Mesa de cabeceira #39 - Química
Os New York Knicks são campeões e toda a gente fala das «vibes». Mas o que é, ao certo, química? E dá para medir?
Os New York Knicks são campeões da NBA. A primeira vez em 52 anos. E quando se procura explicar como uma equipa sem o melhor jogador da série a fechou em cinco jogos, uma palavra aparece: química. Começa em três jogadores que ganharam o campeonato universitário em 2016, por Villanova — Jalen Brunson, Josh Hart e Mikal Bridges — e que voltaram a juntar-se em Nova Iorque por desenho do front office.
Mas o que é, ao certo, química? Michael MacKelvie pega no conceito mais usado e menos definido do desporto coletivo e tenta medi-lo, usando o futebol como laboratório. Lucas Podolski, medíocre nos clubes e letal pela Alemanha. Lionel Messi, que carregou a Argentina aos 35 anos como ninguém carregava uma seleção desde Maradona. O talento é a variável mais importante, sim — nenhuma equipa fora do top-5 do FIFA ganhou um Mundial desde 1994. Mas há algo que o talento não explica, e é aí que MacKelvie vai buscar os dados de tracking: as jogadas combinadas, o histórico partilhado, a forma como Marrocos defendeu o Mundial de 2022 menos como onze indivíduos e mais como um só organismo.
E há uma ponte direta para a NBA: a carreira de Lu Dort, negativo no plus-minus durante quatro anos, transformado no momento em que ganhou Chet Holmgren atrás de si. A agressividade no perímetro de Stephon Castle não existe sem o mesmo princípio, com Victor Wembanyama. Defesa, conclui o vídeo, continua a ser a parte do jogo que ninguém sabe medir bem, em qualquer desporto.
📚 Dobra no canto
Neil Paine escreve sobre os New York Knicks campeões e sobre como esta equipa quebrou quase todas as regras que aceitamos como dogma na construção de um vencedor. O melhor jogador não é um alien nem um génio estatístico: é um base baixo que nunca chegou à All-NBA First Team. Não há uma superequipa, há profundidade. E mesmo o maior dos mercados passou meio século a queimar escolhas de draft e espaço salarial sob um dos piores donos do desporto.
O autor de Neil’s Substack recorda agora os dados: o melhor diferencial de pontos de sempre numa equipa com dez ou mais vitórias nos playoffs, e o oitavo campeão diferente em oito épocas. Porque é que foi esta equipa, nesta era, a quebrar a maldição? A ler.
Outras sugestões de leitura:
📥 The Knicks are still looking for a challenge - Basketball Poetry
📝 OG Anunoby’s whole life prepared him for this Knicks moment - Katie Heindl (SB Nation)
☕ Conversa de café
Na última edição do podcast A Bola Não Mente, a análise do Jogo 4 das Finais da NBA: a maior recuperação de sempre na história das Finais, com os New York Knicks a anularem uma desvantagem de 29 pontos para vencerem e ficarem a uma vitória do título, a masterclass dos San Antonio Spurs na primeira parte e o colapso mental e físico na segunda, e a tapinha decisiva de OG Anunoby na buzina.
No primeiro episódio da semana, a análise do Jogo 3 das finais da NBA — vitória dos Spurs que reduz a desvantagem na série —, o cesto decisivo de De’Aaron Fox no final, a forma como os Spurs envolveram Brunson em bloqueio direto para o desgastar na defesa, e a questão da arbitragem e da fisicalidade excessiva permitida.
No podcast Afunda de 3, a análise do Jogo 3, a forma como os Spurs simplificaram o jogo para explorar as debilidades defensivas de Brunson e Towns no bloqueio direto, a opção de Mike Brown de não iniciar o quarto período com o seu base, e a liderança de Jalen Brunson como skill que não aparece na folha estatística.
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