Scouting report: Alex Sarr
O apetecível big moderno, a tenra idade, o perfil atlético trabalhável, a promessa ofensiva e a produção por minuto numa competição respeitável são bullet points que jogam todos a seu favor.
BIO
ANÁLISE DETALHADA
Atletismo
Atleta especial, na senda de outros prospects recentes, na maneira como conjuga grande mobilidade e fluidez com puro tamanho.
As medidas oficiais são 2,16 m com uma envergadura de 2,26 m, que lhe permitem cobrir espaços num court de basquetebol como poucos conseguem. Tem pernas compridas, centro de gravidade alto, mas força de core razoável. É raro vê-lo perder o equilíbrio no espaço, o que não é usual para este tipo de 4/5 longo.
Aliadas a estas medidas estão as movement skills, com grande graça e fluidez a “bailar”, seja a deslizar este/oeste no espaço, a trocar de direcção/virar as ancas em ângulos difíceis, bem como velocidade e muito boa aceleração de ponta em linha recta, que se evidencia bastante em transição. Tem um burst aceitável a sair do chão, especialmente fazendo a chamada a partir dos dois pés, mas mais do que o poder de impulsão, é a facilidade e rapidez com que sai do chão em sucessivos saltos.
Apesar da tape de 23/24 não ser madrasta nesse sentido, é evidentemente um jogador limitado no contacto físico. Não é especialmente largo, mas não lhe falta musculatura nos ombros superiores. Posicionalmente, perde bastante na ausência de força nos membros inferiores.
Em termos de historial de lesões, lidou com uma lesão na anca que o deixou no estaleiro nas primeiras semanas de 2024, depois de um escorregão num jogo da NBL. Fora disso, não existe um historial de lesões nos pés ou joelhos, que tendem a assolá-los neste tipo de fisionomia.
Criação ofensiva
Big com um pacote de habilidades crescente. Num percentil mediano de desenvolvimento, é crível que venha a ser um bom closeout attacker/play finisher, possivelmente um criador ocasional a partir do elbow/perímetro, caso a sua curva evolutiva ultrapasse isso.
A maior parte da sua criação no perímetro vem de movimentos de penetração após a recepção, sendo raríssimo vê-lo a jogar no 1v1 em situações de half-court. Para alguém tão alto, tem bom drible, confiante, criativo a conjugar múltiplos crossovers e a atirar uns hop steps e spin moves pelo meio (adora spin moves). Esta destreza técnica, aliada ao first step longuíssimo, tornam-no alguém que facilmente bate o closeout e ultrapassa a primeira linha da defesa, colapsando o miolo. Quando lá chega, mostra o seu reportório de shot-making, com fade Js, hop-step jumpers e step-sides.
Sabe controlar o seu ritmo, mas não tem tanta confiança a atacar pela esquerda, e existe uma declarada tendência para iniciar a passada/pegar no drible demasiado longe do cesto. Decide mal a partir do momento em que a defesa colapsa em cima de si e tem de substituir os jumpers contestados de meia distância por layups à volta do aro — em 28 posses de catch-and-drive, só 7 FGs foram layups. Para alguém tão grande e dotado, é um jogador pouco afirmativo, que protege mal a bola e se encolhe e precipita a jogar no meio das árvores, raras vezes atacando o peito do protector do cesto antes de finalizar.
É muito usado como DHO hub, e é aí que invariavelmente brilha. Sabe perfeitamente quando entregar (entende o ângulo/timing do passe e do bloqueio) ou fingir o passe e pôr a bola no chão, atacando o espaço interior com grande conforto de drible, fluidez corporal e agilidade. Emparelhá-lo a um ball-handler com pull-up gravity pode ser um passo importante para desabrochar o seu pacote atacante.
É, acima de tudo, um projecto. Apenas produz 0,89 pontos por posse (PPP) neste tipo de situações ofensivas, mas a tape na Austrália é a de alguém que tem tijolos muito interessantes para construir qualquer coisa.
A sua produção ofensiva no poste intermédio/poste baixo é praticamente inexistente — ao contrário do que acontece no perímetro, o treinador dos Wildcats raras vezes corre jogadas para Sarr receber a laranja enquadrado no interior.
Tendo em conta a fisionomia do francês, especialmente a falta de força de base, não é expectável que alguma vez venha a ser usado como criador (ou distribuidor) a partir do interior. É-lhe pouco natural procurar aninhar-se e oferecer linhas de passe. Mesmo que o faça, é-lhe difícil criar espaço no embate físico.
Das poucas vezes que recebe em condições no poste baixo/intermédio, gosto da maneira como age rápido, virando sobre o pé de apoio para encarar e atacar o defensor no drible, fazer o movimento inverso para o disparo à retaguarda ou, mais perto do cesto, subir para o hook. Não tem grande técnica neste tipo de ganchos, porém. Falta-lhe algum touch (mais sobre isto mais tarde), e o facto de ser atirado aqui e acolá por defensores mais beefy faz com que facilmente perca o equilíbrio a subir para o layup, ou até o controlo do drible antes de lançar.
Lançamento
Atirador inconsistente, que não tem os números para convencer avaliadores de que vai ter sucesso futuro, mas que apresenta confiança e versatilidade que abonam a seu favor.
Os números crus, como disse acima, não são entusiasmantes em termos de sucesso de conversão — 28,3% em 2,5 triplos/jogo, 63% FT em 2,6 tentativas. Se olharmos para 22/23, na Overtime Elite, as melhorias foram marginais — 25,5% 3FG, 66% em LLs.
Partindo por tipologias, mesmo em triplos catch-and-shoot, grande parte da sua dieta e vital para a sua evolução/arquétipo, as percentagens estão apenas acima dos 30:
Catch-and-shoot 3s: 31,7% (41 FGAs)
Non-paint pull-up jumpers: 23,5% (17 FGAs)
Uncontested 3s: 36,4% (11 FGAs)
A mecânica, isolada, tem coisas boas — release point alto, bem rápido e difícil de contestar. Não hesita em disparar no momento da recepção, o que, a meu ver, é sempre bom indicador quando se tenta prever a progressão de um prospect como atirador. Alguém confortável a armar o lançamento, mesmo sem ser especialista, vai sempre puxar o closeout e contribuir para o espaçamento ofensivo.
Ainda assim, existe alguma bizarria no disparo. Traz a bola bem abaixo e flecte o ombro direito para dentro no momento de armar o tiro, num ângulo pouco natural e que talvez afecte a transferência de força para o disparo. Mete imensa mão esquerda na bola e trá-la bem acima da cabeça. Os pés também não são 100% consistentes e há consolidação a fazer assim que chegue à NBA, para tornar o gesto mais repetível.
Para um “futuro lançador”, tem um número considerável de falhanços feios (front rims, outros que nem tocam no aro) e o arco muda muito de tentativa para tentativa.
A confiança que tem no J vai para além da ausência de hesitação na armação: mede-se também na maneira como é experimental com tentativas off-the-dribble. Tem grande facilidade e fluidez a transitar do drible para o tiro, quando enquadrado, mas também com a base em desequilíbrio (a atacar com o ímpeto para a direita, em arranca-para, em marcha-atrás). Como já disse, adora atacar o closeout com um one-two fadeaway pull-up J.
Não me parece líquido que vá ser um atirador; dar-me-ia por satisfeito se estabilizasse como “bom o suficiente” para espaçar decentemente. Se a sua posição a longo prazo for a de 5, isso é mais do que ok.
QI e selecção de lançamento
Como finalizador de ataque assistido, entende claramente o seu papel e decide de acordo com isso, mas tem de trazer essa clareza de mente e tomada de decisão para quando tem oportunidade de criar com bola.
Essencialmente usado como roller/popper, no dunker spot ou em cortes, Sarr pisa os espaços certos, lê bem a defesa no momento do bloqueio e não perde tempo a finalizar, quando a oportunidade se apresenta. Raras vezes quebra o ritmo e não comete demasiados turnovers de decisão.
Traz essa mesma decisão e velocidade de execução, mas é mais falível ao atacar closeouts, onde demonstra uma paixão por finalizar grande parte das penetrações em drible com jumpers contestados na linha de lance livre que não é normal para alguém do seu tamanho. Mais do que mau processamento/“falta de inteligência”, talvez o problema seja técnico (desconforto com passadas curtas em drible) ou físico (falta de força para navegar o trânsito do pintado), mas más decisões são más decisões, independentemente da raiz da questão.
Nota positiva para a facilidade com que distribui a bola no meio-campo ofensivo. A visão e colocação de bola variam no sucesso, mas entende defesa, ajudas e timings de passe.
Passe
Passador promissor, com flashes muito interessantes a distribuir como DHO hub, short-roller e vector de transição.
Em termos técnicos, Sarr tem um perfil já bem avançado para um big de 18 anos. Há coisas muito boas a mencionar, nomeadamente a facilidade com que tenta e conecta passes a partir do drible vivo, com qualquer uma das mãos, não apenas os fáceis, mas também alguns de alta dificuldade e belo efeito.
A sua altura é uma evidente vantagem e permite-lhe “ver por cima da defesa” e ter linhas de passe que poucos têm à disposição. Contudo, nem tudo é bom na execução: falha vários passes onde simplesmente mete demasiada força na bola e compromete a precisão.
Tal como na execução, Alex Sarr é inconsistente na visão e timing do passe. De grosso modo, quando joga enquadrado dentro de um ângulo de 180º, tem facilidade em encontrar colegas, mas deixa muitos passes em cima da mesa quando joga de costas, o que não é inesperado para um adolescente.
Muito por causa disto, é excelente passador no elbow (DHO, particularmente), misturando organicamente a ameaça da sua penetração em drible, a entrega e bloqueio para o ball-handler e o passe picado para as costas da defesa. Pesa opções com agilidade de pensamento, lendo intenção do colega e dos defensores deste two-man game. Com menos brilhantismo, mas também potencial, no pick-and-roll, como short-roll passer, e tornar-se-á ainda melhor quando as defesas respeitarem mais a sua gravidade a afundar depois do bloqueio.
Onde claudica é a tentar distribuir no poste baixo/intermédio e como hub na linha de lance livre, onde as suas limitações a ver o jogo sobressaem.
Finalização
Uma das claras áreas a melhorar — não é um bom finalizador à volta do cesto, o que é uma red flag para alguém que terá papel de válvula de descompressão atacante nos primeiros tempos na liga.
Na teoria, as ferramentas físicas descritas no início são positivos, especialmente a rapidez do 1.º e 2.º salto, conjuntamente com altura + envergadura. O burst vertical não é nada por aí além e tem efectivas dificuldades a jogar na força/finalizar após contacto, mas o que mais preocupa é a (falta de) qualidade das mãos — muitas vezes perde a bola no momento da recepção, não sei se por má coordenação olho/mão, se por fraqueza de mãos, mas é recorrente.
Como mencionei, os números de finalização no pintado preocupam: 49% em tentativas de não-transição na NBL são valores baixíssimos, especialmente quando comparado com prospects recentes de arquétipo semelhante. Poderíamos pensar numa adaptação física a uma liga mais possante, mas no Mundial U19 Sarr lançou 42% da mesma área contra competição da idade. Muitas vezes simplesmente não joga com a força e decisão esperadas.
Também não me parece ter grande touch à volta do vidro e há outras áreas de técnica fundamental a melhorar, seja desenvolver a mão esquerda, que mal usa, seja aprender a usar a off-hand para escudar as tentativas.
Algumas destas coisas são melhoráveis/ contexto, e o défice de força vs. competição trata-se na NBA, mas este arquétipo ofensivo costuma vir equipado com um chão mais alto do que Sarr está preparado para oferecer, tendo em conta as dificuldades enumeradas — e que certamente não desaparecerão no primeiro embate na Association.
Ataque assistido/sem bola
Apesar das dificuldades a finalizar no pintado, peão extremamente útil como play finisher e bloqueador, muito devido ao tamanho/atletismo, inteligente ocupação de espaços e dinamismo com bola.
No pick-and-roll, Sarr tem potencial para ser um rim runner de grande qualidade. A sua altura, fluidez/velocidade a desbloquear e alargado raio de influência para receber passes abonam a favor. Para além disso, é já hoje o tipo de big que pode receber o passe 1–2 dribles antes do momento de rematar, dado o relativo conforto com bola.
Dito isto, não é um bom bloqueador, quase sempre aplicando ghost ou slip screens, que o ajudam a rollar cedo, mas quase nunca permitem ao portador obter separação considerável. A má qualidade das mãos na recepção também tende a atrasar o timing dos mergulhos e talvez ajude a explicar a infrequência com que é usado para finalizar P&Rs em Perth — apenas 19 posses em 23/24, muitas vezes a partir de sets de two-big horns que também não lhe facilitam o trabalho.
No pick-and-pop e no catch-and-shoot, o sucesso do francês estará sempre associado a confirmar-se como atirador confiável. Já escrutinei acima — a confiança e release point são indicadores positivos, tal como a facilidade para poppar para qualquer um dos lados e enquadrar a base com o aro no momento do tiro. A maneira como mescla outras opções da triple-threat na recepção ajuda no que pode ser como arma.
Onde Alex demonstra melhores números é como cutter e no dunker spot. O jovem poste paira sorrateiramente na linha de fundo e mostra inteligência e timing no momento de acompanhar a penetração e oferecer opções de passe na altura exacta, subindo para o afundanço com grande rapidez.
Também em transição é peça perigosa, tendo na NBL a liberdade para ressaltar e iniciar posse. A passada larga, velocidade de ponta e bom drible tornam-no extremamente ameaçador, seja como trailing big, a fazer leak-out ou vestindo o papel de contra-ataque de um homem.
Ressalto
Apesar das claras dificuldades a jogar no contacto físico à volta do aro, saio agradado com o que faz em jogo.
A falta de força e alto centro de gravidade são contras para aquilo que Sarr é e pode ser como ressaltador. Uma equipa que o escolha terá de estar preparada para sangrar na tabela defensiva, especialmente se o quiser tornar um poste a tempo inteiro. Ainda é algo errático em posicionamento, mas a capacidade para cobrir espaços, a rapidez com que sai do chão e o muito bom motor, incomum neste tipo de 4/5 mais fracos, são predicados valiosos para mascarar o que falta.
Defesa individual
Tal como noutros capítulos, parto em várias coberturas de P&R, defesa no perímetro e no poste baixo.
É na defesa ao P&R que está grande parte do dinheiro com Alex Sarr. Tamanho, agilidade, fundamentos.
A defender drop P&R, as características físicas são excelentes para negociar todos os pontos de pressão: ágil o suficiente para subir e tirar o pull-up a nível do bloqueio; grande e longo para importunar tanto a meia distância como a tentativa no aro. Cada passada, seja lateral, seja em back-pedal, é um hectare de court que Sarr come. A potencial escolha #1 é também muito ágil de ancas, o que lhe permite não descolar de mudanças bruscas de ritmo/direcção do ball-handler. Mãos activas complementam tudo isto.
Há coisas de idade que não são boas, como a tendência para se desposicionar ao subir demasiado perto do nível do bloqueio, várias vezes quase oferecendo uma troca ao adversário e colocando o parceiro de P&R em sarilhos contra postes. Também é apanhado muitas vezes em contrapé por encarar o portador com postura muito vertical, tornando-o demasiado fácil de atacar a partir do drible.
Pick-and-roll handler: 0,65 PPP (23 FGAs)
Pick-and-roll roller: 1,00 PPP (14 FGAs)
Pick-and-pop: 0,64 PPP (11 FGAs)
Para mim, onde Sarr é superlativo é em blitzes/traps e hedges. O coaching staff dos Perth Wildcats dá-lhe alguma liberdade e o francês usa-a para demonstrar toda a agressividade a subir acima do bloqueio e massacrar completamente o portador. Demasiado grande, coordenado e fluido em áreas curtas, com envergadura que dinamita qualquer linha de passe. Também aqui, talvez um pouco agressivo a ficar com a acção e não retroceder, mas com a agilidade lateral e capacidade para recuperar espaço em back-pedal, tem margem para voltar ao primeiro nível que quase ninguém tem.
Muitos destes predicados traduzem-se positivamente quando tem de trocar/defender 1-vs-1 no perímetro. Muito rápido a deslizar lateralmente em áreas curtas, fluido de ancas para mitigar mudanças de direcção. É um pouco ávido de “aceitar” trocas e acaba por ter duelos individuais que não o favorecem nem ajudam a equipa. Tende a oferecer meia passada à penetração para depois fiar-se nos braços para desarmar vindo de trás. Tem de fazer isto menos e conter/absorver no peito; há ocasiões em que permite espaço suficiente para finalizarem apesar da envergadura.
Tem sido protegido de defender no poste baixo — e justificadamente — porque, nas poucas vezes em que enfrentou postes ou extremos mais massudos, as dificuldades para aguentar posição tornam-se evidentes, especialmente pela falta de força de base. É um dos pontos do jogo a ter em conta na construção de plantel para quem o escolher, especialmente se for visto como poste a longo prazo (minha opinião).
Não é apenas força: muitas vezes é batido por spins e moves de finesse por estar distraído ou fora de stance.
Defesa colectiva e protecção de cesto
A outra área onde o potencial de Alex Sarr deixa os scouts a salivar — a híper-móvel protecção de cesto.
Para além da boa produtividade (7,7 Block Rate %) numa liga física e de nível competitivo considerável, vale a pena repisar as “medidas cruas” — 2,16 m, 2,26 m de envergadura, salto super-rápido e mobilidade/cobertura de espaço absurda. Tudo isto lhe permite chegar de X a Y com facilidade e, se necessário, jogar no erro como poucos.
Apesar de ter dificuldade a absorver shoulder bumps no contacto, o francês é presença realmente imponente a escudar o aro, não só a desarmar, mas também a demover tentativas. Ainda não tem técnica de verticalidade e timing do salto 100% afinados, mas evita faltas.
Precisa de ser mais consistente noutros “fundamentos” — confia demais no tamanho e, por vezes, sai do chão tarde para contestar, ou salta com a chamada feita pelo pé errado. Para além disso, tenta desarmar sempre com a mão direita, algo que limita o impacto defensivo. É demasiado talentoso para que isto o menorizе. Não pode ter momentos em que deixa que um base de 1,80 m finalize uma bandeja após penetrar em drible.
No geral, é super atento à penetração e dá peel ao seu homem cedo para vir conter no aro. O facto de jogar minutos consideráveis a 4 na Austrália tem funcionado para a capacidade de ajudar a partir do canto. Mais uma vez, imensa cobertura de espaços, mas também bom intelecto a antecipar ataque e ver o que está à frente.
Ponto final, parágrafo
Num ano manifestamente desinspirado em termos de qualidade de topo, Alex Sarr, entre lesões e fraca produção dos concorrentes, aproveitou para se destacar como putativa escolha #1. E as razões estão à vista — o apetecível big moderno, a tenra idade, o perfil atlético trabalhável, a promessa ofensiva e a produção por minuto numa competição respeitável são bullet points que jogam a seu favor.
A tape está longe de livre de red flags — há demasiados momentos, tanto a proteger o seu aro como a atacar o pintado adversário, onde o impacto de Sarr passa estranhamente despercebido, o suficiente para que eu fique intranquilo. As raízes destes problemas são trabalháveis, e o francês tem o resto da temporada para dar continuidade àquilo que tem sido uma curva evolutiva interessante desde os primeiros tempos na Overtime Elite.
Ainda assim, e num plano mais filosófico, acredito que num draft tão “aplanado”, entende-se que as equipas talvez optem, mais do que noutros anos, por dar prioridade a prospects com um chão assegurado, de fácil encaixe para construção de plantel, ou com programa evolutivo simplificado. Ora, com um draft populado por criadores ofensivos promissores, mas declaradamente imperfeitos, como Ron Holland e Nikola Topić, entendo que Sarr se destaque como alguém que, por causa do arquétipo moderno e da natureza descomplicada e ready-made do seu perfil ofensivo, melhor balança promessa com confiança. Se eu partilho dessa confiança? Ainda não o sei.