🏀 “Destino: Riga” – Neemias Queta lidera triunfo histórico
Portugal regressou às vitórias no EuroBasket 18 anos depois, numa exibição dominante da estrela da Seleção Nacional.
“Destino: Riga” é o diário de bordo da seleção portuguesa rumo ao EuroBasket 2025: treinos, jogos e bastidores, sempre com olhos postos também no que acontece nas outras seleções. No final de cada edição, telegramas curtos com os principais destaques da atualidade. A missão é clara: contar tudo sobre o EuroBasket 2025.
🇵🇹 Vitória no EuroBasket 18 anos depois
Portugal quebrou um jejum no EuroBasket que durava desde 2007 e voltou a sorrir numa fase final. Em Riga, a equipa de Mário Gomes derrotou a Chéquia por 62-50 e reforçou a candidatura aos oitavos-de-final. Não foi uma vitória assente no brilho ofensivo, mas num plano claro: defender, proteger o aro e confiar em Neemias Queta. O poste dos Boston Celtics foi absolutamente dominante, com 23 pontos (10/14 de 2P, 1/1 de 3P, 0/1 LL), 18 ressaltos e 4 desarmes de lançamento, assinando uma das melhores exibições individuais da história recente da Seleção.
O encontro começou com nervos à flor da pele e foi na defesa que Portugal construiu a sua vantagem. A Chéquia ficou limitada a 29.1% de eficácia de lançamento (16/55), perdeu 19 bolas e marcou apenas 50 pontos. Cada erro foi castigado: 21 pontos lusos após turnovers checos e 11 em contra-ataque deram à equipa portuguesa o oxigénio que faltava no ataque de 5x5 em meio campo.
O equilíbrio durou até meio do terceiro quarto, quando Rafael Lisboa assumiu o protagonismo. O base do Ourense tinha ficado fora do cinco inicial, mas mostrou por que razão é o parceiro ideal de Queta. Toda a atenção estava no poste e Lisboa respondeu com dois triplos consecutivos que abriram dez pontos de vantagem. No total, somou 15 pontos e foi decisivo para desbloquear o ataque.
Neemias foi o epicentro de tudo. Para lá dos números, o impacto foi visível: intimidou, condicionou penetrações e estabilizou a equipa sempre que esteve em campo. Quando descansou, Portugal sofreu. Com Daniel Relvão no interior, a Chéquia atacou o aro e ganhou algum fôlego, o que expõe a necessidade de afinar rotações para que Queta não se ausente em simultâneo com os melhores defensores de perímetro.
Travante Williams terminou com 10 pontos, 5 ressaltos e 5 roubos de bola, e foi o espelho da identidade defensiva de Portugal. Miguel Queiroz somou 7 ressaltos e assinou um box plus/minus de +23 em 27 minutos, reflexo do trabalho invisível que caracteriza a sua carreira. Mais do que quebrar um jejum, Portugal mostrou estar pronto para competir com os melhores. O próximo jogo de Portugal está marcado para sexta-feira, frente à Sérvia de Nikola Jokić.
Neemias Queta: “Não estamos eufóricos”
O gigante do Vale da Amoreira foi a grande figura da vitória sobre a Chéquia, ao tornar-se no primeiro jogador desde 1995 — ano em que a FIBA começou a registar ressaltos — a somar mais de 20 pontos e 15 ressaltos na estreia num EuroBasket. Ainda assim, recusou qualquer euforia após o triunfo de Portugal.
“Lutámos todo o verão para chegar ao melhor nível possível. Tivemos algumas lesões, mas estamos aqui. Estamos entusiasmados com a oportunidade que temos pela frente e felizes por termos conseguido a primeira vitória. Foi o primeiro jogo de Portugal num EuroBasket em 14 anos e a primeira vitória desde 2007. Em 2007 eu nem sabia bem o que era o basquetebol, ainda não jogava. Por isso, é uma sensação especial. Mas não estamos satisfeitos, queremos acumular mais vitórias. (…) Era o primeiro jogo de todos num EuroBasket, havia alguma ansiedade. É bom ganhar, mas não estamos eufóricos.”
“A defesa tem de ser o nosso cartão de visita. Sabemos que nem sempre vamos ter um jogo perfeito no ataque, mas podemos sempre defender. Pressionar em campo inteiro, ser físicos, proteger o pintado. É isso que nos pode levar a outro nível. Protegemos muito bem o cesto e, no perímetro, tivemos o (Diogo) Brito e o Travante (Williams) sempre a pressionar. Essa foi a nossa mensagem: ser agressivos na defesa.”
“É um bom momento para o basquetebol português. Portugal é um país de futebol, todos sabemos, e não é muito conhecido por outros desportos. Mas também temos o nosso talento e vamos lutar. As pessoas reconhecem-me na rua e sinto muito carinho. Gosto de voltar a Portugal e de poder retribuir à comunidade, seja através de campos de treino ou a jogar pela Seleção. É sempre um grande sentimento voltar a casa.”
Travante Williams: “Neemias é jogador de topo”
O extremo Travante Williams destacou a exibição dominante do companheiro de equipa e sublinhou que Portugal deve continuar a jogar através do poste.
“Eu sei que ele (Neemias Queta) marcou 23 pontos, mas mesmo assim não lhe demos a bola o suficiente. Acho que, se lhe déssemos a bola em mais cinco ou seis posses, teria acabado com uns 37 pontos ou algo assim. Ele é um jogador de topo, o EuroBasket é o palco perfeito para mostrar o talento dele e, por vezes, isso não é reconhecido na NBA. Mas ele está a jogar muito bem, é o nosso homem, queremos jogar através dele.”
Diogo Brito: “Peso que sai de cima”
Depois de terminar a partida em branco, Diogo Brito considerou que a vitória frente à Chéquia foi um momento de libertação e que coloca Portugal no rumo traçado para o EuroBasket.
“É um peso que sai de cima de nós e põe-nos na luta pelo objetivo que tínhamos ao chegar aqui, que era passar a fase de grupos. Estamos onde queremos e foi uma vitória importantíssima. Podemos jogar de uma forma mais solta. Somos claramente os não favoritos nos próximos jogos, mas vamos jogo a jogo e tentar crescer como equipa.”
“Na primeira parte tivemos muitas dificuldades no ataque, enquanto na defesa estivemos bem nas duas partes.Não foi por aí que nos fizeram dano, tirando um bocadinho no segundo período. Depois, no ataque, encontrámos situações de vantagem, com o Neemias e o Rafael (Lisboa) a lançar dos três pontos. A chave foi isso, abrir um pouco o espaço no ataque.”
Miguel Queiroz: “Vão olhar para nós de forma diferente”
O capitão da Seleção Nacional pediu serenidade após o triunfo histórico e lembrou que os próximos adversários serão ainda mais exigentes.
“É uma grande vitória para Portugal. Surpreendemos toda a gente, mas agora temos de continuar a trabalhar porque as equipas vão começar a olhar para nós de forma diferente. Por isso, temos de manter a humildade. É só uma vitória. Sabemos o que queremos fazer, vamos tentar continuar a melhorar e a fazer melhor já no próximo jogo.”
Mário Gomes: “Valeu-nos a capacidade defensiva”
O selecionador nacional destacou a resposta coletiva na defesa como o fator decisivo para vencer a Chéquia e pediu pés assentes na terra para os próximos jogos.
“As duas equipas estavam demasiado nervosas. Por muito que tentássemos tirar a pressão de cima dos jogadores, quem tem objetivos, tem, obviamente, pressão. O que nos valeu foi a capacidade defensiva que mostrámos. Em termos defensivos, apesar de um ou outro erro, fizemos um excelente trabalho, e foi isso que nos levou a ganhar o jogo. Espero que nos próximos jogos os jogadores já estejam mais soltos, menos pressionados, e que coisas melhores possam começar a aparecer no ataque.”
“Nos torneios curtos costumo dizer que os jogos são como melões: só abrindo é que se vê se são bons. É assim que temos de encarar cada partida. Um jogo de cada vez. Demos um passo, mas ainda não fizemos nada. Temos de manter os pés bem assentes na terra.”


🇨🇿 Déjà vu para Vit Krejčí
Vit Krejčí voltou a tropeçar em Portugal. Em 2019, no Centro de Desportos de Congressos de Matosinhos, o agora jogador dos Atlanta Hawks disputou a final do Europeu de Sub20 da Divisão B frente à Seleção Nacional. Na altura, a República Checa caiu por 73-57 e viu Portugal levantar o troféu. Do lado português estavam Rafael Lisboa — MVP do torneio —, Neemias Queta, que se lesionara na meia-final e não jogou a final, Francisco Amarante e Vladyslav Voytso. Quatro jogadores que, seis anos depois, voltaram a cruzar-se com Krejčí agora em Riga.
O base/extremo checo foi incluído no cinco ideal desse Europeu de Sub20, ao lado de Lisboa e Queta, mas a final ficou-lhe atravessada: exibição discreta, derrota clara e a sensação de oportunidade perdida. No reencontro com Portugal, no EuroBasket 2025, a história repetiu-se. Krejčí somou apenas 10 pontos, desta vez muito por culpa da capacidade de proteção de cesto de Neemias Queta, como, de resto, reconheceu: “Falhámos alguns lançamentos cedo e só conseguimos três pontos em transição. Contra uma equipa com o Queta lá em baixo, é muito difícil jogar 5x5. É um processo de aprendizagem”.
🇷🇸 Sérvia confirma favoritismo, Estónia sem resposta
A Sérvia não deu hipótese à Estónia na estreia em Riga e venceu por 98-64, numa partida em que chegou a ameaçar o recorde absoluto de assistências no EuroBasket. A equipa de Svetislav Pešić distribuiu 32 passes para cesto, ficando a um da marca estabelecida em 2001… curiosamente também frente aos estónios. Nikola Jokić foi a atração principal, mas nem precisou de acelerar: 11 pontos, 10 ressaltos e 7 assistências em ritmo de treino. O destaque acabou por ir para Nikola Jović, autor de 18 pontos e 6 assistências em apenas 16 minutos. Do outro lado, a Estónia acusou demasiado a ausência de Maik-Kalev Kotsar e só contou com 11 pontos de Henri Drell.
🇹🇷 Turquia cala Riga com triplos e Sengün em grande plano
No segundo jogo do dia, a anfitriã Letónia foi surpreendida por uma Turquia demolidora: 93-73, num encontro em que os turcos acertaram 15 triplos em 25 tentativas (60%). Cedi Osman liderou os marcadores com 20 pontos, Kenan Sipahi fixou máximos pessoais no EuroBasket com 19 pontos e 5 triplos, enquanto Alperen Şengün apontou ao triplo-duplo (16 pontos, 8 ressaltos e 7 assistências). Do lado letão, Rihards Lomazs ainda saiu do banco para 16 pontos, mas Kristaps Porziņģis foi contido: apenas 10 pontos com 3/12 de campo e 6 perdas de bola. A Arena Riga esteve lotada com 11 mil adeptos, mas a festa acabou em silêncio.
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🇩🇪 Alemanha dispara no 3.º período
Dennis Schröder, Franz Wagner e Andreas Obst combinaram 61 pontos e lançaram a Alemanha para um triunfo por 106-76 frente ao Montenegro em Tampere. Depois de uma primeira parte equilibrada, os campeões do mundo aceleraram no regresso dos balneários com um parcial de 33-12 no 3.º quarto que matou o jogo. Schröder terminou com 21 pontos, Wagner brilhou com 22+8 ressaltos e Obst incendiou a partida com 18 pontos e 5/6 de três pontos. A Alemanha soma a primeira vitória no Grupo B e prepara agora o duelo com a Suécia. Montenegro teve em Nikola Vučević (23-10-5) a sua melhor figura, mas pagou caro a quebra defensiva após o intervalo.🇫🇮 Markkanen lidera Finlândia em duelo nórdico
Em Tampere, perante 11.865 adeptos, a Finlândia bateu a Suécia por 93-90 num jogo eletrizante, com 20 mudanças de liderança. Lauri Markkanen assumiu o protagonismo com 28 pontos, mas a vitória só ficou segura graças ao sangue-frio do jovem Miikka Muurinen e a um triplo decisivo de Mikael Jantunen. Do lado sueco, Ludvig Hakanson respondeu na mesma moeda e igualou Markkanen com 28 pontos (6 triplos), mas os oito lances livres falhados pela equipa foram fatais. A Finlândia arranca o EuroBasket com triunfo, a Suécia sai de cabeça erguida mas em desvantagem no Grupo B.🇱🇹 Lituânia impõe lei das tabelas
Em Tampere, a Lituânia abriu o EuroBasket com triunfo por 94-70 sobre a Grã-Bretanha, apoiada no domínio absoluto das tabelas: 57 ressaltos, novo recorde da competição desde 1995. Jonas Valančiūnas liderou com 18 pontos e 9 ressaltos, bem secundado por Ąžuolas Tubelis (17 pts, 8/10 FG) e Rokas Jokubaitis (12-6-5). Apesar de só acertarem 2/19 triplos, os bálticos foram demolidores no jogo interior e nunca deixaram escapar a vantagem construída no 3.º período. A ausência de Gabe Olaseni pesou nos britânicos, que sofreram um parcial de 23-13 em ressaltos ofensivos.