🏀 “Destino: Riga” – Resistir ao gigante
Portugal discutiu o jogo com a Sérvia, obrigou Nikola Jokić a decidir e saiu da Arena de Riga com respeito redobrado. O caminho para os «oitavos» continua já este sábado, frente à Turquia.
“Destino: Riga” é o diário de bordo da seleção portuguesa rumo ao EuroBasket 2025: treinos, jogos e bastidores, sempre com olhos postos também no que acontece nas outras seleções. No final de cada edição, telegramas curtos com os principais destaques da atualidade. A missão é clara: contar tudo sobre o EuroBasket 2025.
🇵🇹 Portugal caiu de pé frente à Sérvia
Portugal perdeu com a Sérvia por 80-69, mas voltou a provar em Riga que tem estofo para discutir jogos com as maiores potências do basquetebol europeu. Frente à segunda equipa do ranking mundial da FIBA, os “Linces” exibiram identidade, coragem e intensidade defensiva, apesar das dificuldades em travar o génio de Nikola Jokić.
O arranque ficou marcado pela expulsão de Filip Petrušev, após agressão a Diogo Brito, e pela entrada desconcentrada da Sérvia. Portugal aproveitou para impor a sua marca: defesa agressiva, nove roubos de bola só na primeira parte e muita energia a incomodar o ataque sérvio. Do outro lado, Brito (22 PTS, 9 REB, 2 AST, 2 STL) respondeu ao apagão da estreia com um grande jogo, Travante Williams (15 PTS, 4 REB, 2 AST, 5 STL, 1 BLK) voltou a brilhar, e Diogo Ventura (11 PTS, 3 AST, 1 STL) trouxe energia vinda do banco.
Quando o resultado estava em 37-33, depois de um cesto de Neemias Queta, Jokić decidiu. O tricampeão MVP da NBA somou 13 pontos seguidos, explorando todos os seus recursos ofensivos. A Sérvia disparou para 50-35 e passou a gerir a vantagem até final, com Jokić a encerrar a noite em 23 pontos, 10 ressaltos e 35 de eficiência em apenas 23 minutos. Nikola Jović juntou-lhe 18 pontos sem falhar lançamentos e Ognjen Dobrić apareceu no minuto decisivo para selar o triunfo.
Portugal sentiu dificuldades em envolver Queta no ataque: o poste dos Boston Celtics ficou limitado a seis pontos, 2 ressaltos, 2 assistências e 2 desarmes de lançamento, bem controlado pelo plano de jogo sérvio, que negou recepções perto do cesto e forçou os lusos a encontrar alternativas. Ainda assim, a Seleção acreditou até ao fim e reduziu a diferença para sete pontos (74-67) já dentro dos últimos dois minutos, com um triplo de Brito assistido por Neemias.
As estatísticas mostram que a diferença esteve na eficácia de dois pontos (38,9% para Portugal contra 54,6% da Sérvia) e nos ressaltos (34 vs. 44). Ainda assim, a equipa de Mário Gomes forçou 15 turnovers e voltou a demonstrar agressividade defensiva no limite, complicando a vida aos principais favoritos ao título europeu.
Para a Seleção Nacional, a derrota não apaga o essencial: competiu de igual para igual durante longos períodos e mostrou que pode incomodar qualquer adversário. Segue-se agora a Turquia de Alperen Şengün, este sábado, em mais um teste de fogo no caminho para o sonho dos oitavos-de-final.
Diogo Brito: “O importante é que competimos”
Melhor marcador de Portugal frente à Sérvia, Diogo Brito saiu satisfeito com a atitude do grupo, mas consciente dos erros que ditaram o desfecho. O extremo sublinhou a evolução da equipa face ao jogo de estreia e garantiu que a mentalidade não muda: jogar sem medo contra qualquer adversário.
“A equipa está satisfeita com a atitude que tivemos e com a forma como jogámos. Sabíamos que íamos defrontar uma equipa muito forte, mas precisávamos da mesma atitude que tivemos na estreia e precisamos de continuar assim nos próximos jogos. Fizemos alguns erros, especialmente no segundo período, e no fim cometemos falhas que a Sérvia aproveitou para chegar aos 11 pontos de diferença. Mas o importante é que competimos, que mostrámos que conseguimos jogar contra a Sérvia. Agora é pensar no que vem aí. Temos de continuar com a mesma mentalidade.”
“O que mudou em termos individuais? Talvez só as bolas terem entrado hoje e não no outro dia. A atitude é a mesma, a confiança é a mesma, a tranquilidade é a mesma. Eu treino todos os dias, sei que sou capaz de marcar. Se estiver sozinho, vou continuar a lançar, entrem ou não. Pouco tempo de descanso? É assim este torneio: cinco jogos em oito dias. Preparámo-nos fisicamente para isto e vamos dar sempre o máximo.”
“É verdade que fiz um bloqueio defensivo muito duro sobre ele (Filip Petrušev), mas acho que continua a ser uma jogada de basquetebol. A reação dele foi de cabeça quente, deu-me um soco na barriga. Lamento que tenha sido expulso, mas foi decisão dos árbitros e não há muito que eu possa fazer em relação a isso.”
Mário Gomes: “Estou muito feliz com a equipa”
O selecionador nacional reconheceu a diferença de poderio entre as duas equipas, mas destacou a forma como Portugal competiu contra uma das melhores seleções do planeta. Mário Gomes mostrou-se orgulhoso da resposta dos seus jogadores e deixou claro que o desafio agora é repetir esta postura em cada jogo.
“Mostrámos a capacidade de competir contra a melhor equipa da Europa e a segunda melhor equipa do mundo. Estou triste porque perdemos. Quando perdemos, não podemos estar assim tão felizes. No entanto, a Sérvia é a Sérvia, e Portugal é Portugal. O que precisamos tirar deste jogo é que podemos jogar neste nível e competir contra qualquer equipa. Podíamos ter feito melhor em alguns aspetos, especialmente no aproveitamento dos lançamentos de dois pontos. No fim, como resumo, estou muito feliz com a equipa.”
“Neste jogo, o Neemias não tinha a vantagem física. Eles defenderam-no muito bem, preparam bem como o defender e ele não esteve nos seus melhores dias. Ainda assim, tivemos a oportunidade de o alimentarmos no jogo interior e não o fizemos tanto como podíamos. Também tivemos que o gerir, ele ainda não está totalmente recuperado da lesão no joelho. Foi uma mistura de todos os fatores.”
“O nosso pensamento é sempre o mesmo: primeiro temos de cuidar daquilo que depende de nós, preparar-nos bem para competir ao mais alto nível. Se conseguimos competir a esse nível, podemos ganhar. Mas estou muito satisfeito pela forma como a equipa competiu. Sei que isto é o que temos de fazer sempre.”
Selecionador sérvio insatisfeito
Do lado sérvio, o selecionador Svetislav Pešić não escondeu a insatisfação com a exibição da sua equipa, admitindo falta de concentração e intensidade.
Se não tivermos foco suficiente, não podemos jogar o nosso jogo. Não estivemos prontos para jogar esta noite. Talvez seja muito cedo para falar já sobre o próximo jogo com a Letónia, mas espero que esta seja a última vez que jogamos desta forma. Isto não é uma seleção nacional. Uma seleção nacional não pode apresentar-se assim. A nossa atitude hoje foi um grande contraste em relação ao primeiro jogo, frente à Estónia. Claro que é difícil, claro que há grandes expectativas. Não podemos esperar jogar sempre como nos particulares ou contra adversários menos exigentes. O mais importante não é apenas ganhar, é mostrar evolução de jogo para jogo. Respeitamos todos os adversários, mas temos de ter um respeito especial por nós próprios.
Já o extremo Marko Gudurić aproveitou para dar mérito a Portugal, sublinhando a forma como a seleção lusa complicou a vida à #2 do ranking mundial da FIBA.
“Só quero dar crédito à seleção de Portugal. Jogaram um jogo muito duro, muito físico, estavam bem preparados. Mas, do nosso lado, temos de ser melhores e estaremos prontos para os próximos jogos.”
🇱🇻 Porziņģis salva a Letónia num clássico báltico
Foi preciso um herói para evitar a tragédia em Riga, e esse herói chamou-se Kristaps Porziņģis. Perante 10.291 adeptos que dividiram a bancada ao meio entre azul e grená, a Estónia chegou a ter 12 pontos de vantagem e parecia encaminhada para um triunfo histórico, mas o poste dos Atlanta Hawks tomou conta do jogo na reta final. Porziņģis terminou com 26 pontos, 7 ressaltos e 2 desarmes, incluindo oito dos nove pontos letões no último quarto, período em que os estónios estiveram mais de dez minutos sem marcar.
A Estónia, combativa até ao limite, pagou caro a ineficácia da linha de lance livre (18/25) e a incapacidade de travar Porziņģis no interior, mesmo depois da lesão de Siim-Sander Vene ainda antes do intervalo. Com a vitória por 72-70, a Letónia sobe para 1-1 no Grupo A e prepara-se para enfrentar a Sérvia, enquanto a Estónia desce para 0-2 e mede forças com a Chéquia num duelo entre vizinhos feridos.
🇹🇷 Sengün a um passe da história na vitória da Turquia
Alperen Şengün voltou a ser dominante em Riga e ficou a uma assistência de assinar apenas o quinto triplo-duplo da história do EuroBasket. O poste dos Houston Rockets terminou com 23 pontos, 12 ressaltos e 9 assistências, somando 40 de valorização — o máximo da sua carreira internacional — e liderando a Turquia ao triunfo por 92-78 sobre a Chéquia.
O encontro deixou ainda duas más notícias para Ergin Ataman: Kenan Sipahi saiu nos instantes finais com uma lesão na perna e Sehmus Hazer abandonou na primeira parte com entorse no tornozelo, ambos em dúvida para o duelo de sábado contra Portugal. No rescaldo, Şengün desvalorizou o triplo-duplo falhado — “não é grande coisa, vou ter outras oportunidades” — e o treinador confessou que nem sabia da estatística: “Se alguém me tivesse dito, até pedia desconto de tempo para desenhar a jogada”.
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🇫🇮 Markkanen incendeia Tampere com 43 pontos
Foi o Lauri Markkanen show na Deck Arena, em Tampere, diante de 12.900 adeptos. O poste dos Utah Jazz somou o seu segundo jogo de 40+ pontos em fases finais do EuroBasket, terminando com 43 pontos (13/22 FG, 7/13 3PT), 4 roubos de bola e uma exibição arrasadora na vitória da Finlândia por 109-79 sobre a Grã-Bretanha. Markkanen já tinha 29 pontos ao intervalo e fechou a noite com o público do WolfPack rendido. A Finlândia soma assim o 2-0 no Grupo B e prepara-se agora para defrontar o Montenegro.
🇬🇪 Geórgia surpreende campeã Espanha
Primeiro jogo, primeira bomba em Limassol: a Geórgia derrotou a campeã em título Espanha por 83-69, depois de ter perdido todos os seis particulares de preparação. Sandro Mamukelashvili foi a figura maior, com 19 pontos, 7 ressaltos e 6 assistências, tornando-se apenas o segundo georgiano a assinar um jogo 15/5/5 num EuroBasket (depois de Tornike Shengelia). A equipa de Aleksandar Džikić dominou os ressaltos (46-29, com 16 ofensivos) e resistiu à reação espanhola no quarto período. Para os espanhóis, foi a primeira derrota de estreia desde 1983 frente a um adversário que não fosse jugoslavo.
🇬🇷 Giannis arrasa na estreia grega
A Grécia abriu o EuroBasket com triunfo por 75-66 sobre a Itália em Limassol, impulsionada por uma exibição dominante de Giannis Antetokounmpo: 31 pontos, 7 ressaltos e um afundanço decisivo nos últimos segundos. Perante 7 mil adeptos maioritariamente gregos, a equipa de Dimitris Itoudis controlou o jogo pela defesa (26% de eficácia italiana de três pontos) e limitou Simone Fontecchio a apenas 4 pontos em 34 minutos. Do outro lado, a seleção transalpina ainda encurtou distâncias no quarto período, mas não conseguiu travar a intensidade helénica.
🇫🇷 França estreia-se a dominar
Vice-campeã em 2022, a França entrou a todo o gás no EuroBasket e derrotou a Bélgica por claros 92-64, em Katowice. O coletivo de Frédéric Fauthoux mostrou profundidade e equilíbrio: os 12 jogadores marcaram pontos e quatro terminaram em duplos dígitos, com Bilal Coulibaly a destacar-se (12 pontos, 6 ressaltos e dois desarmes consecutivos a Ismaël Bako). A Bélgica nunca conseguiu contrariar a intensidade francesa, sobretudo no jogo interior (38-20 em pontos na área pintada.
🇵🇱 Estreia de sonho para a Polónia
Em Katowice, a Polónia abriu o EuroBasket com uma vitória de gala diante de 9.337 adeptos: 105-95 à Eslovénia. Nem os 34 pontos e 9 assistências de Luka Dončić chegaram para estragar a festa. Jordan Loyd brilhou na estreia, com 32 pontos e 7 triplos, e Mateusz Ponitka voltou a assinar uma exibição inspirada contra os eslovenos, com 23 pontos e 7 ressaltos. O parcial de 15-3 a abrir a segunda parte deu o tom para um triunfo histórico, 16 anos depois da última vitória polaca em solo nacional numa fase final.
🇱🇹 Lituânia bate recorde de assistências
A seleção báltica soma e segue no EuroBasket. Depois de abrir a competição com um máximo histórico de ressaltos (57 frente à Grã-Bretanha), a Lituânia voltou a entrar no livro de recordes: 35 assistências na vitória por 94-63 sobre o Montenegro, a marca mais alta desde que a estatística é registada (1995). Rokas Jokubaitis brilhou com 12 passes decisivos e um duplo-duplo, símbolo perfeito de uma equipa que joga sempre em modo coletivo.
Excelente esforço coletivo neste jogo. Se Portugal tivesse aproveitado os contra ataques com vantagem numérica tinha tornado isto ainda mais interessante, muitas decisões precipitadas