Neemias Queta escolhido como o jogador mais subvalorizado da NBA
Bleacher Report sustenta a escolha no rendimento por minuto, onde só quatro jogadores superaram o poste português. A rotação interior que Boston montou para outubro pode reduzir-lhe o palco.
Neemias Queta é o jogador mais subvalorizado da NBA, de acordo com o ranking que Zach Buckley publicou esta terça-feira no Bleacher Report. O poste português encabeça uma lista de dez nomes que, na leitura do autor, produzem acima do reconhecimento que recebem, quer em atenção mediática, quer no que lhes é pago.
Em segundo está Nickeil Alexander-Walker, dos Atlanta Hawks, que venceu o prémio de Most Improved Player na última época; em terceiro, Ryan Rollins, dos Milwaukee Bucks. Neemias tinha terminado em quarto nessa mesma votação para o atleta que mais evoluiu em 2025/26.
«O atlético poste cumpriu na perfeição todas as tarefas de rim-running que lhe couberam. E não era apenas o habitual ser-grande-e-jogar-grande. Claro que teve de colocar bloqueios duros, disputar o ressalto, rolar com agressividade e proteger o pintado. Mas também teve de agarrar passes difíceis, fazer as suas próprias leituras de passe e, por vezes, finalizar com finesse. (…) Queta é agora matéria de primeiro parágrafo na história do sucesso dos Celtics daqui para a frente. A época passada não foi apenas a primeira como titular a tempo inteiro; foi a primeira vez que integrou a rotação de forma regular. A trajetória aponta a direito para cima; isto servirá, espera-se, para que mais gente repare nisso.»
Entre Wembanyama e Holmgren
O argumento de Buckley assenta menos na produção bruta do que naquilo que ela vale por minuto jogado. A métrica que melhor o sustenta são as win shares por 48 minutos, uma estimativa do número de vitórias que um jogador contribui a cada 48 minutos em campo. A média da liga ronda as 0.100.
Neemias fechou a época com 0.224, o quinto valor de toda a NBA. À frente dele estão apenas Shai Gilgeous-Alexander (0.323), MVP da temporada, Nikola Jokić (0.316), Jalen Duren (0.266) e Victor Wembanyama (0.257). Logo atrás vem Chet Holmgren, com 0.219.
O registo não se explica só pelo baixo volume de minutos. Em win shares acumuladas, sem qualquer ajuste ao tempo de jogo, Neemias foi o 12.º da liga, com 9.0. Payton Pritchard, com 8.5, foi o 17.º — dois jogadores dos Boston Celtics no top-20, ambos com contratos muito abaixo do valor de mercado.
Dois postes, uma função
A pergunta que atravessou o defeso — Quem será titular em outubro? — pode estar mal colocada. É a tese de Adam Taylor, em artigo para o CelticsBlog, e tem números a sustentá-la.
Boston passou as últimas três épocas a subir no ressalto ofensivo: 14.º da liga em 2023/24, 10.º em 2024/25, sétimo na época passada. Ao contratar Robinson, juntou o segundo melhor ressaltador ofensivo da NBA por jogo (4.2) ao nono (3.0, de Neemias). Robinson garantiu segundas oportunidades em 21.2% dos lançamentos falhados da equipa com ele em campo — o valor mais alto entre todos os postes da liga — e foi 12.º em tentativas de putback, com 54.9% de conversão.
Os dois perfis não se sobrepõem. Neemias é o bloqueador mais móvel e finalizou 24.3% da sua produção ofensiva como roll-man. Robinson ocupa o espaço junto ao cesto e ganha metros no ressalto. O que os une é a função: maximizar posses.
É aqui que a disponibilidade de Robinson passa a ser um dado de planeamento. O poste de 28 anos falhou grandes fatias das últimas épocas e passou a última sob gestão de minutos nos New York Knicks. Jonathan Macri descreveu-o assim no podcast «Celtics Chronicle»:
«Trataram-no basicamente como um jogador de menos de 20 minutos por jogo. O ponto de partida não são 82 jogos. Se continuarem a tratá-lo com pinças, o teto é provavelmente de 20 a 25 minutos por noite ao longo de 65 jogos, e isso sem sequer contar com outras lesões.»
Taylor projeta Robinson entre 18 e 22 minutos por jogo, o que deixaria 26 a 30 para Neemias, independentemente de quem começa.
Primeiro teste em Cleveland
A primeira leitura real chega a 8 de outubro, em Cleveland, no arranque da pré-época. Seguem-se três jogos: a 10, com os Philadelphia 76ers no TD Garden; a 14, com os Charlotte Hornets, também em casa; e a 16, de novo com os 76ers, na Xfinity Mobile Arena.
Os dois jogos com Philadelphia pode colocar Jaylen Brown diante da equipa onde passou dez épocas, embora os jogadores mais experientes falhem algumas partidas da pré-temporada. Boston e Philadelphia defrontam-se seis vezes antes dos playoffs: quatro na fase regular, por serem adversários de divisão, mais estes dois de outubro.



