Clara Silva e Rúben Prey no Sweet Sixteen da March Madness
A poste de Faro foi decisiva na reviravolta de TCU em prolongamento. Prey marcou o triplo que mudou o jogo frente a Kansas. O basquetebol português nunca esteve tão presente no torneio da NCAA.
Clara Silva (TCU) e Rúben Prey (St. John’s) estão no Sweet Sixteen do NCAA Tournament de 2026. Não são os primeiros portugueses nesta fase — em 2025, Stanley Borden fazia parte do plantel de Duke e Fatumata Djaló do de Ole Miss, ambas equipas que chegaram ao segundo fim-de-semana. Mas há uma diferença fundamental: Silva marcou 16 pontos e foi decisiva na reviravolta de TCU no prolongamento frente a Washington; Prey acertou um triplo crucial que deu a vantagem ao intervalo a St. John’s contra Kansas, numa vitória em cima da buzina. Este ano, os dois portugueses fazem parte das razões pelas quais as suas equipas continuam no torneio.
Clara Silva e a noite do salto
A poste de Faro entrou no torneio com a sequência de 43 vitórias consecutivas em casa de TCU nas costas. Na 1.ª ronda frente a UC San Diego, foi imparável no interior: 13 pontos, 11 ressaltos e 4 desarmes de lançamento numa vitória de 86-40 que nunca esteve em dúvida.
O jogo de domingo frente a Washington foi outro. TCU foi para o intervalo a perder por 19-27 — o pior resultado ao intervalo da temporada — e teve de recuperar de uma desvantagem pouco habitual. Silva foi a resposta: 16 pontos em 6-8 de lançamentos de campo, 8 ressaltos e 2 desarmes. Empatou o jogo a 47 após um passe de Olivia Miles a 3’57” do fim. Colocou TCU na frente a 1’39”. Washington empatou de novo a 14 segundos do fim. No prolongamento, Silva fez o primeiro cesto para iniciar um parcial de 7-0 que selou a vitória por 62-59.
O treinador Mark Campbell elogiou a portuguesa na conferência de imprensa:
«É tão bom observar a sua caminhada. Fazer 16-8 neste ambiente, neste palco, contra uma equipa muito boa… Esta foi a noite da Clara. Impôs a sua vontade, foi excelente no pick-and-roll com a Olivia Miles e na segunda parte tornou difícil para a adversária marcar por cima dela. Estou tão orgulhoso dela. É apenas uma sophomore. Quer ser grande. Está a trabalhar muito. Este é um daqueles jogos que representa um momento de confiança decisivo para uma jogadora jovem como ela.»
TCU soma agora 31 vitórias e 5 derrotas no acumulado da época e mantém a sequência de 44 vitórias consecutivas em casa — a mais longa activa no basquetebol universitário americano, masculino ou feminino. No Sweet Sixteen, enfrenta Virginia (#10) em Sacramento, no próximo sábado.
Rúben Prey e o triplo que mudou o jogo
O extremo-poste de Paço de Arcos entrou no torneio como o melhor lançador de três pontos de St. John’s — 52.6% na temporada, líder da equipa, apesar do volume baixo. Nos dois jogos do torneio, manteve essa eficiência com contribuições pontuais mas determinantes.
Frente a Northern Iowa na 1.ª ronda — vitória por 79-53 — Prey jogou 12 minutos, anotou 8 pontos e somou 4 ressaltos num jogo que St. John’s nunca deixou fugir, com um parcial de 13-0 para abrir.
O jogo de domingo frente a Kansas foi dos mais dramáticos do torneio. St. John’s liderava por 14 pontos a 7’30” do fim, Kansas empatou a 65 a 13 segundos da última buzina com lances livres de Darryn Peterson, e Dylan Darling decidiu com um layup no buzzer. O momento de Prey chegou antes e foi decisivo. Kansas tinha reduzido a diferença para apenas um ponto (25-24) a 2’25” do fim da primeira parte, com St. John’s em seca ofensiva. O internacional português marcou um triplo decisivo que ajudou a empurrar a vantagem para sete (31-24) ao intervalo. No total, Prey somou 5 pontos em 2-2 de campo — incluindo esse triplo —, 4 ressaltos e uma assistência em 13 minutos. Nos dois jogos do torneio, 80% de eficiência de campo.
St. John’s está no Sweet Sixteen pela primeira vez desde 1999. Na sexta-feira, em Washington D.C., enfrenta Duke (#1 seed geral, 34-2, com Cameron Boozer), com bilhetes a partir de 395 euros, os mais caros de todo o Sweet Sixteen deste ano.
As três eliminadas
Filipa Barros encontrou UCLA (96-43) na 1.ª ronda em Los Angeles. O resultado foi pesado, mas Barros acertou dois triplos nos primeiros cinco minutos, nos únicos momentos em que Cal Baptist liderou uma equipa #1 seed. Terminou com 7 pontos, 5 ressaltos e 3 assistências em 37 minutos. A época de Barros — Most Outstanding Player do torneio da conferência WAC, com médias de 11.2 pontos, 10.0 ressaltos e 4.8 assistências — não fica diminuída por um resultado que poucos programas do país teriam conseguido aproximar.
Ana Pinheiro e Idaho fizeram o caminho oposto: chegaram com 18 vitórias consecutivas e ao torneio pela primeira vez em dez anos, saíram por Oklahoma (59-89) com uma noite difícil de campo: 5 pontos e 8 ressaltos em 1-12 de campo. O treinador Arthur Moreira contextualizou depois: «A temporada podia ter ido de duas formas. Podíamos ter sido uma equipa mediana na Big Sky, mas estas raparigas dedicaram-se e trabalharam. Este jogo não lhes tira isso.»
Inês Bettencourt e Gonzaga perderam frente a Ole Miss (66-81) na 1.ª ronda em Minneapolis. Bettencourt terminou com 7 pontos e foi parte activa da recuperação das Bulldogs no quarto período, um parcial de 17-0 que reduziu a diferença de 33 para 10 pontos. Não chegou para mais. A época encerrou-se de forma diferente do que a senior açoriana merecia, mas a fotografia do abraço com Zeryhia Aokusa no final ficou como imagem do dia nos jornais de Spokane.





