Jalen Brunson, opção A e B
Pela primeira vez desde a noite de 12 de junho de 2011, os Dallas Mavericks ganharam uma série de playoffs da NBA. Os Mavs ganharam finalmente, muito devido à mestria do seu base Luka Dončić, mas talvez mais do que isso pela capacidade de transformação de Jalen Brunson. Com Luka de fora nos primeiros três jogos, Brunson não só aguentou o barco até à chegada do esloveno como deu vantagem à turma de Dallas.
Aos 25 anos, Jalen Brunson está melhor do que nunca, preparando-se para atacar os playoffs como valor seguro antes de se tornar free agent. E depois de 27,8 pontos, 4,8 ressaltos e 4,2 assistências na série frente aos Jazz, com 48,4% de campo e 36,4% de 3 pontos, será difícil imaginar opção que não passe por os Mavericks oferecerem o salário que Brunson pede (80 milhões/4 anos, segundo Marc Stein). Caso Dallas não queira abrir os cordões à bolsa, Knicks, Pacers e Pistons estarão interessados, segundo o mesmo Marc Stein. Quatro equipas, contando com Dallas, que ofereceriam estilos diferentes a Brunson, mas onde ele se adaptaria, tendo em conta a capacidade para jogar com bola ou fora dela.
Nos três jogos sem Dončić, ficou imediatamente claro quem assumiu o papel de portador de bola. A diferença no número de posses em que jogou um contra um ou bloqueio direto com e sem Luka é grande, e Brunson assumiu muito bem a batuta nos bloqueios diretos, em termos de eficácia, enquanto não houve Dončić. Por outro lado, os números subiram nas posses após receção (catch and shoot e catch and drive) quando Dončić voltou, explicado pelo tipo de ataque de Jason Kidd, centrado no esloveno.
Jalen Brunson como portador de bola primário (sem Luka)
Brunson mostrou a sua capacidade de criação sem Luka em campo, especialmente a partir do segundo jogo da série. Em situações de 1×1, procurava o mismatch e usava o seu drible rápido e proximidade ao chão para chegar ao lançamento, muitas vezes com quatro atiradores à volta. Importa notar que manteve essa capacidade de criar após o regresso de Luka, sobretudo quando este se sentava, com eficácia até ligeiramente superior.
Brunson é cada vez mais um mestre do bloqueio direto, um pouco à imagem do também produto de Villanova, Kyle Lowry. Tanto que a eficácia aumentou com mais repetições. A partir do bloqueio direto, Brunson consegue parar na linha de 3, optar pelo lançamento de meia distância ou ir até debaixo do cesto com floaters e teardrops. Um jogador completo, que causou problemas constantes aos Jazz perante qualquer cobertura defensiva.
Algo pouco usado, mas ainda assim presente antes do regresso de Dončić, foi o handoff. Com os colegas espaçados e a defesa dos Jazz obrigada a comunicar (algo que claramente lhes faltou), Brunson leu e atacou conforme o que a defesa lhe dava, sem forçar.
Jalen Brunson como portador de bola secundário (com Luka)
Com Dončić em campo, o papel de Jalen mudou. Teve mais bola quando Luka ia ao banco, mas tornou-se muito mais um jogador fora da bola quando emparelhado com o esloveno. E, não sendo um atirador de elite, Brunson obriga sempre a defesa a decisões difíceis, porque é capaz de acertar de fora, ainda mais ao lado de um talento que puxa tanta atenção como Luka.
Brunson é especialmente bom a atacar closeouts, algo amplificado pela presença de Luka. Como o vídeo mostra, o campo abria-se para o ataque de Brunson, evidenciando a sua capacidade de explorar os buracos da defesa e tirar partido de um criador primário em campo.
Neste momento, o foco de Brunson está num só sítio: Dallas. Os Mavericks regressaram à 2.ª ronda onze anos depois e enfrentam os favoritos Phoenix Suns. Mas o verão também trará decisões. Os Mavericks deverão fazer de tudo para manter o jogador que explodiu este ano, mas ser o braço direito de Luka não é simples. Se a proposta de Dallas não for interessante, os Pistons oferecem um papel semelhante (secundário, com Cade Cunningham). Por outro lado, Knicks e Pacers (mesmo com Haliburton) oferecem a possibilidade de ser iniciador de ataque e opção primária com bola, algo a considerar caso Brunson entenda estar pronto.
De qualquer forma, o base formado em Villanova está preparado para qualquer cenário, com provas dadas da sua utilidade num papel primário ou secundário. Jalen Brunson sabe jogar com bola, sabe jogar sem ela, é inteligente e tem controlo corporal, baixo centro de gravidade e um drible melhorado que o ajudam a chegar aos lançamentos que pretende. Para já, são os Suns que têm de se preocupar com ele, depois de os Utah Jazz terem sofrido a bem sofrer.