Jayson Tatum come, mas também põe a mesa
Os americanos têm uma expressão para aqueles jogadores que colocam os seus colegas em posições vantajosas para marcar: são os table setters. Jogadores que fazem o trabalho e são exímios na arte de criar oportunidades para os companheiros. Nestas finais da NBA, um jogador conhecido maioritariamente pela sua capacidade como marcador de pontos tem ascendido na arte de pôr a mesa. Esse jogador é Jayson Tatum e esse tem sido um dos grandes segredos dos Celtics.
Não se enganem: Jayson Tatum continua a ser um marcador de pontos extraordinário e um dos melhores da liga. Mas o que o tem diferenciado nestes playoffs, especialmente nas finais, é a capacidade para colocar os colegas em posição de finalizar. Tatum tem sido claramente o portador de bola primário de Udoka. Não por acaso, todas as séries em que 40% ou mais dos pontos dos Celtics foram criados por Tatum são destes playoffs. A eficiência dos colegas também traz a sua marca, com Tatum a funcionar como maestro com bola. Um crescimento necessário que eleva o extremo de Boston para o nível acima.
Durante os playoffs, apenas dois jogadores somaram mais front court touches do que Tatum: Nikola Jokić e Nikola Vučević. Ambos totalizaram 5 jogos, e Tatum já vai em 22. A bola tem estado nas mãos de Tatum, ele decide e, especialmente nas finais, tem decidido excecionalmente bem. Não só a lançar, mas sobretudo a distribuir.
Comecemos pelo que Tatum oferece sem precisar de driblar. Após passe, lê a jogada antes de acontecer e coloca os colegas na melhor posição para marcar. Sabe que, após o passe, vem o bloqueio direto (e os Warriors também o sabem) e, por isso, nem precisa de pôr a bola no chão. Espera que Golden State se concentre nele ou cometa um erro e castiga de imediato.
Nos números, um dado salta à vista: os paint touches desceram de 2,4 ao longo dos playoffs para 1,7 nas finais. Sinal claro da dificuldade em entrar na fortaleza montada pelos Warriors perto do cesto, mas também oportunidade para fazer crescer o seu playmaking. Para Golden State, o objetivo é tirar a bola das mãos de Tatum o mais rápido possível. Para isso, são precisas várias ajudas. Aqui está talvez o maior salto do jovem Celtic: em vez de forçar a penetração, é paciente com bola e controlado na entrada. Mal usa o drible e, percebendo a ajuda, solta para o colega livre, aproveitando a atenção que atrai.
Há também momentos em que Tatum vence a primeira barreira dos Warriors e entra na “boca do lobo”. O que para muitos seria problema, até para o próprio noutros anos, hoje é um convite. Trazer até si o máximo de atenção e o maior número de adversários significa mais opções para servir colegas. Tatum assume essa responsabilidade e, mais do que isso, aprendeu a usá-la a seu favor.
Não é por acaso que os Celtics ganharam um jogo em San Francisco com Tatum a lançar 3/17 para 12 pontos. As 13 assistências foram um máximo de carreira, deixando repetidamente os colegas a lançar sem oposição. Sim, Tatum tem marcado que se farta desde o Jogo 2 e encontra o seu lançamento quando quer, mas é no capítulo das assistências que mais se tem evidenciado.
E é este o ponto que o faz subir de nível. É deste Tatum que os Celtics precisam: ponderado, a trazer o jogo até si e a ditar o ritmo. Sem forçar, sem entrar em pânico. Lê a defesa, antecipa a jogada do adversário e reage ao que o jogo lhe dá. Porque Jayson Tatum vai sempre conseguir “comer”, mas todos apreciam quando também põe a mesa.