VHS #8 | O passe como argumento
Uma ligação nascente em Cleveland, um miúdo com afro que distribui com alegria, e uma promessa que regressa com sinais encorajadores.
Esta edição de VHS não precisa de muito contexto: três playmakers com capacidade de passe que nenhuma linha estatística consegue explicar. Um veterano que chega a meio da temporada e muda imediatamente o perfil de um ataque, um jogador de segundo ano com cabelo afro que trata a bola como se a alegria fosse obrigatória, e um base que, quando acelera, faz lembrar o tipo de jogador que pode ser quando tiver espaço e tempo suficientes para errar antes de explodir.
James Harden e Jarrett Allen: ligação em construção
James Harden chegou a Cleveland no trade deadline e os Cavaliers venceram cinco dos seis jogos disputados desde então. A correlação não é coincidência.
O que os primeiros jogos revelam é um 2-man game a ganhar consistência: Harden encontrou em Jarrett Allen o tipo de finalizador que o liberta para fazer o que melhor sabe. O poste dos Cavaliers oferece presença física no pintado, mãos seguras e capacidade de selar o defensor no bloqueio — o perfil que Harden prefere para ditar o ritmo do pick-and-roll ou no dunker spot sem ter de apressar decisões. Após a vitória sobre os Brooklyn Nets, o base foi específico:
«Estando de fora, posso dizer que ele é melhor do que eu pensava — consegue receber a bola e finalizar perto do cesto com ambas as mãos. Tem bom ‘touch’ na área restritiva e esse é provavelmente o aspeto mais subvalorizado do seu jogo.»
A ligação faz lembrar a que o ‘barbudo’ construiu com Ivica Zubac nos Los Angeles Clippers: não pela semelhança dos bloqueadores, mas pela forma como Harden se apoia num interior para gerir o jogo com calma e criar vantagens antes de qualquer defesa conseguir organizar a resposta.
A amostra é pequena, mas a sintonia está a crescer.



