O que vale Neemias Queta
Com 2.3 milhões de dólares de salário e um valor de mercado que ronda os 20 milhões, o poste português dos Boston Celtics é a maior pechincha da liga.
Nas últimas duas semanas, Neemias Queta teve três jogos que resumem a discussão em torno do seu futuro contratual. Primeiro, 27 pontos e 17 ressaltos contra os Philadelphia 76ers. Depois, 16 pontos e 15 ressaltos frente aos Dallas Mavericks. Na passada sexta-feira, 24 pontos e 10 ressaltos contra os Washington Wizards — jogo em que a própria conta oficial da NBA destacou o seu trabalho de pés e a qualidade das suas finalizações.
Os números de época, sublinhados por John Hollinger no The Athletic, enquadram o que esses jogos ilustram: PER de 19.9, 63.6% de eficácia no campo, entre os doze primeiros da liga em ressaltos e desarmes de lançamento. Tudo isto com um salário de 2.3 milhões de dólares.
É neste contexto que o analista Yossi Gozlan publicou esta semana no Third Apron o argumento mais detalhado feito até hoje sobre o valor de mercado do poste português dos Boston Celtics. A conclusão é simples e direta: Queta é o maior bargain entre todos os jogadores a receber o salário mínimo esta época. No podcast da publicação, o coapresentador Sam Quinn colocou-o no décimo primeiro lugar do seu ranking dos melhores contratos da liga, sem reservas.
O que vale no mercado aberto
O chão, segundo Gozlan, é a mid-level exception de 15.1 milhões, um valor acessível à maioria das equipas. O ponto de referência central é a extensão que Daniel Gafford assinou com os Dallas Mavericks: 17 milhões por época. Se Queta sustentar este nível durante mais uma temporada, o teto pode aproximar-se dos 12% do salary cap, a fasquia que Jarrett Allen e Jakob Poeltl atingiram nos respetivos contratos.
No podcast do Third Apron, o debate foi mais longe. Gozlan comparou Queta a Onyeka Okungwu, dos Atlanta Hawks, e depois recuou, dizendo que o português vale mais, na casa dos 20 milhões por época. Com um salário de 2.3 milhões, a distância entre o que Queta recebe e o que valeria no mercado aberto raramente tem paralelo na liga.
Os dois caminhos para Boston
Os Celtics têm uma team option de 2.7 milhões para 2026-27. Exercê-la é o caminho mais simples: Boston mantém Queta pelo valor mínimo, preserva os 16 milhões que projeta ficar abaixo do luxury tax e adia uma negociação mais exigente. Com a opção exercida, os Celtics podem ainda oferecer a Queta uma extensão a partir de 6 de julho, com início em 2027-28.
O caminho alternativo passa por recusar a opção e acionar os Bird rights completos que Queta terá adquirido após três épocas de serviço contínuo. Com esses direitos, Boston pode propor uma extensão imediata sem restrições de valor. Gozlan apresenta um exemplo concreto: um contrato de quatro anos avaliado em 70 milhões de dólares, com o primeiro ano a 15.6 milhões, pouparia cerca de três milhões anuais nas temporadas seguintes em troca de um aumento imediato de 13 milhões. O teto prático para uma reestruturação sem ultrapassar o luxury tax em 2026-27 ronda os 15 milhões, o que torna os dois cenários financeiramente próximos, mas com implicações de roster distintas.
A conclusão de Gozlan é que exercer a opção continua a ser o desfecho mais provável. Não porque o aumento não seja justificado — é —, mas porque a margem disponível deixa pouco espaço para uma reestruturação imediata sem comprometer outras movimentações do franchise. O que a opção não impede: se for exercida, abre a janela para uma extensão a partir de 6 de julho de 2026, com início em 2027-28 — o cenário que Bobby Marks da ESPN situou até 93 milhões por quatro temporadas. De uma forma ou de outra, Boston terá de pagar o que Queta vale. A questão é apenas quando.




