Espanha na máxima força para defrontar Portugal
É a única janela do ciclo em que Espanha e Portugal podem alinhar com os seus jogadores da NBA. Entre os convocados de Chus Mateo está Hugo González, colega de Neemias Queta nos Boston Celtics.
Chus Mateo convocou os cinco jogadores que a Espanha tem na NBA para a janela de agosto, a primeira da segunda fase de qualificação para o Mundial de 2027. Santi Aldama, Hugo González e os recém-draftados Sergio de Larrea, Aday Mara e Baba Miller integram a lista de 15 nomes anunciada esta quarta-feira, em Madrid. É esta Espanha, na máxima força, que Portugal visita a 28 de agosto, no Pavilhão Príncipe Felipe, em Saragoça.
Do outro lado estará Neemias Queta. Esta é a única janela deste ciclo em que os dois países podem apresentar quem atua na NBA — para a Espanha, os cinco convocados por Mateo; para Portugal, o poste dos Boston Celtics. As janelas de novembro e de fevereiro e março caem em plena época norte-americana e reúnem apenas os jogadores europeus.
Cinco da NBA, seis campeões da Europa
A lista espanhola cruza gerações. Além dos cinco jogadores da NBA, inclui seis campeões da Europa de 2022 — Willy e Juancho Hernangómez, Darío Brizuela, Joel Parra, Alberto Díaz e Jaime Pradilla — e dois campeões do mundo de sub-19 de 2023, Izan Almansa e Baba Miller. A idade média é de 23.8 anos, com nove jogadores de 25 anos ou menos. Willy Hernangómez, com 117 internacionalizações, será o capitão. Na apresentação, Mateo resumiu a escolha:
«Há uma mistura muito bonita de gente com experiência e gente muito jovem com vontade, todos com um compromisso absoluto. Com a ilusão com que vamos encarar isto, vamos poder competir com duas grandes equipas.»
Mara e Miller são as duas estreias absolutas. Aday Mara, poste de 2.21 metros, foi o primeiro espanhol a vencer o campeonato da NCAA, esta época, ao serviço de Michigan, e foi escolhido na 12.ª posição do draft pelos Oklahoma City Thunder; Miller foi escolhido com a 36.ª escolha, pelos Los Angeles Clippers. Sergio de Larrea, base de 20 anos selecionado na 25.ª escolha, junta-se em Dallas a Santi Aldama, que regressa à seleção após uma artroscopia ao joelho direito em março. Hugo González, chamado já em junho, foi o único dos cinco a alinhar na janela de julho, frente a Dinamarca e Geórgia.
De Las Vegas para Saragoça
Há uma ligação a Boston nesta história. Na semana passada, Neemias Queta esteve na Summer League de Las Vegas — não a jogar, mas como visita, depois de assinar a extensão de quatro anos e 56 milhões de dólares (47,5 milhões de euros) com os Celtics no início do mês. Na equipa de verão de Boston alinhou Hugo González, escolhido com a 28.ª pick do draft de 2025 e a entrar na segunda época na NBA, com um papel esperado bem mais amplo após a saída de Jaylen Brown.
Foi em Vegas que González antecipou o reencontro. O extremo falou da hipótese de, em algumas posses de bola, ter que defender Neemias:
«Vou dar-lhe uma tarefa difícil e tentar apanhá-lo em todas as situações que puder. É um grande jogador, de certeza que nos vai dar trabalho, mas nós vamos tentar ganhar.»
O precedente de Málaga
Há um ano, também em agosto, Portugal bateu a Espanha pela primeira vez na história: 76-74, em Málaga, a 5 de agosto de 2025. Neemias, saído do banco, terminou com 17 pontos, 9 ressaltos e 28 de valorização, e afundou para selar o resultado a 3.8 segundos do fim. Mas era um particular de preparação para o EuroBasket, com Sergio Scariolo no banco espanhol, e o próprio selecionador português, Mário Gomes, travou de imediato a euforia: «Não acho que tenhamos feito história.»
A 28 de agosto, o contexto é outro. O jogo é oficial, vale pontos para o apuramento para o Mundial, e a Espanha vai a jogo com Chus Mateo no banco, que sucedeu a Scariolo depois do EuroBasket, e com os cinco jogadores da NBA.
O Grupo I e a estatística
Espanha e Portugal partilham o Grupo I com Ucrânia, Montenegro, Grécia e Geórgia; apuram-se as três primeiras para o Qatar. A Espanha lidera, com 11 pontos, à frente de Ucrânia e Montenegro (10) e do trio Portugal, Grécia e Geórgia (9). Portugal aparece em quarto, à frente de gregos e georgianos pela diferença de pontos.
A estatística ajuda a medir o adversário. Nos ciclos de 2019 e 2023, segundo dados da FIBA, as seleções que fecharam a primeira fase com 3-3 apuraram-se para o Mundial em 27% dos casos, e as de 4-2 em 75%. Nenhuma equipa com 5-1 ou 6-0 falhou alguma vez o apuramento e a Espanha chega a esta fase precisamente com 5-1.
Nem por isso é intocável. A única derrota espanhola aconteceu em Tbilísi, no início deste mês, onde a equipa desperdiçou uma vantagem de 22 pontos e perdeu no prolongamento com a Geórgia de Tornike Shengelia, autor de 37 pontos nessa noite. É essa Geórgia que Portugal recebe em Matosinhos a 31 de agosto, três dias depois de Saragoça. São os dois primeiros de seis jogos que decidem o lugar no Qatar.




