Neemias Queta e Rúben Prey partilharam o campo pela primeira vez ao serviço da Seleção Nacional na vitória de Portugal sobre o Egito, por 91-87, esta quinta-feira, no primeiro dos dois jogos de preparação em Istambul. O encontro decorreu à porta fechada.
Foi o primeiro reencontro com os egípcios em 15 anos e o primeiro jogo de Queta pela Seleção desde o EuroBasket 2025. Prey não vestia a camisola principal desde fevereiro de 2024, quando somou as suas duas únicas internacionalizações, frente a Israel e à Ucrânia, em plena época da NBA e, por isso, sem o poste dos Boston Celtics no plantel.
Portugal esteve a perder por seis pontos à entrada do último período, depois de ceder o terceiro por 17-28, e resolveu o encontro com um parcial de 26-16 nos dez minutos finais. Mário Gomes utilizou 13 jogadores e nenhum passou dos 22 minutos.
Prey foi o melhor marcador da partida, com 19 pontos (4/5 2P, 2/5 3P, 5/6 LL). Somou ainda nove ressaltos, seis deles ofensivos, três roubos de bola e um desarme de lançamento, para uma valorização de 28, a mais alta do jogo. Queta assinou uma exibição discreta: 8 pontos (4/8 2P, 0/2 LL), sete ressaltos e um roubo de bola.
Dois postes em campo
O selecionador nacional, Mário Gomes, tinha admitido, antes da viagem para a Turquia, que a presença dos dois postes obrigava a ajustes. «Não é mudar muito, mas procurar encontrar a forma de aproveitar aquilo que eles nos podem trazer», disse aos jornalistas no treino aberto à comunicação social. Sobre a hipótese de os colocar juntos, o técnico foi mais específico:
«Temos as coisas organizadas de maneira a que possam estar os dois em campo ao mesmo tempo. O Rúben pode jogar a 4 e a 5. Quando tivermos um 4 mais lançador, vamos mais à procura de certas coisas. Quando contarmos um 4 menos lançador e mais forte perto do cesto, procuraremos outras.»
Em Istambul, Queta e Prey estiveram em campo em simultâneo durante alguns minutos, repartindo o resto do tempo por rotações separadas. O selecionador utilizou quatro postes na partida: além dos dois, o capitão Miguel Queiroz e Ricardo Monteiro.
Queta já tinha desvalorizado a novidade do modelo:
«Sempre joguei com dois postes, desde jovem. Fi-lo na universidade, no Benfica, no Barreirense, na Seleção, nos Sacramento Kings, em Boston também. É um estilo de jogo que traz outras vertentes: consegues ressaltar muito bem, atacar mismatches, proteger o pintado.»
Os efeitos defensivos apareceram: Portugal fez oito roubos de bola, contra cinco do Egito, o que sustenta a intenção de Gomes de aumentar a pressão no perímetro «porque temos as costas protegidas». Ofensivamente, o jogo foi na direção contrária àquela que o selecionador tinha apontado ao falar em jogar «acima do nível do aro». Portugal tentou 34 lançamentos de três pontos e apenas 27 de dois.
Miguel Queiroz, capitão e também poste, tinha antecipado o ganho físico:
«Defensivamente, é difícil para as outras equipas acabar perto do cesto com eles na equipa. Ao nível do ressalto também nos ajudam bastante. Depois, no ataque, temos os bloqueios grandes de ambos e o ressalto ofensivo.»
Prey aponta ao draft da NBA
Durante o estágio em Lisboa, Prey respondeu «sim» à pergunta direta sobre se pretende inscrever-se no draft da NBA de 2027:
«Ainda tenho de melhorar tecnicamente em alguns aspetos do meu jogo, continuar a trabalhar no meu tiro, e também no meu físico, para ganhar mais uns quilinhos de músculo. Mas acho que estou bem encaminhado.»
A declaração foi lida como decisão fechada, mas uma intenção manifestada em agosto de 2026 não constitui inscrição num processo cuja janela formal só abre na primavera seguinte, e Prey encara 2027 como a primeira de duas entradas possíveis, não como a única: avança se a época em St. John’s correr como espera ou regressa à universidade para um quarto ano caso não corra, apontando então a 2028. Os dois drafts são considerados fracos pelos avaliadores, o que torna qualquer das duas entradas menos disputada do que o habitual.
A decisão será tomada após a época que começa em novembro. Rick Pitino prometeu-lhe a titularidade pela primeira vez, num plantel onde St. John’s continua a acrescentar interiores: o extremo-poste Donnie Freeman, contratado para o lugar, rompeu o tendão de Aquiles em julho e falha a época, mas a universidade nova-iorquina fechou esta semana a chegada de Reed Bailey, vindo de Indiana.
Portugal defronta o Líbano no sábado, também à porta fechada, antes de visitar a Espanha a 28 de agosto, às 20h00, no Pavilhão Príncipe Felipe, em Saragoça, e de receber a Geórgia a 31, às 19h00, no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos. É a única janela deste ciclo em que Mário Gomes pode contar com os dois postes: as seguintes caem em plena época da NBA e da NCAA.
Queta entre os dez nomes da janela
A FIBA incluiu Neemias Queta na lista de dez jogadores a seguir na segunda fase de qualificação. O texto destaca o estilo físico e atlético do poste na campanha que levou Portugal aos oitavos-de-final do EuroBasket 2025, em Riga, e recorda médias de 15.5 pontos e 8.0 ressaltos nessa prova, depois de 18.5 pontos e 11.5 ressaltos na primeira fase da qualificação.
Os outros nove nomes são Nikola Jokić, Victor Wembanyama, Lauri Markkanen, Rudy Gobert, Dennis Schröder, Ivica Zubac, Jusuf Nurkić, Simone Fontecchio e Mario Hezonja. Todos jogam na NBA.
No dia anterior, os Power Rankings da FIBA colocaram Portugal no 14.º lugar entre as 24 seleções em prova, uma posição acima da avaliação anterior. A entrada dedicada à Seleção resume-se a uma observação sobre a convocatória: bastaria nela constar o nome de Queta. A Espanha surge em sétimo e a Geórgia em 16.º.
A mesma peça assinala o reforço dos dois adversários. A Espanha apresenta-se com a convocatória mais forte em muito tempo, e a Geórgia recupera Goga Bitadze e Sandro Mamukelashvili para juntar a Tornike Shengelia. A deslocação a Matosinhos é descrita como a viagem mais longa desta fase na Europa.





