Brad Stevens promete reforços no interior
O presidente dos Boston Celtics foi claro sobre o que faltou frente aos Philadelphia 76ers. Neemias Queta foi um dos jogadores mencionados pelo nome e de forma positiva.
Na conferência de imprensa de fecho de temporada, Brad Stevens foi direto sobre o que correu mal na série frente aos Philadelphia 76ers e sobre o que os Boston Celtics precisam de fazer na offseason. A imagem que escolheu para explicar a eliminação foi sempre a mesma: Joel Embiid na área restritiva, a anular tudo o que os Celtics tentaram nas últimas quatro partidas.
«Uma das coisas que temos de descobrir é como ter mais impacto no aro. E acho que precisamos de reforçar a equipa para isso.»
A frase não foi dirigida a nenhum jogador em particular. O que Stevens descreveu, porém, é algo mais específico do que presença física no interior: a necessidade de jogadores que recebam no low post, que criem para si próprios e abram opções para os colegas. Com Embiid a dominar o pintado, a ausência desse perfil tornou-se o argumento mais repetido da série. Não era um diagnóstico novo: em dezembro, durante a fase regular, os Celtics tentaram ir buscar Ivica Zubac aos Los Angeles Clippers. A necessidade manteve-se.
O contexto tornava inevitável a pergunta sobre Neemias Queta. De acordo com Adam Himmelsbach do Boston Globe, a team option de 2.7 milhões de dólares sobre o português para 2026-27 será exercida — a decisão mais simples que Stevens tem pela frente nesta offseason, confirmada antes de qualquer anúncio oficial. Stevens respondeu sem hesitar. Reconheceu que o principal problema ao longo da série foi manter o português em campo — «figuring out how to keep him on the floor», nas suas palavras —, com dois jogos em que Neemias saiu com menos de quatro minutos por acumulação de faltas. E fechou com uma validação:
«Foi bom ver o Neemy ter o seu melhor jogo no Jogo 7. É algo em que pode realmente apoiar-se.»
Os números sustentam essa leitura. Nos playoffs deste ano, Neemias finalizou com 81.0% de eficácia junto ao aro em 21 tentativas, o quarto melhor registo entre os 45 jogadores com mais lançamentos tentados nessa zona, atrás de Ayo Dosunmu, Evan Mobley e Tari Eason, e à frente de jogadores como Cade Cunningham, Jayson Tatum e Victor Wembanyama. Quando chegou ao aro, marcou. O problema, como a série demonstrou, foi chegar lá com suficiente frequência e tempo de jogo para isso ter impacto. Mas a validação de Stevens não é incondicional e a visão externa é mais cautelosa. «Consegue o Queta levar-te através de 82 jogos? Sim. Mas consegue remendar nos playoffs?», disse à ESPN um scout da conferência Oeste. «Acho que continua a melhorar, mas há um tecto. Têm de ir buscar um poste de nível mais alto se quiserem ser considerados sérios candidatos ao título.»
Joe Mazzulla, na sua própria conferência após o Jogo 7, colocou a questão em termos que pareciam uma defesa do estilo baseado em triplos mas eram, na prática, outra coisa:
«Se formos buscar cinco postes que saibam jogar de costas para o cesto, jogamos de costas para o cesto sempre. Fazemos o que for necessário para ganhar.»
A leitura mais precisa é que Mazzulla subordina a identidade ofensiva ao plantel disponível, tal como Stevens. O que ambos disseram, em conjunto, é que o plano A não é uma doutrina: é uma consequência do que têm.
Nikola Vučević, o outro poste da rotação, é unrestricted free agent no final da época. O Boston Globe reporta que o montenegrino dificilmente regressa sem uma redução salarial significativa face aos 21.5 milhões que aufere atualmente. Stevens elogiou-o como profissional e pessoa, mas admitiu que a série foi «um encaixe difícil». A saída de Vučević tornaria ainda mais urgente a chegada de um poste com o perfil que Stevens descreveu: alguém que crie a partir do low post e que reduza a dependência de uma equipa que foi sistematicamente travada pela ausência de impacto junto ao cesto.
Não há contratações anunciadas. O que há é o presidente dos Celtics a identificar uma lacuna no interior, a confirmar a continuidade do jogador português, e um verão que começa com uma pergunta concreta: quem vai receber a bola no low post em Boston na próxima época?




