Mário Gomes confirma negociações de Neemias Queta com os Boston Celtics
Poste de 26 anos e 2.13 metros falha os jogos com Montenegro e a Grécia, com o futuro em Boston por decidir e a «team option» ainda em aberto.
A convocatória da Seleção Nacional para a janela FIBA de julho está fechada, e a lista dos 14 nomes confirma a ausência mais esperada: Neemias Queta. O poste dos Boston Celtics, de 26 anos e 2.13 metros, falha os jogos com Montenegro e a Grécia por se encontrar, nas palavras de Mário Gomes, «em processo negocial» do seu contrato com o franchise — um processo que, garante o selecionador, não se resolve a tempo da janela. «O Neemias sempre quis e continua a querer vir à Seleção», fez questão de sublinhar, deixando claro que a ausência nada tem de técnico. E abre um verão em que praticamente todo o basquetebol português entra em campo, menos o seu nome mais sonante.
O contrato que condiciona tudo
Neemias constava dos pré-convocados e, de regresso a Portugal desde a eliminação dos Celtics na primeira ronda dos playoffs, chegou a manifestar publicamente vontade de competir pela Seleção. A situação contratual, porém, alterou o quadro.
A explicação concentra-se no final de junho e início de julho. Como detalhámos em maio, é nessas semanas que se acumulam as decisões que definem o futuro imediato do poste: o prazo para os Celtics exercerem a team option de 2.7 milhões de dólares que o garante em 2026-27, a eventual extensão de contrato que pode chegar, no máximo, a quatro anos e 93 milhões, a abertura da free agency e, por cima de tudo, o dossier Giannis Antetokounmpo. Comprometer-se com a Seleção enquanto tudo isto está em aberto seria assumir um risco — uma lesão na janela, por exemplo — que nem o jogador nem o franchise querem correr, e que Mário Gomes, depois de reunir com o agente de Neemias, diz compreender por inteiro.
O que o selecionador confirmou é que existe, de facto, uma negociação em curso, e não apenas uma decisão à espera de carimbo. Exercer a team option é um gesto unilateral dos Celtics, que não depende de conversas com o jogador; o que se negoceia é o contrato que vem a seguir. Fica, por isso, uma dúvida em aberto: se Boston exerce a opção e estende o vínculo a partir de 2027-28, ou se a declina para assinar já um contrato novo e mais longo.
Por todas as medidas, Neemias é um poste subavaliado: fechou a melhor época da carreira na NBA — 76 jogos, 75 como titular, com médias de 10.2 pontos e 8.4 ressaltos — a ganhar uma fração do que vale. A análise mais atual inclina-se para a via de declinar a opção e renovar por mais tempo. É a leitura de John Hollinger, no The Athletic, que avalia o poste português em pelo menos 16.3 milhões de dólares por época:
«Queta provou ser um poste titular viável e vale vários múltiplos do seu salário de 2.67 milhões de dólares, mas os Celtics têm um incentivo para declinar a opção se conseguirem que ele renove por um contrato mais longo em bons termos. [...] Pode haver um ponto de equilíbrio à volta dos quatro anos e 65 a 70 milhões de dólares que deixe Boston satisfeita em ambas as frentes.»
Para além de tudo isto está uma equipa que, ao mesmo tempo, procura reforçar o interior. Na conferência de fecho de época, Brad Stevens foi claro: «Uma das coisas que temos de descobrir é como ter mais impacto no aro. E acho que precisamos de reforçar a equipa para isso.» E é sobre esse mesmo frontcourt, onde Neemias se afirmou como titular, que paira o nome de Giannis Antetokounmpo.
Dois interiores a menos
Neemias não é, porém, a única baixa no jogo interior. Como noticiámos há duas semanas, Rúben Prey, o extremo-poste de 21 anos e 2.08 metros de St. John’s, falha igualmente a janela, lesionado num antebraço — uma ausência que a Federação Portuguesa de Basquetebol, ao contrário do que fez com Neemias, optou por não justificar publicamente. O contexto ajuda a explicar a reserva: no ano passado, foi a própria universidade norte-americana a vetar a presença de Prey no EuroBasket 2025. Se estiver disponível, será um bónus.
A terceira baixa de peso é Diogo Gameiro. O base do Benfica, presente no último EuroBasket ao lado de Neemias, não reúne, nas palavras de Mário Gomes, «condições físicas e clínicas para dar o contributo normal à Seleção» — uma decisão tomada com o departamento clínico e, garante o selecionador, no interesse do jogador.
Sem Queta, Prey e Gameiro, Portugal apresenta-se com 14 jogadores, assentes num núcleo doméstico de Sporting, FC Porto, SC Braga e Benfica e num contingente repartido por Espanha e França. O objetivo é simples e está ao alcance: basta uma vitória, frente a Montenegro ou à Grécia, para assegurar a passagem à segunda fase do apuramento para o Campeonato do Mundo de 2027, no Qatar. A 2 de julho, os Linces recebem Montenegro no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos, às 19 horas, pela segunda vez esta época, agora em casa; a 5, jogam em Atenas, frente a uma Grécia que encerra a primeira fase. Antes, há um particular de preparação com a Suíça, a 26 de junho, também em Matosinhos.
Para a dupla que o país há muito espera ver no pintado, o reencontro fica adiado. Neemias e Prey nunca alinharam juntos pela Seleção principal: os dois únicos jogos de Prey foram em fevereiro de 2024, sem Neemias, e o EuroBasket 2025 reuniu um e deixou o outro de fora. A próxima — e, neste ciclo, única — oportunidade real é a segunda fase de qualificação, de 27 a 31 de agosto, e ainda assim sujeita a condições: que Portugal se apure, que Prey recupere e que St. John’s o liberte. As janelas seguintes, em novembro e em fevereiro/março, caem em plena época da NBA e da NCAA.
No feminino, um ciclo que se fecha
Enquanto a Seleção masculina prepara a janela, a sénior feminina entra no verão sem selecionador. Ricardo Vasconcelos cessou funções para, de acordo com o comunicado da FPB, «abraçar um novo desafio» profissional. A saída abre um novo ciclo no banco da equipa das quinas, cuja liderança a federação afirma que comunicará em breve.
Seleções jovens em andamento
É nos escalões de formação, no entanto, que o verão das seleções já está em marcha. As seis seleções jovens com Campeonato da Europa este ano — Sub-16, Sub-18 e Sub-20, masculinos e femininos — competem todas na Divisão B, e os primeiros estágios arrancaram este mês.
O calendário dos Europeus estende-se de julho a agosto. Abrem as Sub-20 femininas, em Samokov, na Bulgária, de 4 a 12 de julho, seguidos dos Sub-20 masculinos, em Bratislava, na Eslováquia, de 10 a 19. Em finais de julho entram os Sub-18 — os masculinos de Philippe da Silva em Rijeka e Opatija, na Croácia (24 de julho a 2 de agosto), e os femininos de Agostinho Pinto em Tulcea, na Roménia (31 de julho a 9 de agosto). Fecham os Sub-16: os masculinos de André Cardoso em Gevgelija e Skopje, na Macedónia do Norte (6 a 15 de agosto), e os femininos de Mariyana Kostourkova na Cidade do Luxemburgo (17 a 22 de agosto).



