Neemias Queta e o novo contrato: «O dinheiro não foi o mais importante»
Poste diz que o dinheiro não foi o que pesou na decisão de assinar a extensão com os Boston Celtics e sublinha a segurança de quatro anos garantidos e a confiança do front office.
Neemias Queta está em Portugal para a terceira edição do Neemias Queta Training Camp, que juntou 100 jovens entre os 13 e os 17 anos em Paço de Arcos, com cinco treinadores com experiência na NBA no staff. Entre sessões, o poste dos Boston Celtics falou aos jornalistas sobre a melhor época da carreira, o novo contrato e a Seleção Nacional.
Em relação ao novo vínculo com o conjunto de Boston, Neemias era elegível para uma extensão de até 93 milhões de dólares, mas fechou-a por 56 milhões. Sobre o que pesou na decisão, o poste português disse ao jornalista Miguel Candeias, em entrevista ao jornal A BOLA, que não foi o dinheiro.
«Para mim o dinheiro não foi o mais importante de todo. O mais importante foi mesmo saber que Boston apostou em mim por mais quatro anos. Vou poder continuar a chamar Boston de casa durante esse tempo todo, sem ter de olhar por cima do ombro. Sem ter de me preocupar com a próxima época.»
A incerteza de chegar ao mercado como jogador livre, explicou, cria dificuldades na forma de gerir uma época — lesões incluídas — e era nisso que não queria estar a pensar. Disse-se «lisonjeado» pela confiança do front office.
O acordo foi fechado a 3 de julho, só produz efeitos a partir de 2027/28 e fixa Neemias nos Celtics até ao final de 2030/31. A época que agora arranca corre ainda ao abrigo da team option de 2,7 milhões de dólares acionada a 29 de junho.
Antes disso houve uma época com 76 jogos, 75 deles no cinco inicial, e máximos de carreira de 10.2 pontos, 8.4 ressaltos, 1.7 assistências e 1.3 desarmes em 25.3 minutos. Ficou em quarto na votação para Most Improved Player e recolheu votos para as All-Defensive Teams.
«Ninguém celebra o quase. O que se deve celebrar é quando as coisas acontecem. Mas isso aí, ter ficado tão perto, ainda me motiva mais para que no futuro possa vir a acontecer.»
Plano de treinos para o verão
Os jogadores da NBA aproveitam a offseason para trabalharem áreas específicas do seu jogo. Neemias não é diferente.
«Defensivamente estou a trabalhar imenso em trocar e ser mais capaz de aguentar com os pequenos no um para um sem ajudas. Ofensivamente é ter a bola nas mãos. Conseguir ter um handle mais apertado, ser capaz de criar um para um a poste baixo, espaçar o campo, ter um lançamento com maior consistência e ter um impacto ofensivo maior.»
Questionado sobre se o novo salário tornaria mais fácil pagar 100 mil dólares por uma semana de trabalho com Hakeem Olajuwon sobre movimentos de poste, respondeu de imediato: «Eu sou forreta. Não gasto 100 mil dólares para treinar. Nem com o Hakeem Olajuwon.»
Outro item da lista tem um historial curto. Neemias tentou 11 lançamentos de três pontos desde que chegou à NBA, oito deles na última época, e converteu um, frente aos New Orleans Pelicans. Nos 14 jogos de playoffs da carreira, nunca tentou nenhum.
«Sinto que posso lançar triplos. Tenho confiança para tal e trabalho para isso, mas às vezes é perceber também o contexto da tua equipa. Quem é que está ao teu lado, quem está dentro de campo, para quem é o passe extra para o canto. E a nossa equipa está cheia de lançadores, cheia de snipers.»
Este verão, Boston contratou Mitchell Robinson, campeão pelos New York Knicks, que passa a disputar com o português um lugar no cinco de Joe Mazzulla. Sobre o novo companheiro, Neemias disse que são «basquetebolistas bastante parecidos» e que trazem «muitas coisas semelhantes» à equipa. Agradeceu, sobretudo, deixar de ter de o defrontar como adversário.
Disponibilidade para a Seleção
O mesmo processo que lhe garantiu o futuro afastou-o da Seleção Nacional em julho. Portugal perdeu em casa com Montenegro e venceu em Atenas, garantindo a passagem à segunda fase de qualificação, e Neemias assistiu de Boston, numa altura em que negociava o novo contrato.
«Tinha de ser. Foi mais por proteção de interesses. A maior parte das vezes, não estando lá, pode acontecer um imprevisto ou uma lesão e aquilo pode estragar tudo o que se tem em cima da mesa. Por isso não fazia muito sentido vir jogar pela Seleção. Por parte deles [Boston Celtics] também não permitiram.»
Neemias integra os 16 convocados que o selecionador nacional Mário Gomes divulgou esta semana para a janela FIBA de agosto. A Seleção visita a Espanha a 28 de agosto, no Pavilhão Príncipe Felipe, em Saragoça, e recebe a Geórgia a 31, no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos. São os dois únicos jogos que pode fazer nesta fase: as janelas seguintes, em novembro de 2026 e em fevereiro e março de 2027, caem em plena época da NBA.
Na conferência de imprensa do campo, Neemias foi questionado pela Agência Lusa sobre a possibilidade de uma qualificação inédita.
«Como em tudo, há sempre uma primeira vez. Acho que, na maior parte das vezes, não é uma questão de pensar se podemos almejar, é trabalhar para isso e quando as coisas acontecerem, acontecem. Algum dia vai ter de ser a primeira vez de Portugal ir ao Mundial, esperemos que seja em 2027.»




