Boston falha Giannis Antetokounmpo e mantém procura por poste de topo
Com o grego em Miami, os Celtics viram as atenções para outros nomes e o futuro de Neemias Queta continua por decidir.
Neemias Queta passou os últimos dias dos Boston Celtics a ver, de longe, um verão que gira todo em torno do seu lugar e que começou pela maior aposta possível na sua posição. Boston perseguiu Giannis Antetokounmpo até à véspera do draft, colocou Jaylen Brown e duas escolhas de primeira ronda em cima da mesa, e ainda assim viu o grego seguir para Miami.
A trade falhada de Giannis
Segundo Shams Charania, da ESPN, os Milwaukee Bucks acordaram a troca de Giannis Antetokounmpo e Bobby Portis para os Miami Heat, a troco de Tyler Herro, Kel’el Ware, Jaime Jaquez Jr., Kasparas Jakucionis e um conjunto de escolhas de draft. Boston foi um dos dois finalistas, ao lado de Miami, e chegou a colocar uma proposta concreta sobre a mesa: Jaylen Brown, MVP das Finais de 2024, mais duas escolhas de primeira ronda. Os Bucks preferiram a oferta de Miami.
A evolução do dossier diz muito sobre a forma como Boston acabou por encarar o negócio. Como noticiámos no início de junho, os Celtics não passavam de um wild card no mercado do grego — Miami à frente nas preferências, sem registo de conversas diretas entre Boston e Milwaukee, e qualquer investida dependente de trocar Brown. O desfecho mostrou que, chegada a hora da decisão, o front office de Brad Stevens foi mais longe do que essa leitura admitia: pôs efetivamente Brown em cima da mesa. Não foi suficiente.
O que estava em causa para Neemias era o desenho do frontcourt. A chegada de Antetokounmpo teria reconfigurado por completo o interior onde o português se afirmou como titular esta época e era uma das variáveis que mantinham o seu futuro em suspenso. Com o grego em Miami, essa peça sai do tabuleiro. As restantes continuam em aberto.
As repercussões em Jaylen Brown
A oferta colocou Brown no centro do verão de Boston, e Stevens passará os próximos dias em contenção de danos. Um dia depois de Charania noticiar a proposta, e logo a seguir à escolha de Cenac no draft, o presidente de operações garantiu que «o Jaylen Brown é uma parte importante» dos Celtics, recusou «prever o futuro» e sublinhou o quanto o jogador é «valorizado». Sobre o ruído, foi mais direto: ter o nome «espalhado por todo o lado» «não é fácil», admitiu, garantindo que quis ser «o mais proativo e frontal possível».
O contexto pesa. Aos 29 anos, Brown vem da melhor época da carreira — 28.7 pontos, 6.9 ressaltos e 5.1 assistências, sexto na votação de MVP e All-NBA Second Team — e chamou-lhe «o ano preferido» da carreira, apesar da eliminação na primeira ronda frente aos Philadelphia 76ers. Tem três anos por cumprir dos cinco anos e 285.4 milhões de dólares que assinou em 2023, e fica elegível, a 26 de julho, para uma extensão de dois anos e 141.9 milhões.
É a segunda vez em quatro anos que o seu nome circula em conversas de troca: em 2022 foi a peça central da proposta por Kevin Durant; agora, por Giannis. E, segundo a ESPN, mesmo depois de fechado o negócio entre Bucks e Heat, Boston continuava a ouvir propostas pelo extremo.
Falhado o assalto ao grego, os Celtics não são obrigados a fazer nada com Brown, a não ser reparar uma relação que a perseguição ao “Greek Freak” pode ter beliscado. Para Neemias, a leitura é outra: o plantel em que se afirmou continua instável, e a prioridade declarada do verão aponta diretamente para a sua posição.
Caça ao poste: Mobley, Gobert e Stewart
Já em maio, no fecho da época, Stevens identificou a lacuna sem rodeios: «Uma das coisas que temos de descobrir é como ter mais impacto no aro. E acho que precisamos de reforçar a equipa para isso.» Mais do que presença física, descrevia um perfil — um poste que receba no poste baixo, que crie para si e abra opções aos colegas —, o mesmo que Boston tentou ir buscar em dezembro, com Ivica Zubac, sem fechar negócio.
É essa procura que enquadra os nomes das últimas semanas e um dos mais sonantes surgiu na própria noite do draft. Chris Mannix, da Sports Illustrated, revelou na NBC Sports Boston que, desde que o negócio por Giannis caiu, o jogador mais associado aos Celtics é Evan Mobley, dos Cleveland Cavaliers. Defensive Player of the Year em 2024-25 — ano em que foi ainda All-Star pela primeira vez e integrou a segunda equipa All-NBA —, Mobley é, aos 25 anos e com 2.11 metros, o perfil de poste de elite, móvel e dominante na proteção do aro que falta a Boston. E o seu caso liga-se ao de Jaylen Brown: qualquer investida passaria por trocar o extremo, com Mannix a afirmar que os dois clubes já terão estabelecido contacto sobre esse cenário, e Cleveland motivada por convencer Donovan Mitchell — amigo de Brown — a renovar.
Os Celtics terão sondado Rudy Gobert — quatro vezes Defensive Player of the Year — no deadline de fevereiro, numa ideia que passaria por trocar Derrick White, e o interesse mantém-se, ainda que Minnesota não o tenha ativamente no mercado. Mais recentemente, surgem na linha da frente por Isaiah Stewart, poste de 2.03 metros que os Detroit Pistons tornaram disponível: um defensor físico que no ano passado somou 1.6 desarmes por jogo e limitou os adversários a 43.8% de eficácia junto ao aro como defensor principal, a melhor marca da liga. Há ainda interesse no extremo Trey Murphy III, por quem Boston poderia gastar escolhas de primeira ronda.
A escolha de Chris Cenac Jr.
É também aí que entra a escolha do draft. Com a 27.ª escolha da primeira ronda, Boston selecionou Chris Cenac Jr., extremo-poste saído de Houston, que o guia de draft de António Dias colocava na 22.ª posição da sua big board.
Tem 19 anos — faz 20 em fevereiro — e foi titular em quase todos os jogos do ano de freshmen, com médias de 9.5 pontos e 7.9 ressaltos. Antigo McDonald’s All-American saído da Link Academy, joga nas posições 4 e 5, e o seu valor está, para já, no físico: 2.08 metros de altura e uma envergadura de 2.26 metros. O lançamento exterior é uma promessa por confirmar: 33.3% em 90 tentativas de três no único ano universitário.
O mesmo guia coloca-o no escalão T4 — High-Level Role Player —, com os arquétipos de Stretch Big e Switch Big: um poste de dois sentidos, confortável no perímetro, capaz de lançar de recepção, finalizar e defender várias posições, mas com muito por desenvolver. A generalidade dos analistas vê nele um projeto de médio prazo, não uma solução imediata.
E foi precisamente isso que Stevens fez questão de dizer na conferência de imprensa de reação à escolha da primeira ronda do draft. Não conta que um jogador de 19 anos chegue e seja determinante já — «não haverá essa expectativa da minha parte» —, e sobre Cenac Jr., que viu ao vivo várias vezes, ficou-lhe outra coisa: «Nem sempre jogou bem, mas nunca saí do pavilhão a pensar que não se tinha esforçado.»
A razão da escolha é a lacuna de sempre: o tamanho e o comprimento de braços que faltaram quando Joel Embiid dominou o pintado na primeira ronda. Mas o calendário de Cenac não é o de Neemias. A expectativa interna, noticiada em Boston, é que venha a ser o poste titular a prazo, e como encaixa entre Neemias, Garza e Amari Williams está por ver. Para já, é um investimento na posição, não uma ameaça imediata ao lugar do português. Boston ainda tem a 40.ª escolha, na segunda ronda, para fechar o seu draft.
Neemias continua à espera de definir o futuro
No meio de tudo isto, o nome que dá sentido ao verão de Boston continua a ser o único por resolver. Giannis seguiu para Miami, Cenac Jr. não joga já, mas a posição de Neemias permanece, ao mesmo tempo, o foco do mercado e a peça contratual por fechar.
As decisões concentram-se nestes dias. Que as negociações estão mesmo em curso confirmou-o, na semana passada, o selecionador nacional. Ao explicar a ausência de Neemias na janela FIBA de julho, Mário Gomes disse que o poste se encontra «em processo negocial» com a franchise — uma negociação a sério, e não uma decisão à espera de carimbo. Foi essa indefinição, e não qualquer razão técnica, que o afastou dos jogos com Montenegro e a Grécia, agendados para 2 e 5 de julho, respectivamente.






