Clara Silva no Elite Eight, Rúben Prey eliminado com o jogo da carreira
A poste de Faro está a 40 minutos da primeira Final Four de TCU. O extremo-poste de Paço de Arcos saiu do torneio com quatro triplos em quatro tentativas e uma polémica por resolver.
Clara Silva continua no March Madness. Rúben Prey não. Os dois portugueses que chegaram ao Sweet Sixteen percorreram caminhos opostos no segundo fim-de-semana do torneio, mas ambos deixaram marca.
Clara Silva a 40 minutos da Final Four
TCU bateu Virginia 79-69 no Sweet Sixteen com uma exibição dominante da base Olivia Miles (28 pontos, 10 ressaltos, 7 assistências) e da extremo espanhola Marta Suarez (33 pontos — máximo de carreira —, 10 ressaltos). Clara Silva contribuiu com 8 pontos, 8 ressaltos e 3 desarmes de lançamento numa vitória em que as Horned Frogs foram superiores no interior — 38-27 no total de ressaltos — e resolveram o jogo no terceiro período com um parcial de 17-4 que acabou com qualquer esperança de Virginia.
A prestação da poste portuguesa no torneio tem sido de crescimento progressivo. Contra UC San Diego, 13 pontos e 11 ressaltos. Contra Washington, 16 pontos em 6-8 de campo e os dois cestos decisivos na reviravolta em prolongamento. Contra Virginia, uma primeira parte apagada, mas um contributo sólido nos ressaltos e na defesa interior na segunda parte. No acumulado da época — incluindo o torneio — soma médias de 9.2 pontos, 7.5 ressaltos e 1.8 desarmes de lançamento, o segundo melhor registo na conferência Big 12.
Há uma história por detrás da presença de Silva em TCU que esta segunda-feira ganha todo o sentido. Em dezembro de 2024, South Carolina derrotou as Horned Frogs por 85-52 em Fort Worth. O treinador Mark Campbell observou o jogo e chegou a uma conclusão: a equipa precisava de mais tamanho. No verão seguinte, foi ao transfer portal e trouxe Silva (de Kentucky) e Kennedy Basham (de Arizona State), ambas de 1.98 metros. TCU é hoje a equipa mais alta do país por altura média: 1.89 metros. E, também por isso, liderou a Big 12 em ressaltos durante a época regular.
Esta segunda-feira, em Sacramento, TCU (32-5) enfrenta South Carolina (#1 seed, 34-3) pelo lugar na Final Four. É o primeiro encontro entre as duas equipas após o tal jogo de 2024. Na antevisão à partida, Campbell foi claro ao traçar o papel da atleta natural de Faro:
«Há três áreas. Ressaltos — se elas nos dominarem na tabela e conseguirem lançamentos fáceis no segundo toque, não temos hipótese. Defesa no poste baixo — as postes de South Carolina são das melhores do país e temos de as suster sem cometer faltas desnecessárias. E ofensivamente, ela é alta e móvel e temos de a utilizar no pick-and-roll.»
South Carolina tem cinco jogadoras com médias de dois dígitos, lideradas por Joyce Edwards (19.6 pontos, 6.5 ressaltos). Bateram Oklahoma por 94-68 no Sweet Sixteen. A treinadora Dawn Staley disse que o plano passa por acelerar o ritmo e pressionar Miles. É exactamente aí que o papel de Silva pode ser determinante: segurar o jogo no interior, dominar as tabelas e ser uma opção real no pick-and-roll com Miles quando South Carolina fizer 2x1 sobre a base.
Rúben Prey assina jogo da carreira, mas viu segunda parte no banco
No torneio masculino, St. John’s perdeu frente a Duke (80-75) no Sweet Sixteen, em Washington D.C., depois de ter liderado por 10 pontos na segunda parte. Rúben Prey foi o jogador mais quente em campo na primeira parte e passou quase toda a segunda no banco.
O extremo-poste de Paço de Arcos entrou para a história do programa com a melhor exibição da sua carreira universitária: 12 pontos em 4-4 de três pontos, o máximo pessoal na NCAA, e um desarme de lançamento a Cameron Boozer, prospect apontado ao top-3 do draft da NBA. Os primeiros nove pontos vieram na primeira parte, em que acertou três triplos consecutivos que ajudaram St. John’s a recolher aos balneários na frente (40-39). Quando Duke abriu a segunda parte a marcar os cinco primeiros pontos e St. John’s entrou de novo em seca ofensiva, Prey voltou e acertou o quarto triplo para colocar os Red Storm na frente por 53-44, a maior vantagem da noite. Depois, foi retirado com 13’29” para o fim e não voltou a entrar até aos últimos 32 segundos da partida, já com o resultado definido.
A decisão de Rick Pitino gerou polémica imediata. O New York Post promoveu a sua cobertura da conferência de imprensa com a frase: «Descubra porque é que Ruben Prey não jogou na segunda parte». Nas redes sociais, adeptos de St. John’s e jornalistas desportivos questionaram unanimemente a opção do treinador.
Pitino não explicou directamente a decisão, mas defendeu a estratégia global da equipa: «Sentimos que tínhamos de ganhar a linha de três pontos de forma clara para ter alguma hipótese neste jogo e conseguimos.» O resultado confirma a ironia: St. John’s acertou 13 de 32 triplos, Duke apenas 5 de 14. O melhor lançador de três na noite foi Prey, com 100% de eficiência. Duke venceu na mesma.
Para além da polémica, o que fica é a dimensão da noite de Prey no contexto da sua carreira. Em toda a época regular, tinha acertado apenas 11 triplos em 20 tentativas e marcado uma média de 4.1 pontos. Contra a equipa #1 do torneio, no Sweet Sixteen, acertou em quatro em quatro e marcou 12 pontos. Pitino reconheceu que Prey e os restantes companheiros «jogaram com grande coração» e descreveu esta equipa como «a mais única que treinei em 52 anos». Prey está elegível para regressar na próxima época e Pitino já prometeu que o português vai ser titular.
St. John’s terminou 30-7, bicampeã da Big East (fase regular e torneio) e no Sweet Sixteen pela primeira vez desde 1999. Uma época histórica para o programa. Para Prey, fica a certeza de que tem nível para momentos grandes e a pergunta de quanto mais poderia ter feito se tivesse tido mais tempo no jogo mais importante da sua carreira.






