Neemias Queta: novo contrato para breve?
Boston Celtics têm 'team option' para 2026-27 que abre porta a extensão do vínculo com o poste português por quatro temporadas e um valor que pode chegar aos 93 milhões de dólares.
Os Boston Celtics têm uma decisão relativamente simples a tomar no final da época: exercer a team option de 2.7 milhões de dólares que assegura a permanência de Neemias Queta em 2026-27. Ao garantirem o último ano do contrato atual, os Celtics abrem ainda a possibilidade de oferecer ao português uma extensão que, de acordo com o analista Bobby Marks da ESPN, pode chegar aos 93 milhões de dólares por quatro temporadas.
Num artigo que analisa o impacto do regresso de Jayson Tatum, esperado para esta sexta-feira menos de dez meses depois de ter sofrido uma rotura do tendão de Aquiles, Marks é direto: a grande decisão da offseason dos Celtics é sobre a posição de poste.
«Vučević é unrestricted free agent e Queta tem uma team option de 2.7 milhões. Boston pode exercer a opção de Queta e renovar Vučević, mantendo-se abaixo do luxury tax — e de ambos os aprons. Os Celtics ficariam então autorizados a oferecer a Queta uma extensão de até quatro anos e 93 milhões de dólares, com o primeiro ano a começar em 2027-28.»
Noutro artigo, a ESPN confirma que Neemias tem atualmente um dos melhores contratos da liga. Na edição deste ano da NBA All-Contract Team — exercício em que o jornalista Tim Bontemps constrói o melhor plantel possível sem ultrapassar o limiar do luxury tax (187.89 milhões esta época) — Queta figura no trio de postes ao lado de Mitchell Robinson (New York Knicks) e Isaiah Stewart (Detroit Pistons). Por 2.3 milhões, o gigante do Vale da Amoreira é o jogador com a relação custo-benefício mais favorável de todo o roster hipotético. Integra a lista a par de dois nomes com ligação próxima: Payton Pritchard, base dos Celtics que recebe 7.2 milhões e lidera a equipa em assistências, e Sam Merrill, companheiro de Queta em Utah State e agora titular nos Cleveland Cavaliers.
E se faltava confirmação de que o contrato atual de Neemias é mesmo uma pechincha, os números do modelo de salários desenvolvido pelo jornalista Steph Noh encarregam-se disso: o valor de mercado de Queta para a época em curso é estimado em 33.2 milhões. Com um salário real de 2.3 milhões, o surplus é de quase 31 milhões numa só época.
Semana de destaque na imprensa americana
Ainda na imprensa nacional dos EUA, o jornalista Marc Spears publicou no site Andscape um perfil extenso de Neemias Queta que traça a linha do Vale da Amoreira até ao TD Garden. É uma das reconstruções mais completas da trajetória do poste português, e vale a pena ser lida na íntegra. Pelo meio, elogios do treinador Joe Mazzulla ao poste luso:
«Fico mais impressionado com a sua maturidade do que com qualquer outra coisa. Preocupa-se com as pessoas. Tem tudo organizado. Sabe o que é importante para ele. Sabe quem é como pessoa e como jogador. Preocupa-se com ganhar e em fazê-lo com os seus colegas de equipa.»
«As expectativas eram que fizesse exatamente o que está a fazer por nós. Um dos dons que temos é a nossa capacidade de identificar estes jogadores. As pessoas do exterior veem um jogo. Para mim, é a forma como treinas, como vês filme, como fazes o ‘walkthrough’, como ligas aos últimos cinco minutos de um jogo em que estás a perder por 20, como reages quando és titular uma ou duas vezes.»
Para além do perfil no Andscape, dois outros artigos publicados esta semana nos Estados Unidos ilustram a dimensão da viagem de Neemias.
Jack Maloney, na CBS Sports, analisou como a época do poste de 2,13 metros foi decisiva para os Celtics evitarem um gap year. O texto sublinha que Queta respondeu às dúvidas com médias de 10.1 pontos, 8.4 ressaltos e 1.3 desarmes de lançamento, com 64.5% de eficácia — números suficientes para ajudar a colocar Boston no segundo lugar da conferência Este.
«Apesar do sucesso de Queta perto do cesto — 74.3% de eficácia na área restritiva —, não é um dos principais marcadores dos Celtics. (...) A disponibilidade de Queta para o trabalho sujo é uma parte fundamental do seu valor ofensivo. É um bloqueador de elite e um ressaltador ofensivo de topo, o que liberta os jogadores do perímetro dos Celtics e gera posses adicionais para uma equipa que é terceira na liga em pontos de segundas oportunidades por jogo (17.3). Queta é quinto na liga em screen assists por jogo (3.6), terceiro em pontos gerados por screen assists (8.8) e está empatado no oitavo lugar em ressaltos ofensivos (3.1).»
«Queta também desempenha um papel significativo no surpreendente sucesso defensivo dos Celtics esta época. (…) Queta está a fazer uma média de 1.3 desarmes de lançamento por jogo — novo máximo de carreira e empatado no 15.º lugar na liga —, e de acordo com o site databallr, os adversários marcam com 61.6% de eficácia no cesto quando Queta está em campo (5% abaixo da média da liga), contra 68% quando está no banco (1.4% acima da média da liga).»
Jacob Issenberg, um dos analistas mais céticos sobre o potencial de Neemias, publicou no CelticsBlog um artigo com argumentos detalhados a favor de Queta como candidato ao prémio de Most Improved Player. Issenberg admite ter descartado as exibições no EuroBasket porque «é só o EuroBasket», mas a avaliação entretanto mudou.
«O Defensive Estimated Plus-Minus (via dunksandthrees), que mede o impacto defensivo de um jogador por 100 posses de bola, coloca-o no percentil 97 em toda a liga e no sétimo lugar entre os postes, atrás apenas de Victor Wembanyama, Chet Holmgren, Rudy Gobert, Isaiah Hartenstein, Jonathan Isaac e Paul Reed. Tendo em conta os minutos reduzidos de Isaac e Reed, a companhia torna-se ainda mais exclusiva. E esse impacto conta.»
«Se viram a maioria dos jogos dos Celtics nas últimas duas épocas, o argumento de Neemias Queta para o prémio de Most Improved Player fala por si. O argumento estatístico é um pouco mais difícil de construir, porque os números brutos da época passada face a esta não gritam Most Improved. O argumento real é este: Queta passou de quarta opção esquecida a poste titular de uma equipa candidata ao título com o terceiro melhor diferencial de pontos da liga. A defesa desmorona-se quando ele sai. E as pessoas que votam neste prémio passaram a pré-época a prever que ele seria a razão pela qual Boston ficaria abaixo dos 50% de vitórias.»
«Os Celtics pensavam que estavam a tapar um buraco na posição de poste. Podem ter encontrado a sua âncora para a próxima década.»
No verão, Brad Stevens terá de responder à mesma questão que colocou no início da época — só que desta vez a resposta já existe. Neemias Queta é uma das histórias de desenvolvimento mais improváveis dos últimos anos. Os Celtics descobriram o que queriam saber. Agora têm de o segurar.






