Boston reforça jogo interior com Mitchell Robinson no mesmo dia em que troca Jaylen Brown
O poste campeão pelos New York Knicks, contratado pela mid-level exception, mexe diretamente com o espaço do português Neemias Queta.
Os Boston Celtics contrataram Mitchell Robinson, antigo poste dos campeões New York Knicks, por três anos e 47.4 milhões de dólares, com player option na terceira época — a resposta mais concreta, até agora, à pergunta que persegue o verão de Neemias Queta: que concorrência interna terá o português em 2026/27?
O negócio, fechado na quarta-feira através da mid-level exception, aconteceu no mesmo dia em que Boston trocou Jaylen Brown por Paul George e quatro escolhas de draft — uma das maiores notícias da offseason da NBA, mas uma que pouco mexe, na prática, com o frontcourt onde o português se afirmou como titular esta época.
Robinson e a mid-level exception
Oito épocas nos Knicks, que o escolheram na segunda ronda do draft de 2018, deixam Robinson com médias de carreira de 7.5 pontos e 8.0 ressaltos em quase 24 minutos. Na última época foram 60 jogos, o máximo desde 2022/23: 5.7 pontos, 8.8 ressaltos e 1.2 desarmes em 19.6 minutos, com 4.2 ressaltos ofensivos por jogo — segundo melhor registo da liga. Nos playoffs, como suplente de Karl-Anthony Towns na conquista do título pelos Knicks, somou 4.8 pontos e 5.5 ressaltos em 13.9 minutos, incluindo o regresso de uma fratura no dedo mindinho da mão direita entre a final de conferência e as Finais da NBA.
A taxa de ressalto ofensivo de carreira, 17.2%, iguala a de Dennis Rodman. A disponibilidade é a reserva óbvia: uma média de 42 jogos por época nas últimas quatro épocas regulares. E há uma ironia à espera na troca de posição: Robinson é ele próprio um lançador livre dos mais fracos da história da liga, ao ponto de ter sido alvo, nos playoffs de 2025, da mesma tática de faltas intencionais — ‘Hack-a-Mitch’ — que Boston lhe aplicava para o tirar do jogo.
Não é claro, para já, se Robinson chega para render Queta no cinco inicial ou para lhe dar descanso a partir do banco de suplentes. A própria NBA.com, ao noticiar o negócio, escreveu que não está definido se a contratação visa um lugar no cinco inicial ou se Robinson parte atrás do português, que foi titular em 75 dos 76 jogos que disputou esta época e está perfeitamente adaptado ao sistema de Joe Mazzulla. O primeiro depth chart divulgado pela ESPN coloca Robinson à frente de Queta na posição de poste, mas é uma projeção automática feita com base no estatuto dos dois jogadores, não uma hierarquia anunciada pelos Celtics.
A contratação lê-se, sobretudo, como resposta à limitada rotação interior de Boston e eventualmente ao problema de faltas de Neemias na eliminatória da primeira ronda frente aos Philadelphia 76ers. Nesses jogos, Boston recorreu a Nikola Vučević como suplente principal, mas o montenegrino foi suficientemente ineficaz para ser afastado por completo no jogo 7. Vučević, que os Celtics tinham ido buscar a Chicago a meio da época passada numa passagem condicionada por lesão, saiu entretanto em free agency para os Orlando Magic.
A saída de Jaylen Brown
A contratação de Mitchell Robinson não foi, isoladamente, a maior notícia do dia. Horas depois, Boston fechou um dos negócios que dominam esta offseason: a troca de Jaylen Brown para os Philadelphia 76ers, avançada por Shams Charania, da ESPN.
Os Celtics recebem Paul George, uma escolha de primeira ronda de 2028 — que pode converter-se num swap mais favorável a Boston —, uma escolha de primeira ronda de 2031 (de Philadelphia, sem proteção) e duas escolhas de segunda ronda: 2028, a melhor entre Golden State, Oklahoma City e Milwaukee, e 2030, a melhor entre Washington, Portland e Phoenix.
Brown, de 29 anos, sai depois de dez épocas, cinco vezes All-Star e MVP das Finais de 2024; na última época, a melhor da carreira, registou médias de 28.7 pontos, 6.9 ressaltos e 5.1 assistências, e foi 6.º na votação para MVP. Tem um contrato de 57.1, 61.0 e 64.9 milhões de dólares nas próximas três épocas, e ficaria elegível, a 26 de julho, para uma extensão de dois anos e 141.9 milhões — valor que Boston evita ao fechar este negócio.
George, de 36 anos, chega com 54.1 milhões nesta época — dentro de um contrato de quatro anos e 212 milhões assinado com Philadelphia em 2024 — e uma player option de 56.6 milhões em 2027/28. As duas épocas em Philly foram atribuladas: lesão no joelho e uma suspensão de 25 jogos, a 31 de janeiro, por violação do Programa Antidroga da NBA/NBPA. Na última época, em apenas 37 jogos, somou 17.3 pontos, 5.3 ressaltos e 3.6 assistências.
No imediato, a troca poupa pouco a Boston — 2.9 milhões de dólares nesta época, segundo o analista Keith Smith, via Spotrac —, com a diferença real só a aparecer em 2028/29, quando o contrato de George já tiver expirado.
O negócio surge depois da falhada investida a Giannis Antetokounmpo e a reação imediata foi de surpresa generalizada: ESPN e The Athletic avaliam-no de forma semelhante, nota baixa para Boston, alta para Philadelphia. Do lado dos números avançados, há um debate sobre se Brown estava sobrevalorizado pela produção bruta, como detalha o retrato de Tom Haberstroh, na Yahoo Sports.
O resto do dia
Mike Conley, cujo acordo por uma época já tínhamos avançado, torna-se o 14.º jogador da história da NBA a chegar a 20 épocas — um de apenas quatro ainda em atividade da turma de draft de 2007, ao lado de Kevin Durant, Al Horford e Jeff Green.
A procura por um poste de topo esfria, para já: a mid-level exception que a viabilizaria está gasta em Robinson. A trade exception de 27.7 milhões, gerada na troca de Anfernee Simons, continua disponível para um negócio maior, mas sem a mesma urgência.
Para Neemias Queta, o essencial não mudou: último ano de contrato, sem extensão fechada. O que mudou foi o colega de posição e a pergunta sobre qual dos dois será titular em outubro.










