho, Rick Pitino anunciou que Freeman rompera o tendão de Aquiles num treino, sem contacto, e que falharia toda a época depois de operado.
Pitino já apontara Prey ao cinco inicial, com a ressalva de que os treinos de verão poderiam alterar o cenário. A lesão de Freeman reduziu o alcance dessa ressalva.
O outro prospect
O maior candidato ao draft de 2027 de St. John’s é Tounde Yessoufou, 14.º classificado do ranking nacional do secundário em 2025, listado como escolha de primeira ronda no mock draft de 2027 de Jonathan Wasserman, no Bleacher Report. O cinco projetado para 2026/27 junta Quinn Ellis, Ian Jackson, Yessoufou, Babacar Sane e Prey. Quatro dos cinco chegaram nos últimos meses.
Enquanto jogava no Joventut Badalona, Prey constava das fichas dos sites especializados, e Ghim recordou a atenção que Mike Schmitz, ex-analista da ESPN e atual general manager dos Dallas Mavericks, lhe dedicava nos tempos das provas FIBA. A entrada na NCAA retirou-lhe minutos e protagonismo. Mas Ghim valorizou precisamente a permanência na universidade nova-iorquina, num contexto em que o transfer portal dissolve plantéis todos os anos:
«Gosto da continuidade de ele passar agora o terceiro ano em St. John’s. Está à vontade ali, e provavelmente cresceu em estatuto e em confiança junto daquela equipa técnica.»
Tulaba encerrou o segmento com uma avaliação que resume a natureza do caso:
«Parece um bocado pouco ortodoxo e estranho às vezes, mas dá sempre a sensação de estar a ter impacto.»
Janela FIBA de agosto
Antes disso, há compromissos imediatos. Prey integra a convocatória de Mário Gomes para a segunda fase de qualificação para o Mundial de 2027, depois de ter falhado a janela de julho com uma lesão num antebraço.
Portugal visita a Espanha a 28 de agosto, às 20h00, no Pavilhão Príncipe Felipe, em Saragoça, e recebe a Geórgia a 31, às 19h00, no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos. Ambos os jogos têm transmissão na RTP2.




