Neemias Queta garantido em Boston para o último ano de contrato
A opção assegura Queta em 2026/27 e adia as decisões de fundo: a extensão que os Celtics ponderam e a procura de reforços para o jogo interior.
Os Boston Celtics acionaram a team option no contrato de Neemias Queta, a 29 de junho, e garantiram o poste português para 2026/27, por 2.67 milhões de dólares (cerca de 2.37 milhões de euros). A decisão, porém, resolve pouco: assegura o último ano de vínculo do jogador de 26 anos ao mesmo tempo que a franchise abre a free agency — que arrancou na noite de terça-feira — à procura de mais um poste.
É o paradoxo do momento de Queta em Boston. Vem da melhor época da carreira, mas entra no derradeiro ano de contrato, sem extensão fechada e num verão que gira todo em torno da sua posição. No primeiro dia de mercado, o quadro pouco mudou: os Celtics não fizeram qualquer contratação de vulto, continuam empenhados em reforçar o interior e mantêm em aberto a saga Jaylen Brown que domina o resto da offseason.
Team option acionada
Na segunda-feira, prazo da liga para decidir sobre jogadores com opção de equipa, os Celtics acionaram a team option de Queta. A mesma decisão abrangeu o extremo Jordan Walsh e o base Dalano Banton — este último num contrato não garantido, o que permite à equipa dispensá-lo mais tarde, pagando apenas os dias que cumprir.
Do lado das recusas, os Celtics abriram mão das opções sobre o poste Amari Williams e o base Max Shulga, ambos vindos da época de estreia com contratos two-way. Nenhum dos dois está necessariamente de saída: Williams poderá regressar a um segundo two-way e Shulga é candidato ao plantel de summer league. A equipa recusou ainda a opção do base Ron Harper Jr., mas apenas para o reassinar por um novo contrato de três épocas e nove milhões de dólares, fechado na semana anterior.
Para Queta, o efeito prático da opção é duplo. Fica garantido em 2026/27, mas passa a estar no último ano de contrato: sem extensão entretanto acordada, chega à free agency sem restrições no próximo verão, tal como Walsh.
A opção não surpreende. Queta vem da melhor época da carreira, a primeira em que se fixou na rotação e, mais do que isso, no cinco inicial. Herdou o lugar depois de Boston ter perdido os três postes que estavam à frente do português na rotação e correspondeu: 10.2 pontos, 8.4 ressaltos, 1.7 assistências e 1.3 desarmes, ao longo de 76 jogos (75 como titular), todos máximos de carreira. No final da época, terminou em 4.º na votação para o Most Improved Player.
Jalen Duren associado a Boston
O problema, para Queta, é que Boston não escondeu a intenção de reforçar precisamente a sua posição. «Acho que vamos continuar a olhar para o tamanho», disse Brad Stevens, presidente de operações de basquetebol dos Celtics, na semana passada, acrescentando querer também «mais um jogador com velocidade no perímetro» — leia-se, um base rápido. Não será, hoje, o base mais rápido da NBA, mas os Celtics chegaram a acordo com Mike Conley, por uma época, para reforçar a equipa treinada por Joe Mazzulla.
Os grandes nomes dessa procura por reforços para o interior são alvos de troca, e já os detalhámos: de Evan Mobley, ligado a Boston num cenário que passaria por trocar o próprio Brown, a Rudy Gobert ou Isaiah Stewart. Na free agency propriamente dita, o mercado é mais modesto. Kevon Looney, de 30 anos, entrou na lista de Boston, segundo The Stein Line: os New Orleans Pelicans recusaram a opção de oito milhões de dólares e tornaram livre o poste de 2.06 metros, bicampeão pelos Golden State Warriors, que na última época jogou apenas 21 partidas — uma aposta barata e de baixo risco.
O outro caminho é uma troca. Jalen Duren, poste dos Detroit Pistons, terá interesse num sign-and-trade para Boston, avançou Jake Fischer no The Stein Line, operação que passaria pela trade exception de 27.7 milhões de dólares que os Celtics geraram na troca de Anfernee Simons, em fevereiro. Há ressalvas: Fischer diz que, à partida, Detroit não quer fazer sign-and-trade com Duren, e todo o processo de free agency condicionada pode arrastar-se — no ano passado, casos como os de Josh Giddey, Quentin Grimes e Jonathan Kuminga só se resolveram em setembro.
A sombra de Jaylen Brown
Nada disto se joga no vácuo. Toda a offseason de Boston tem sido dominada pelo caso Jaylen Brown, e é aí que o dossier volta a tocar Queta. A tentativa dos Celtics de contratar Giannis Antetokounmpo, com Brown como peça central da proposta, falhou quando os Milwaukee Bucks o trocaram para o Miami Heat. A saída de Giannis não encerrou o assunto: Brown, que não pediu troca, continua a ver o nome circular, depois de uma época em que guiou a equipa a 56 vitórias e ao 2.º lugar do Este durante a longa ausência de Jayson Tatum (rotura do tendão de Aquiles) e em que terminou em 6.º na votação de MVP, o melhor registo da carreira.
O que mudou no arranque da free agency foi a leitura do mercado. Os Celtics terão pedido até quatro escolhas de primeira ronda — mais jogadores — por Brown, e, segundo Sam Amick, do The Athletic, terão de baixar significativamente a fasquia se quiserem trocá-lo a curto prazo: o interesse existente está «muito aquém» do desejado. Os Portland Trail Blazers surgem como interessados moderados, e os Denver Nuggets não falam com Boston desde o fim de semana e não têm os ativos de draft para a operação.
Para o resto, os Celtics guardam margem. Caíram abaixo da linha do luxury tax, o que lhes dá acesso à mid-level exception, na ordem dos 15 milhões de dólares, além da já referida trade exception de 27.7 milhões. Têm ainda dois lugares livres no plantel — potencialmente três, caso dispensem Banton. As primeiras horas de free agency foram tranquilas em Boston — além do já referido acordo com Mike Conley, não houve mexidas de vulto — em parte porque a equipa continua concentrada em encontrar uma saída para Brown.






