🏀 “Destino: Riga” – Neemias Queta em discurso direto
Poste português fala do rótulo de “Cinderella story” atribuído pela FIBA, do reconhecimento da ESPN e da importância do torneio como laboratório antes de regressar à NBA.
“Destino: Riga” é o diário de bordo da seleção portuguesa rumo ao EuroBasket 2025: treinos, decisões, jogos de preparação e muito mais, sempre com olhos atentos ao que se passa nas outras seleções. No final de cada edição, telegramas curtos com os principais destaques da atualidade. A missão é clara: contar tudo sobre o EuroBasket 2025.
🇵🇹 Neemias Queta: “Temos de jogar como se estivéssemos sempre entre a espada e a parede”
À beira da estreia no EuroBasket 2025, Neemias Queta sentou-se com o Borracha Laranja para uma entrevista exclusiva. O poste dos Boston Celtics fala sem rodeios do momento histórico que Portugal vive, da etiqueta de “Cinderella story” colada pela FIBA, do reconhecimento internacional e da importância deste campeonato como laboratório para a próxima época em Boston. O gigante do Vale da Amoreira explica como encara o desafio de defrontar três dos melhores postes do mundo em noites consecutivas, sem nunca perder de vista a simplicidade da missão da equipa das quinas: competir com os pés bem assentes na terra.
Preparado para o EuroBasket 2025?
Diria que sim. Já ansiava por isto há muito tempo: termos a oportunidade de jogar pela Seleção todos juntos, com o grupo completo, e competir ao mais alto nível contra os melhores da Europa. Chega no momento certo e pode ser o culminar perfeito para fazermos uma boa campanha.
A FIBA escreveu que Portugal pode ser a “Cinderella story” do torneio. Concordas?
Temos uma equipa competitiva e, em teoria, pode dizer-se que sim, mas não olhamos para isso dessa forma. É jogo a jogo, com a mentalidade de entrar para ganhar e competir minuto a minuto. Não podemos dar abébias. Se não somos favoritos, temos de jogar como se estivéssemos sempre entre a espada e a parede. Essa atitude beneficia-nos mais do que pensar na “história de Cinderela”.
A ESPN colocou-te em 10.º lugar da lista dos melhores jogadores da NBA presentes no EuroBasket. Há cerca de 30 atletas da liga no torneio. Como recebeste esse destaque?
São opiniões que não me tiram o sono. Trabalho todos os dias para ser o melhor jogador que consigo ser. É bom ter reconhecimento, mas não é isso que me traz felicidade. O que me faz feliz é trabalhar com os meus colegas e ganhar jogos com a minha seleção. Nunca vai haver unanimidade; cada um tem a sua opinião e temos que respeitar.
Disseste à imprensa de Boston que houve momentos em que nem sabias se ias conseguir manter-te na NBA. Estar agora nesse top-10 aquece o coração?
Sim, porque não é algo que aconteça de repente. Vem de muito trabalho e dedicação. Com o passar dos anos, ganhas estabilidade e respeito. Mas isso não muda a minha maneira de pensar nem o modo como ajo no dia a dia. É bom ser reconhecido, claro, mas não me preocupo muito com isso.
És o único jogador dos Celtics presente neste EuroBasket. Joe Mazzulla vai aparecer em Riga?
Já falámos sobre isso, mas ele não me confirmou se vem. Não me surpreenderia se aparecesse, porque é pessoa de fazer essas coisas. Se não vier, sei que haverá dirigentes presentes. E, mesmo não estando fisicamente, tem-me apoiado: manda mensagens quase todos os dias a perguntar como está a correr. Temos uma excelente relação.
Em Boston fala-se cada vez mais da possibilidade de seres titular, depois do que aconteceu na offseason dos Celtics. Este EuroBasket pode funcionar como um laboratório? Vais enfrentar Nikola Jokić, Alperen Şengün e Kristaps Porziņģis em jogos consecutivos.
É bastante semelhante em termos de quantidade de jogos em tão pouco tempo e a qualidade dos adversários é elevadíssima. Vou jogar muitos minutos. É um bom teste para medir forças com alguns dos melhores postes do mundo e chegar à época com um ritmo mais elevado do que teria só a treinar no verão. Também é uma boa altura para me sentir bem em relação ao joelho e tirar quaisquer dúvidas que pudessem existir na minha mente.
O que seria, para ti, um EuroBasket de sucesso?
Não se pode fazer um balanço antes de jogar. Podemos imaginar tudo, desde ganhar o Europeu a sair na fase de grupos, mas depende da forma como entramos e como tudo acaba. Queremos ir o mais longe possível, mas sabemos que é uma tarefa complicada. Temos de ter os pés bem assentes na terra e ir jogo a jogo: nada nos será dado, temos de tirar tudo a quem estiver pela frente.
🎙️ Miguel Queiroz: “Não queremos esperar mais 14 anos para voltar”
Na conferência de imprensa oficial em Riga, o capitão Miguel Queiroz e o selecionador Mário Gomes projetaram a estreia no EuroBasket, sublinhando a ambição portuguesa de transformar esta participação em algo recorrente e de competir sem receios frente à elite europeia.
Capitão de longa data da Seleção, Queiroz não escondeu a ambição de transformar a presença no EuroBasket num hábito e não numa exceção.
“É muito importante para nós estarmos no EuroBasket. Para o basquetebol português, é fundamental sermos mais competentes e tornar esta presença habitual. Queremos jogar mais Europeus e não esperar outros 14 anos para aqui voltar. Trabalhamos para melhorar o basquetebol em Portugal e queremos que este tipo de competição se torne comum.
Sabemos que cada vitória torna o próximo jogo mais difícil. Essa é a vida no desporto de alto nível. Mas queremos essa batalha, estamos preparados para ela. Fizemos uma boa preparação e estamos em condições de ganhar jogos e avançar.”
Com décadas ligadas ao basquetebol português, Mário Gomes frisou o valor de estar no palco principal como selecionador e de se cruzar com alguns melhores treinadores da Europa.
“Já estive em Europeus e Mundiais, mas como treinador adjunto. Agora, como selecionador principal, é a primeira vez. Vamos enfrentar alguns dos melhores treinadores da Europa, verdadeiras referências. Aprendi com muitos deles ao longo dos anos e é um prazer estar neste palco. Claro que é muito difícil surpreender técnicos com esse nível de experiência, mas acima de tudo é uma honra partilhar esta competição com quem tanto deu ao basquetebol. No fim, competimos uns contra os outros, mas todos partilhamos a mesma paixão pelo jogo.”
📈 Portugal volta a subir nos Power Rankings da FIBA
Saiu a versão final dos Smart Power Rankings da FIBA antes do arranque da competição. Portugal surge no 16.º lugar entre as 24 seleções, subindo uma posição, e com um comentário que reflete bem a mudança de perceção:
Com a Estónia a perder Maik-Kalev Kotsar e a Chéquia sem Tomáš Satoranský, devemos considerar Portugal como o “best of the rest” no Grupo A, atrás da Sérvia, da Turquia e da Letónia? É uma afirmação arrojada se pensarmos que Portugal não vence um jogo de EuroBasket desde 2007.
Mas, ao mesmo tempo, não é nada arrojada, porque se viram a equipa neste verão, se tiveram atenção à campanha nos Qualifiers para o EuroBasket 2025 e se conhecem os resultados recentes dos clubes portugueses… são muitos “ses”, mas o que queremos dizer é isto: Portugal nos oitavos-de-final não é uma ideia descabida. Nem por isso.
Grupo A nos Power Rankings
#1 Sérvia (0) – Candidata assumida ao título.
#6 Turquia (+1) – Em crescendo, com três vitórias seguidas na preparação.
#7 Letónia (-2) – Talento ofensivo em abundância, mas dúvidas na defesa.
#14 Estónia (-1) – Baixa de Kotsar e problemas sérios de eficácia.
#16 Portugal (+1) – A narrativa da “Cinderella story” já não soa tão absurda.
#23 Chéquia (-1) – A ausência de Satoranský altera totalmente o horizonte.
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Muito bom artigo Ricardo, parabéns!