Boston Celtics procuram poste titular no mercado
Brad Stevens ofereceu Anfernee Simons e duas escolhas de draft por Ivica Zubac, em dezembro. Proposta revela estratégia agressiva que coloca titularidade do português em questão.
Falta uma semana para o trade deadline da NBA e os Boston Celtics não escondem as intenções: querem reforçar a posição de poste. Shams Charania, insider da ESPN, confirmou no programa Pat McAfee Show que a abordagem será “agressiva”, e esta quarta-feira o site HoopsHype revelou duas propostas concretas que mostram até onde Brad Stevens, presidente das operações dos verdes, está disposto a ir.
A primeira aconteceu no início da época. Os Chicago Bulls contactaram Boston para oferecer Nikola Vučević em troca de Anfernee Simons e uma escolha de primeira ronda. O negócio baixaria a fatura fiscal dos Celtics, que estão 4 milhões de dólares acima do first apron e 12.1 milhões de dólares acima do luxury tax, mas a resposta foi negativa. A recusa deixa claro que Stevens não quer vender Simons apenas para poupar dinheiro e que o veterano montenegrino, apesar das médias de 16.8 pontos e 9.1 ressaltos, não representa melhoria face ao gigante do Vale da Amoreira.
A segunda proposta revela o verdadeiro alvo. Quando os Los Angeles Clippers atravessavam uma crise perto do Natal — seis vitórias e 21 derrotas nos primeiros 27 jogos —, Boston ofereceu Simons, uma escolha de primeira ronda e um pick swap futuro por Ivica Zubac mais contratos para igualar salários. Segundo Michael Scotto, do HoopsHype, que cita fontes da liga, a proposta “não ganhou tração”, mas confirma que Stevens está disposto a pagar duas escolhas de draft pelo poste certo.
Zubac continua a ser o favorito. O croata de 28 anos apresenta médias de duplo-duplo nas últimas duas épocas, integrou a All-Defensive Second Team em 2024-25 e tem contrato até 2027-28. O problema é a engenharia financeira: os Clippers estão com hard cap na primeira linha do apron, o que impede uma troca direta e obriga a envolver uma terceira equipa.
A lista de alvos que surgiram em rumores nas últimas semanas inclui ainda Jaren Jackson Jr. (Memphis Grizzlies), Nic Claxton (Brooklyn Nets), Onyeka Okongwu (Atlanta Hawks), Daniel Gafford (Dallas Mavericks), Robert Williams III (Portland Trail Blazers), Yves Missi (New Orleans Pelicans) e Nick Richards (Phoenix Suns). Mas saber que Boston está disposto a entregar duas escolhas de draft revela uma tentativa séria de fechar negócio.
O paradoxo que Brad Stevens tem de resolver
A procura acontece num momento paradoxal. Neemias Queta consolidou o estatuto de poste titular legítimo na NBA com números que poucos antecipavam. Apresenta um net rating de +9.9, o terceiro melhor da Conferência Este entre jogadores com mais de 20 minutos por jogo, apenas atrás de Cade Cunningham (Detroit Pistons) e Miles McBride (New York Knicks).
Os números colocam-no entre a elite, o impacto nos ressaltos ofensivos ajudou Boston a subir do 18.º para o 7.º lugar em offensive rebound rate, e a capacidade de criar vantagens através de bloqueios diretos tornou-o peça estrutural do ataque.
Na última edição do Queta Report, o analista Martim Pardal apresentou dados que colocam o internacional luso entre os melhores da liga norte-americana quando se agregam as principais métricas de impacto:
«O Neemias está no percentil 86 da liga. Isto é da liga inteira, todos os jogadores. Entre postes, está apenas atrás do Wemby e do Jokić. Mesmo ajustado a posses de bola, passou de um ressaltador médio para um ressaltador de altíssimo nível, alguém que se destaca na liga.»
«Defensivamente, o valor do Neemias é gigante. É por isso que a equipa tem tido o sucesso que tem na defesa. Deve-se muito a ele e ao Hugo (González), que são os dois jogadores que estão a carregar os minutos defensivos desta equipa.»
Mas os números, por melhores que sejam, não resolvem a questão estrutural que Stevens enfrenta: construir um candidato ao título sustentável se (e quando) Jayson Tatum regressar e preparar a equipa para séries longas de playoffs, onde o perfil de um poste titular pode definir o sucesso ou o fracasso.
Pressão interna e movimentos complementares
Enquanto procura soluções no mercado, Boston tem alternativas internas a desenvolver. Luka Garza consolidou-se como suplente de Neemias e Amari Williams, rookie escolhido na segunda ronda de 2025, tem sido aposta recente nas ausências por doença de Queta e Garza.
Nos Maine Celtics, a afiliada de G League, Amari apresenta médias de 12.1 pontos, 10.1 ressaltos e 5.1 assistências, com 60.5% de eficácia nos lançamentos de campo. É o poste mais recente escolhido no draft pelos Celtics desde Robert Williams III, em 2018, e Joe Mazzulla já demonstrou não ter medo de usar rookies quando vê potencial — Hugo González é exemplo disso.
Com Garza e Amari a produzir como alternativas a Neemias, Boston pode explorar o mercado para Chris Boucher e Xavier Tillman, dois bigs com minutos residuais. Segundo o HoopsHype, Boucher despertou interesse exploratório de Atlanta Hawks, Philadelphia 76ers e Phoenix Suns.
Outro nome surgiu nas últimas horas associado aos Celtics: Keon Ellis. De acordo com o jornalista James Ham, do podcast Locked On Kings, os Celtics estão entre quatro equipas que contactaram os Sacramento Kings pelo extremo de 26 anos, juntamente com New York Knicks, Indiana Pacers e Minnesota Timberwolves.
Especialista defensivo e atirador de perímetro com 41.4% de eficácia nos triplos ao longo da carreira, Ellis partilhou balneário com Queta nos Stockton Kings e na equipa principal dos Kings na época 2022-23. Mas, ao contrário dos postes mencionados, Ellis é jogador de perímetro e não compete com Neemias.
Próximos sete dias definem futuro
Com sete dias até ao trade deadline e pouco mais de duas semanas até ao All-Star Weekend, os Celtics enfrentam três cenários possíveis.
No primeiro, Boston fecha um grande negócio, idealmente por Zubac ou outro poste de nível alto. Neemias regressa ao banco, assumindo o papel de sexto homem ou arma tática consoante o matchup. A equipa ganha profundidade, versatilidade e uma peça que Stevens acredita poder funcionar em séries longas de playoffs.
No segundo cenário, as dificuldades financeiras impedem um acordo e os Celtics mantêm o plantel. Queta permanece titular, Garza suplente, e Amari Williams continua a desenvolver-se e a pressionar por minutos. Boston avalia a situação quando Tatum regressar. Existe ainda a possibilidade de renovar Simons a começar nos 15 milhões de dólares anuais — um valor mid-level que lhes daria um marcador de pontos a sair do banco num contrato muito negociável para o futuro.
No terceiro, Boston faz movimentos menores, eventualmente trazendo Ellis ou outra peça complementar, e adia decisões maiores para o Verão. Stevens já admitiu que prefere não comprometer a flexibilidade a longo prazo por uma solução de curto prazo que não ofereça garantias reais.
Na NBA, nem sempre os melhores números garantem o lugar. Stevens tem de equilibrar o desempenho presente com a adequação futura, a sustentabilidade financeira com a ambição competitiva, e a lealdade a quem produziu com a responsabilidade de construir um contender verdadeiro.
Nos próximos sete dias, vamos saber se Boston acredita que Neemias Queta é o poste titular desse contender ou se vai procurar no mercado aquilo que já tem em casa.





E agora com a semi-bomba do possível “não-regresso” do JT, isto fica um pouco mais confuso. A minha aposta? Se o JT já não voltar, fica tudo na mesma (troca para fazer reset do tax e Quetao como poste titular). Ou então ele volta e fazem uma troca para aumentar a profundidade dos postes e o Luka Garza passa a ser o “abanador de toalhas” oficial em playoffs lol